Indicação de leitura: Indicadores de avaliação e monitoramento da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Luís Eduardo Batista, et al.

Resumo

O artigo apresenta a metodologia de construção de um painel de indicadores para monitoramento e avaliação da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). A metodologia foi desenvolvida em quatro etapas: identificação do cenário, contexto da implementação, indicadores da PNSIPN e validação dos indicadores. Em todas as etapas participaram os proponentes da Política, burocratas de nível de rua, assessores técnicos dos colegiados de representação de gestores, representantes dos movimentos sociais, de associações e fóruns de patologias. Esses atores identificaram e pactuaram os indicadores do painel, categorizados em indicadores de enfrentamento ao racismo; indicadores das condições sociodemográficas segundo sexo, faixa etária e raça/cor; e indicadores de morbidade e mortalidade segundo sexo, faixa etária e raça/cor. O painel de indicadores para o monitoramento e análise da implementação da PNSIPN é viável e pode ser utilizado em nível municipal, estadual e federal, possivelmente subsidiando o processo de implementação e possibilitando o aprimoramento da gestão. A metodologia contribui para identificar indicadores de políticas públicas destinadas à garantia dos direitos humanos, da vigilância de direitos e da advocacy.

Palavras-chave: Políticas Públicas em Saúde; Saúde da População Negra; Avaliação em Saúde; Indicadores de Saúde; Indicadores de Gestão

Leia em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902020000300315&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

AMEFRICANIDADES – POTÊNCIAS NEGRAS NO BRASIL

O Outubro Negro é um ciclo de eventos organizado pelo Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus e o Departamento Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da USP, com apoio de sua Comissão de Cultura e Extensão. Ocorre anualmente desde 2018 com o objetivo de discutir as condições de vida e saúde da população negra, bem como os efeitos do racismo e a luta antirracista no Brasil.

A edição de 2020 tem como homenageada Lélia Gonzalez (1935-1994), filósofa, antropóloga e ativista social. Serão realizadas mesas de debates, entrevistas (roda preta) e apresentações artísticas, privilegiando-se a participação de mulheres ligadas a diferentes áreas de saber e atuação.

Todas as atividades serão gratuitas e transmitidas pelo canal do Youtube da Faculdade de Saúde da USP, sem necessidade de inscrição prévia.

Dia 1 – 07/10 (quarta-feira)

19h – Mesa: O pensamento e o legado de Lélia Gonzalez

A mesa visa apresentar a trajetória de Lélia Gonzalez, bem como suas contribuições intelectuais e políticas para os estudos raciais e de gênero no Brasil.

Com Elizabeth Viana, socióloga, com mestrado em História Comparada. Cofundadora da Ação Negra de Nilópolis, ex-aluna e pesquisadora da obra e do legado de Lélia Gonzalez.

20h30 – Apresentação artística de abertura: Nega Duda, cantora, referência do samba de roda baiano na capital paulista, dedica-se à preservação da cultura afro-brasileira e dos cantos dos orixás.

Dia 2 – 14/10 (quarta-feira)

19h – Roda Preta: Trajetórias inspiradoras no Brasil

Em formato de entrevista, o encontro focaliza uma trajetória intelectual de destaque no país, no intuito de discutir as relações entre produção de conhecimento e combate ao racismo.

Com Giovana Xavier, historiadora, professora da UFRJ, idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras Visíveis, autora do livro Você pode substituir mulheres negras como objeto de estudo por mulheres negras contando as suas próprias histórias.

Dia 3 – 21/10 (quarta-feira)

19h – Mesa: Travessias literárias afro-diaspóricas

A proposta é refletir sobre os aspectos que envolvem a produção e a circulação dasobras artísticas e intelectuais de autoria negra na diáspora. Com Denise Carrascosa, professora da UFBA e líder do Grupo de Pesquisa Traduzindo no Atlântico Negro; e Dinha (Maria Nilda Mota), pós-doutoranda no IEB-USP, professora da rede pública, escritora e editora da MeParió Revolução.

Dia 4 – 28/10 (quinta-feira)

19h – Roda Preta: Potências negras e Bem Viver

Roda de entrevista sobre saberes, cuidados, potências e formas de bem viver ancestrais. Com Clélia Prestes, psicóloga do Instituto AMMA Psique e Negritude e doutora em Psicologia Social pela USP; e Sueide Kintê, jornalista griô, terapeuta e criadora de conteúdo que dissemina conhecimento acerca de asè, autocuidado e bem viver.

20h30 – Apresentação artística de encerramento: Nara Couto, cantora e dançarina, pesquisadora das culturas africana e afro-brasileira.

Para mais informações: coletivonegrofsp@gmail.com 

Redes sociais: @coletivonegrofsp (Instragram) e Coletivo Negro FSP/USP (Facebook)

Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra em São Paulo: convite da RERAD.

Para quem quer saber mais, o Grupo de Trabalho Relações Étnico-Raciais e Decolonialidades, objetiva discutir e realizar ações em prol da promoção de diversidade étnico-racial, emancipação de povos em vulnerabilidade econômica, social e educacional por intermédio do acesso à informação e às bibliotecas, bem como refletir sobre a decolonização do ensino e prática em Biblioteconomia em solo brasileiro.

https://www.acoesfebab.com/etnico

I ENCONTRO ONLINE DE SAÚDE, EDUCAÇÃO E DIREITOS HUMANOS: DESCOLONIZANDO SABERES E PRODUZINDO POSSIBILIDADES

❗Estão abertas as inscrições para o I Encontro Online de Saúde, Educação e Direitos Humanos❗

📝 O período de inscrições se inicia hoje e vai até dia 13 de novembro, no último dia do evento

📌 O link para as inscrições é https://www.even3.com.br/sedih2020/

📌 Mais informações e dúvidas podem ser encontradas la no nosso perfil do instagram https://www.instagram.com/semanapsiuff_vr/ ou do twitter https://twitter.com/SemanaPsiVR

Chamada do Fundo Baobá

Seguem abertas, até o dia 12 de outubro, as inscrições da chamada do Fundo Baobá para Equidade Racial, para artigos que subsidiem a filantropia para justiça social, com foco na promoção da equidade racial, considerando os impactos da pandemia da covid-19 para a população negra.

Podem participar especialistas, mestres e doutores com produção acadêmica nas áreas priorizadas pelo Fundo Baobá, como: educação, saúde; população quilombola; juventude negra; racismo religioso; violência de gênero, além de ciência e tecnologia; desenvolvimento econômico; comunicação, arte e memória, violência contra a população LGBTQI+ e violência racial.

Para maiores informações, acesse: https://editais.baoba.org.br/chamada-artigos

Pesquisadora baiana estuda impactos da Covid-19 na população negra


Estudo teve abrangência no Brasil e EUA

“Para a população negra, a pandemia da Covid-19 atualiza os problemas do passado, cujo centro é o racismo em suas diferentes dimensões”. É desta forma que a pesquisadora baiana da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Edna Araújo, junto ao seu grupo de pesquisa, alerta à população para os impactos relacionados ao coronavírus enfrentados pelas pessoas negras. O estudo se tornou um artigo a ser publicado no Brasil e também nos EUA, em parceria com a professora Kia Lilly Caldwell, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, para descrever a experiência de ambos os países em relação aos dados de mortalidade de acordo com a raça, cor e etnia.

Leia em: http://www.fapesb.ba.gov.br/pesquisadora-baiana-estuda-impactos-da-covid-19-na-populacao-negra/

Convite da ANEPS

No dia 26 de Setembro estaremos realizando o VI ENCONTRO NACIONAL DA ANEPS.

Este será um grande momento de debate e FORTALECIMENTO DO SUS.

Para termos um mapeamento dos movimentos e ações de Educação Popular em Saúde (EPS) nos estados, estamos enviando abaixo link para preenchimento do formulário.

Você preenche, clica em ENVIAR e pronto! Já saberemos que você faz parte da grande família da Educação Popular em Saúde!

https://forms.gle/Rao2EfJAHQV9DBKH7

Um brinde à ALIANÇA, com minha Iyá!

Iyá Karem Olaosun*

Saudades da senhora, Iyá!

Eu estava aqui pensando… lembra que a senhora me mandou – esse verbo mesmo: mandou – encontrar as pessoas que lutam pela saúde da população negra? Pois é, eu obedeci e quero contar novidades para a senhora. E acho que a senhora vai gostar de saber!

Ontem, dia 5 de setembro de 2020, consolidamos a Aliança Pró-Saúde da População Negra, através de uma assembleia que elegeu sua Diretoria Executiva e Conselho Fiscal, para ao mandato 2020/2023. Foi um processo longo, de dois anos. Conheci pessoas muito especiais, reencontrei companheiros de longa estrada e é com muita alegria que estamos trilhando um espaço de luta com afeto e perseverança…

Ah, fiquei tão emocionada, que nem contei para senhora o que é Aliança, né?!

A Aliança Pró-Saúde da População Negra é um conjunto de coletivos e pessoas físicas, com atuação contra o racismo em diferentes áreas, que busca agir em rede multi e intersetorial, a partir de um modelo organizacional orientado por valores africanos e afro-brasileiros. Quando começamos essa caminhada, Iyá, todos muito dispostos à somar esforços e conhecimentos. Nesses dois anos, realizamos reuniões, rodas de conversa; conhecemos pesquisas com dados fundamentados, dialogamos com instituições responsáveis pelas políticas públicas, visitamos instituições e nos fortalecemos. Todos juntos!

Iyá, a Aliança é formada por jovens, por anciãs e anciãos! E temos um cuidador, até! Que nos faz rir sempre, para não desanimarmos, pois a luta é grande, a senhora bem sabe!

D. Arlete e Sr. Arnaldo são nossos Mais Velhos e inspiradores.  Temos advogados, que nos orientam e nos fazem lembrar qual o caminho reto do bom fazer, com muita responsabilidade e foco na justiça sagrada! Iyalorixás, somos em três, sempre em diálogo com todos os sagrados que perpassam nossos Oris! Temos diferentes profissionais da saúde física e mental, uns aposentados, outros na ativa, sempre de olho na gestão pública e nos apoiando nas estratégias de mobilização e autocuidado. Temos estudantes e profissionais das artes! Na gestão da Aliança, toda a diversidade de profissionais e pautas somam às estratégias que juntos montamos para enfrentar a desigualdade no acesso à saúde.

Temos como referência, o Projeto Xire, que a senhora viu nascer. Fico muito emocionada em dizer para a senhora que o Xirê persistiu, tem conseguido acessar profissionais das unidades de saúde e, a Aliança, segue com a mesma força na voz e nas ações.

Fazemos reuniões. Muitas! Com pautas e participação de toda cidade… Até de outros municípios. Sabe, Iyá, não temos sede, mas isso é até bacana, pois vamos para várias regiões da cidade de São Paulo, colhendo diálogos emocionantes, de profissionais, estudantes, familiares, todas as pessoas que encontraram na Aliança um espaço de aprendizado e de mobilização. Sem contar na provocação, que nos faz rever nossa posição, sempre, sempre! As nossas reuniões, com muita articulação e fé, têm conseguido estar até em espaços do poder público! Veja só, como a senhora dizia, estamos estudando sempre e juntos!

Ah, agora nossos encontros são on line, todos nós vemos através do computador. A senhora não ia gostar, mas por enquanto é preciso que todos fiquem seguros em suas casas. Sabe, Iyá, essa pandemia tem sido muito sofrida. Muitas pessoas se foram, principalmente das famílias Negras que não têm recursos para um atendimento digno, e acabam tendo perdas tristes, antes do tempo. Que nossas Divindades socorram acalantem essas famílias.

Iya, estamos nas redes sociais. Na época da senhora não tinha o whatsapp, instagran. São espaços virtuais usados para mostrar que estamos fazendo. Sempre postamos fotos, vídeos, artigos e informes sobre nossas reuniões, diálogos e pensamentos. Eu até tenho um cartaz lá! Estou famosa, viu! Mas não esqueço que a senhora mandou tomar muito cuidado com as modernidades e tecnologias. Estamos usando, para movimentas a Aliança e lutar pela saúde da população negra.

Iyá setembro era o mês que a senhora comemorava Sango, o Orixá que rege seu Ori e sua casa, aqui na Aye. Esse mês se tornou muito especial para mim. Sinto-me especialmente feliz e emocionada que a Aliança tenha dado um passo histórico nesse período e por esse motivo resolvi lhe contar nessa cartinha.

A senhora deixou um legado… Deixou muitos aprendizados em nossos corações e nas nossas práticas de autocuidado. Sentimos que a senhora, está por aqui, conosco.

Agradeço à senhora todo Axé compartilhado.

Agradeço à senhora, todos os ensinamentos e caminhos trilhados.

Mojubá, Iya Sandra Epega!

De sua filha, com saudades; te amo!

Asè, asè, asè!

*Do Ile Lewiyato, Família Erin Epega.