Resenha

          Ao iniciar o ano de 2021, os membros da Aliança Pró-Saúde da População Negra saúdam com alegria a chegada de tão esperada vacina contra a COVID-19!

          Também nos alegra o muito, o fato de que ela nasceu aqui, no quintal de nossa casa, muitas vezes desprezados, sucateados e ignorados pelas instituições, que agora vão querer fazer a mais bela foto. O Brasil é o país em que apesar da pandemia de covid-19, os testes para a detecção do novo coronavírus ficam depositados no aeroporto de Congonhas em São Paulo, até que sejam invalidados e o Presidente acuse então, os estados e municípios pelo não uso do recurso, que reúne uma bagatela de milhões de reais. E São Paulo é mesmo uma caixinha de surpresa: reuni ampla diversidade política, com contribuições significativas para o avanço da ciência e a tecnologia, concentra a maior parte o orçamento do SUS no país, tal como a maior quantidade de problemas quando analisamos os dados epidemiológicos em qualquer situação, tal como os dados socioeconômicos.

           Com a chegada da vacina, temos questões importantes nos aguardando: esse é o país da cloroquina, em que a “autoridade máxima” compreende a complexidade dos fatos como apenas “uma gripezinha”. E isso inclui, claro, a ausência da população negra e quilombola nos planos de imunização recentemente apresentados pelo país, muito embora, os dados e as inúmeras narrativas tenham ao longo de todo ano de 2020, apontado essa população como a que mais tem sofrido o impacto da pandemia. Eis aí, uma brilhante mostra de como o racismo opera nas instituições brasileiras.

          Como vimos ao longo das festas de final de ano, ter vacina não significa ter seringa, tampouco um plano de fato, para fazer com que tudo aconteça da melhor forma possível. No país da imunização considerada referência no mundo, vimos também a corrida do setor privado rumo à compra do insumo que ainda não estava disponível – e continua assim – no sistema de saúde. Essa seria uma distribuição importante da vacina no país, mas claro, para quem, mais uma vez tem dinheiro e acesso a bens, recursos e serviços, tal como na boa e velha lição básica sobre racismo.

          Todo esse cenário, que inicialmente anuncia o cenário político de 2022, associa-se ao ataque recente ao Capitólio, a crescente defesa das narrativas à cerca das eleições que levaram Biden à Presidência da República americana recentemente e, o comportamento das instituições diante da resposta às questões sociais os dados de morte em decorrência da pandemia, com auxilio emergencial que não corresponde às necessidades das pessoas, respeitando as suas singularidades e a avaliação de políticas outras, que conforme os movimentos sociais vem historicamente denunciando, não alcançam a população, dada a fragilidade, inoperância e incompetência da máquina que segue enfim, comportando-se como o escritório da burguesia.

          É nesse contexto em que assistimos determinadas estratégias derrubarem conquistas nacionais importantes e jogar ao ralo determinadas políticas, diretrizes, recursos (como no caso do dinheiro dedicado à Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra) e demais aportes. O sumiço da Política Nacional de Saúde da População Negra, apesar dos dados relacionados ao novo coronavírus e o avanço das desigualdades no Brasil, alterando a posição do país no ranking da fome anos depois demonstram bem a ideia de que “O Brasil está quebrado e eu não sei o que fazer”, no entanto, desafia-nos a pensar os caminhos a serem percorridos para que, aos moldes africanos a gente possa fazer defesa do povo, ao invés dos nossos interesses próprios e individuais. É aqui que mora a soberania nacional e com certeza temos muito a aprender sobre isso com o povo haitiano.

          E além de tudo isso, temos uma Câmara dos Vereadores e uma gestão pública paulistanas nos próximos quatro anos, que com as eleições recentes – que para o povo negro representa inicialmente mais do mesmo – vai seguir com a mesma estrutura, com a mesma lógica, com o mesmo modelo, com o mesmo formato, porque em primeira instância a sociedade não conseguiu redefinir o jogo – limitando-se à eleição sem um projeto coletivo, de futuro e de tomada do poder – e na sequência, as cartas marcadas representam bem as históricas regras do jogo que “a gente achou” que estava ganho com a eleição e posse de indivíduos específicos nas Câmaras de Vereadores – porque apostamos na política de anjos e heróis ao invés de projetos estruturados, construídos a várias mãos, de baixo pra cima – tal como foi a corrida para as Assembleias Legislativas dos Estados, dois anos atrás.

          Essa avaliação inicial da cena que se apresenta nesse Janeiro de 2021 – a isso a acrescenta-se não derrubada de Bolsonaro e tropa, tal como não adiantou o Fora Temer, provoca-nos à ação imediata, com estratégias delineadas conjuntamente a partir de uma outra lógica, com um outro modelo “do fazer” que de fato seja transformador. Claro que tudo isso, é parte do Estado moderno e resultado dos anos de manutenção do status-quo. No entanto, é preciso envolvimento responsável, com trabalho de base, atuação direta junto aos outros espaços de controle social e, é exatamente isso o que a Aliança deseja para o nosso ano novo: uma militância coerente, que se estabeleça em outro patamar, sem vícios, para além do dinheiro, sem neuras e com um outro modelo, capaz de levar para “o fronte” todos os outros, ao invés de manter a lógica do mais do mesmo. Um feliz ano novo para todes nós!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

ATENÇÃO – URGENTE!

#AbraceAVacina – É MUITO IMPORTANTE A ADESÃO DAS ORGANIZAÇÕES AS QUAIS POSSUÍMOS PRESENÇA DE NOSSAS LIDERANÇAS.

O Direitos Já! Fórum pela Democracia e a Frente pela Vida lançam a campanha “Abrace a Vacina” com o objetivo incentivar a população a se vacinar contra o novo coronavírus (Covid-19). A campanha, que será lançada oficialmente no dia 18 de janeiro às 15 horas, reunirá importantes organizações da sociedade civil, personalidades e especialistas em saúde pública. O grande desafio será informar setores da sociedade que se mostram reticentes à vacina, muitas vezes, influenciados pelas chamadas fake news.

A campanha, criada voluntariamente pela sociedade civil, buscará unir organizações de todo o país em torno da grande resposta dada pela ciência para enfrentar a pandemia do século, a vacina. A ideia é incorporar cidadãos e cidadãs que abraçarão essa ideia em defesa da vida. Muitas dessas pessoas são formadoras de opinião em suas áreas de atuação e assumem esse ato de amor ao próximo. BEM COMO MOBILIZAR O MÁXIMO POSSÍVEL DE ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE, POR ISSO É MUITO IMPORTANTE A ADESÃO DAS ORGANIZAÇÕES AS QUAIS POSSUÍMOS PRESENÇA DE NOSSAS LIDERANÇAS. As organizações e movimentos que queiram  aderir, podem informar através do e-mail ronald7ferreira@gmail.com ou 048-99972-2088.

Centenas de entidades já aderiram, abaixo,  algumas delas: 

1. União Brasileira de Mulheres – UBM

2. Lai Lai Apejo

3. Confederação de Mulheres do Brasil – CMB –

4. Aneps – Articulação Nacional de Movimentos e Praticas de Educação Popular em Saude

5. Associação Brasileira Superando Lúpus

6. CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores

7. Articulação Brasileira de Lésbicas – ABL

8. União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO)

9. Movimento Nacional População em Situação de Rua-MNPR

10 – Articulação Nacional de Luta contra a Aids – ANAIDS;

11 – AME – Amigos Múltiplos pela Esclerose

12. RFS- Rede Feminista de Saude, Direiros Sexuais e Direitos Reorodutivos

13. Associação Internacional Maylê Sara Kalí – AMSK/Brasil.     

14. Hunkpaime Hevioso Zoonokum Mean

15. Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros – FONATRANS

16. Federação das Associações de Mulheres de Negócios e Profissionais – BPWBrasil

17. Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA

18- Conselho Federal de Serviço Social – CFESS

19  – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde – CNTS

20 – Associação Brasileira de Terapia Ocupacional – ABRATO

21 – Federação Nacional dos Farmacêuticos – Fenafar

22 – Rede Unida

23 – Centro Brasileiro de Estudo em Saúde -Cebes

24 – Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia – Abenfisio.

25 – Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO

26 – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social – CNTSS.                                

27 – Conselho Federal de Nutrição – CFN

28 – Federação Nacional de Enfermagem – FNE

29 – Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional(COFFITO)

30 – Federação Interestadual dos Odontologistas (FIO)

31 – Associacao de Fisioterapeutas do Brasil (AFB)

32 – Federação Nacional dos Nutricionistas – FNN

33 – Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores Em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social – FENASPS

34  – ABRASBUCO – Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva

35 – Sociedade Brasileira de Bioética – SBB

36 – Conselho Federal de Psicologia – CFP

37 – Federação Nacional dos Psicólogos- FENAPSI

38 – Federação Nacional dos Engenheiros – FNE

39 – Confederação Nacional das Profissões Universitárias  Regulamentadas – CNTU

Convite do Harambee

Gostaríamos de informar que o Harambee, Grupo de Estudos Saúde da População Negra da UFRGS e o Projeto Equidade Étnico-Racial no SUS da Escola de Enfermagem da UFRGS estão ofertando os seguintes cursos:
CURSO GESTÃO PARTICIPATIVA: O CONTROLE SOCIAL DE OLHO NA EQUIDADE.O curso Gestão Participativa: o controle social de olho na equidade tem o objetivo de fortalecer a gestão participativa e o controle social na perspectiva da governança no SUS e no âmbito da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), através da capacitação dos/as usuários/as
Público-alvo: Lideranças Comunitárias, Movimentos Sociais, Trabalhadoras/es da Área da Saúde e Usuários/as do SUS em geral
Carga horária: 16 horas.

CURSO PROMOTORAS/ES EM SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA JOVEM IO curso Curso Promotoras/es em Saúde da População Negra Jovem I tem o objetivo de promover o debate e a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), por meio de ações em torno da Saúde da população negra, com foco na juventude negra no Município de Porto Alegre – RS, mediante formação de jovens como agentes multiplicadores/as na luta por direito a saúde e contra o racismo institucional, sendo estes protagonistas na construção de cuidado em saúde da juventude negra.
Público prioritário: O curso está aberto para toda a comunidade, mas com prioridade a Juventude negra.
Carga horária: 46 horas.

CURSO PROMOTORAS/ES EM SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA JOVEM IIO curso Curso Promotoras/es em Saúde da População Negra Jovem II tem o objetivo de promover o debate e a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), por meio de ações em torno da Saúde da população negra, com foco na juventude negra no Município de Porto Alegre – RS, mediante formação de jovens como agentes multiplicadores/as na luta por direito a saúde e contra o racismo institucional, sendo estes protagonistas na construção de cuidado em saúde da juventude negra.
Público prioritário: O curso está aberto para toda a comunidade, mas com prioridade a Juventude negra.
Carga horária: 46 horas.

Os cursos são gratuitos, autogeridos por meio da Plataforma Moodle Colaborador da UFRGS, dividido em módulos com as seguintes atividades de ensino e aprendizagem: leituras individuais dirigidas, vídeos e podcasts explicativos referentes aos assuntos abordados nos módulos e exercícios avaliativos individuais.
Os cursos têm financiamento do Ministério da Saúde e contam com certificados emitidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
As inscrições são realizadas pelo site: https://www.ufrgs.br/harambee/cursos/
Solicitamos ampla divulgação em suas redes para alcançarmos um grande número de beneficiados!

Atenciosamente,

Grupo Harambee

A construção do homem branco racista.

Foto por Mathias P.R. Reding em Pexels.com

Jean Carlos de Oliveira Dantas

“Vale a pena acentuar especialmente o fato de que cada parte que retorna do passado afirma-se com força peculiar, exerce influência incomparavelmente poderosa sobre a massa, e ergue uma reivindicação irresistível à verdade, contra a qual as objeções lógicas permanecem importantes: uma espécie de ‘credo quia absurdum’ (creio porque é absurdo)”  

Sigmund Freud, in Moisés e o Monoteísmo.

          A humanidade entrou na década dos anos 2020, mergulhada em duas grandes epidemias – a Covid-19 e o Racismo, que foram geradas por seu projeto de desenvolvimento centrado no acúmulo individual de riquezas. A segunda epidemia destacada, existe desde o nascimento das civilizações, onde um povo se colocava em posição de superioridade em relação a outro, por meio da discriminação, estratificando gente em várias categorias, tendo como justificativa: as verdades estabelecidas por uma minoria dominantemente bélica-financeira-política, que muitas vezes, colocava que esta realidade social atendia a vontade das suas divindades. Apesar desta verdade histórica, muitas destas sociedades são consideradas por muitos historiadores, como territórios humanos altamente evoluídos em sua época (1). Assim sendo, o racismo evoluiu na humanidade junto com as sociedades, governos e o Estado.               

          A evolução tecnológica, política e social vivenciada pelas nossas sociedades, ainda que de forma desigual, apresenta avanços em vários campos do conhecimento, como a medicina, a psicologia e as ciências da comunicação, mas nada disso conseguiu refrear o racismo em nosso meio. Penso, que ainda se faz necessário amadurecermos num campo estratégico da humanidade – a ética, uma regra de ouro que pode ser traduzida numa simples perspectiva de: “não fazer ao outro, aquilo que não desejas que façam a você” (2). Neste caso específico, o aquilo que me refiro é a discriminação racial. 

          A discriminação racial pode ser entendida como a promoção e a defesa de uma premissa ilógica da existência de uma raça superior numa determinada sociedade (3). Esta tese é legitimada por uma minoria com alto poder político/financeiro, que para manter o status de superioridade, implementa uma corrente ideológica de negação do Estado Democrático de Direito aos outros grupos sociais, considerados como pertencentes as raças inferiores.  Esse pensamento negacionista, que passa a ser verdade inconteste, se utiliza do Estado, e dos seus poderes constituídos, muitas vezes legitimado pela religião dominante, mesmo que este credo diga que todas as pessoas são irmãs, e devem amar o próximo como a si mesmas. Apesar desta mensagem cristã e positiva, e do amor ao próximo, o enfrentamento ao racismo secular, não conseguiu ecoar nas relações humanas que formaram o povo brasileiro – a maior sociedade católica do mundo (4).      

          As relações humanas são permeadas por crenças, verdade e valores e, a prerrogativa da ideia de raça superior, acaba balizando as atitudes e comportamentos inconscientes e conscientes manifestados no encontro entre brancos(as) e negros(as) (5). E é aqui que gostaria de propor uma reflexão a partir do meu olhar de um homem branco, porque é deste lugar que penso, e logo existo. 

          Pensando na formação social do preconceito racial em terras brasileiras, volto as minhas interrogações para o indivíduo e a sociedade, porque um não existe sem o outro e, desta forma, posso conjecturar possíveis caminhos para entender a formação de um homem branco racista.   

          A formação de um homem branco para a vida é viabilizada pela sua família, escola/universidade, local de trabalho e, demais grupos sociais por onde transitará por toda sua existência. Esse processo educativo é sustentado por valores e crenças vigentes na sociedade onde o homem branco nasce, vive e morre, sendo o preconceito racial um dos elementos constituintes dessa formação. Penso, que essa é uma das possíveis teses para entender como se constrói um homem branco racista (6)

          O processo de educação/formação do indivíduo é um dos caminhos para a perpetuação do preconceito racial, e de todas as suas consequências que afetam diretamente a vida da pessoa negra, porém fico imaginando se temos outros fatores formadores do homem branco racista, tais como a genética. 

          A genética é o campo da biologia, que versa sobre o estudo da hereditariedade: a transmissão de características de pais para filhos, ao longo das gerações, onde alguns pensadores e cientistas levantaram hipóteses, ou se aproximaram de conceitos acerca dos processos hereditários na formação dos indivíduos, como o filosofo inglês John Locke (1632/1704), e o pai da Psicanálise – Sigmund Freud (1856/1939). As conjecturas apresentadas por estes autores, tinham como um dos elementos constituintes de suas teses, a Filogenética, que é uma disciplina da biologia, que estuda a origem dos organismos vivos e as relações existentes entre eles (7,8). Assim sendo, a partir desta breve premissa, me peguei pensando em algumas questões, sem medo de ofender a ciência, a saber:  

  • Será que, a ancestralidade do homem branco influência na formação do seu racismo?
  • Será que, o preconceito racial está presente no DNA do homem branco?
  • Será que, o comportamento racista é formado, também por uma espécie de “DNA social” herdado dos seus antepassados?
  • Será que, os ancestrais racistas do homem branco perpetuam o ‘modos operandi’ na genética dos seus descendentes?
  • Será que, as características adquiridas por gerações sucessivas de homens brancos, somados à aos processos de educação/formação geracionais são as bases para toda manifestação inconsciente ou consciente, do preconceito racial?

          Vou parando por aqui com os meus “serás”, porque senão, não concluo este artigo.

          Locke e Freud, apresentaram teses acerca das possíveis bases hereditárias na formação do jeito de ser e existir da pessoa humana, apesar das controvérsias e debates provocados por seus antagonistas, que defendiam a não cientificidade desses postulados (7,8). Freud, utilizou o princípio hereditariedade para subsidiar suas investigações científicas na busca pelos fatores constituintes dos processos de adoecimento ao qual seus clientes eram acometidos, que por extensão, também serviu para ele inferir sobre o surgimento de algumas mazelas sociais, como o preconceito racial, que no seu caso, veio vestido de antissemitismo (preconceito contra, ou ódio aos judeus) (9). Assim sendo, Freud tratou a hereditariedade como um dos meios para tentar explicar, para além dos processos de educação/ensino, o ódio produzido pelo antissemitismo, que atingiu seu ápice na esteira dos anos que antecederam a segunda guerra mundial (1939/1945).

          As perguntas de Freud sobre os processos de manutenção do antissemitismo europeu, ao qual foi vítima desde o seu nascimento, até a sua morte e, que se perpetuava há várias gerações, me faz pensar na manutenção tupiniquim do racismo brasileiro. Uma das respostas vigente é que o Estado brasileiro foi construído sob as bases da discriminação, exploração e mortes de negros(as) e índias(os).                 

          Acredito que, estas reflexões sobre os processos políticos, educacionais ou, quiçá filogenéticos formadores do homem branco racista merecem mais deferência das famílias brancas na atenção à criação dos seus(suas) filhos(as). O lar é o lugar das primeiras lições que um homem branco recebe das pessoas que geraram a sua vida, ou daqueles(as) que lhe acolheram, sendo que este é a base para a construção dos pilares que lhe sustentaram durante toda a sua vida. As famílias brancas devem atentar, refletir e pensar urgentemente, numa formação antirracista, antissexista e, baseada nos direitos à liberdade humana para seus homens brancos.

          As famílias brancas brasileiras, que nasceram aqui ou foram transferidas para cá, possuem uma ferida ancestral provocada pelo julgo da escravização de milhares de africanos(as), e seus descendentes, mesmo que não tenham vivido nesta época, mas mantiveram o preconceito racial na formação contínua da sua prole.  

          Cabe a nós, homens brancos que nascemos no seio de famílias concebidas por nossos antepassados brancos, que sustentaram o preconceito racial, por meios da promoção da ideia de um grupo de pessoas superiores a outras ou, que silenciaram diante das sequelas produzidas pela violência de um Estado e sociedade racistas, criar e promover estratégias técnicas, políticas e sociais para enfrentarmos esta herança ancestral.

           O primeiro caminho para nós, é reconhecer a existência de toda a violência produzida pelo povo branco ao povo negro e índio, na constituição desta nação e Estado. Reconhecer os traços existentes em nossos atos, falas e comportamentos, que trazem sutilmente ou não, resquícios da discriminação racial, como por exemplo: muitas vezes nos admiramos com a beleza negra num determinado local social, não pela beleza em si, mas porque no fundo da nossa alma, estranhamos a presença de uma beleza negra onde deveria somente ter belezas brancas, que pelo privilégio de sua branquidade não precisa de artifícios para justificar a sua presença na sociedade (10). O homem branco tem que ter a coragem de ler, assistir, participar, ouvir a sabedoria ancestral negra sobre a constituição do povo negro nas terras brasilis, pois são narrativas negras falando de histórias negras, sem o viés pasteurizado racial da academia branca. Enfim, cabe ao homem branco ser antirracista, pois ele é fruto da parte que produziu o racismo.        

          O homem branco e o homem negro trazem em suas almas e corpos, as marcas ancestrais do racismo, sendo que o primeiro, apresenta a chaga do opressor e, o segundo, as feridas do oprimido. Esta marca e ferida, estarão presentes em cada um destes homens por toda sua existência. Estes estigmas são geradores de angústia, dores e demais sensações e sentimentos que brotam quando homens brancos e negros se encontram.

          A tensão que é gerada num debate público sobre racismo, onde estão presentes homens brancos e homens negros é oriunda da marca ancestral do opressor e oprimido, que cada um carrega em si mesmo. Neste momento, ocorre um encontro entre os descendentes dos povos que escravizaram e foram escravizados, com a vazão de sentimentos e sensações. Penso, mesmo que romanticamente, que neste momento de debate, temos a presença neste território dos ancestrais da negritude e branquitude:  o pai negro, a ama de leite da sinhazinha, a menina negra que foi abusada, o senhor do engenho, o capitão do mato, a sinhazinha. Aqui percebo a presença de todos ancestrais nas almas e corpos da sua descendência tencionando-os(as), o debate com vistas a criação de um mundo melhor e justo para os negros(as), que deve ter a participação, contribuição e solidariedade do branco. Assim sendo, penso que a tensão produzida no encontro entre o homem branco e negro, não ocorre somente numa arena de debate, mas em todos os lugares, mesmo em momentos prazerosos de comunhão e amizade.                                                  

          A presença do homem branco no enfrentamento da discriminação racial é fundamental e urgente, pois as mudanças sociais mais substanciais, estruturantes e sustentáveis acontecem de dentro para fora e, ninguém melhor do que um descendente de racistas para melhor combater o racismo junto aos seus.

Referências bibliográficas:

1 – Mendes, BMF. “O problema da reificação em História e Consciência de Classe de Georg Lukács.” Anais do VII Seminário de Pós-Graduação em Filosofia da UFSCar. São Carlos (2011)”. [acesso 08 jan 2021]. Disponível em: http://www.ufscar.br/~semppgfil/wp-content/uploads/2012/05/brunomendes1.pdf 

2 – Ricoeur, P. “Ética y moral.”Doce textos fundamentales de la Ética del siglo XX (2002): 241-255. [acesso 30 dez 2020]. Disponível em: http://www.brunovivas.com/wp-content/uploads/sites/10/2018/07/Livro-%C3%89tica-e-Moral.pdf

3 – Seyferth, G. “A invenção da raça e o poder discricionário dos estereótipos.” Anuário antropológico 18.1 (1994): 175-203. [acesso 29 dez 2020]. Disponível em:  https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=7410192

4 – Moura, C. “Escravismo, colonialismo, imperialismo e racismo.” Afro-Ásia 14 (1983). [acesso 02 jan 2021]. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/afroasia/article/viewFile/20824/13425

5 – Pinto, MCC, Ferreira RF. “Relações raciais no Brasil e a construção da identidade da pessoa negra.” Revista Pesquisas e Práticas Psicossociais 9.2 (2014): 256-266. – [acesso 02 jan 2021]. Disponível em:  http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/revista_ppp/article/view/933/713

6 – Barbosa, MIS. Racismo e saúde. Diss. Universidade de São Paulo, 1998. [acesso 30 dez 2020]. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6136/tde-08042020-101524/publico/DR_351_Barbosa_1998.pdf

7 – Jorge Filho, Edgard José. Moral e história em John Locke. Vol. 20. São Paulo. Edições Loyola, 1992.

8 – Freud, S. “Resposta às críticas a meu artigo sobre a neurose de angústia (1895). Primeiras Publicações Psicanalíticas. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol III: 143-160; 165-179. Rio de Janeiro. Editora Imago, 2006.  

9 – Freud, S. “Moisés e o Monoteísmo, Esboço de Psicanálise e Outros Trabalhos Psicanalíticos. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol XXIII: 67, 311, 319. Rio de Janeiro. Editora Imago, 1996.  

10 – Moreira, A. Racismo Recreativo. 39. São Paulo. Pólen Livros, 2019. 

*Psicólogo; Mestre em Saúde Coletiva pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Resenha da Aliança

*Da Coordenação

Enfim, vai começar a corrida rumo ao segundo turno das disputadas eleições municipais em São Paulo. Esse é um momento importante pra organização da sociedade, que demanda pela participação de cada munícipe, mas, mais que isso, implica na mobilização de todos e todas nós, diante da necessidade de políticas públicas capazes de nos alcançar, sobretudo no que se refere às vulnerabilidades das pessoas e instituições.

No contexto em que estamos, este momento requer ainda mais atenção por parte de cada um de nós que tem no bolsonarismo o seu desafio concreto, representado por ausência e negação de direitos sociais importantes, conquistados a duras penas ao longo dos anos. Nesse estado de negação do direito, vemos uma perfeita soma entre o avanço da extrema direita, a transformação da esquerda em outra coisa – que ninguém sabe ao certo o que é – e a leitura de um mundo cada vez mais plástico, mais “líquido”. Aqui mora o enfraquecimento de nossas forças, sobretudo políticas, mas também o conjunto das possibilidades de renascer, recomeçar, refazer o caminho, tal como aprendemos com as tradições de matriz africanas.

Se entre os vereadores e vereadoras pudemos disfrutar da possibilidade de escolher o melhor nome, o mesmo não ocorreu com a oferta de candidaturas negras para o cargo máximo do executivo municipal, e isso requer de nós, não apenas uma ampla reflexão, mas também a total atenção ao conjunto de políticas que serão implantadas nessa megalópole, que dita tendências, nos próximos quatro anos. O enfrentamento do racismo não aprece na agenda de um dos candidatos que vão ao segundo turno, porque ali, naquele universo a pobreza deve ser enfrentada como eixo central da vulnerabilidade social, como há anos “o grupo” a que ele pertence vem indicando. Não bastasse fechar as portas da Secretaria de Políticas para Igualdade Racial e enfiar goela abaixo de todos nós, um plano, que se quer resolutivo para enfrentar o racismo sem dinheiro e sem alteração da estrutura, o nobre candidato aponta para uma São Paulo “para todos” sem indicar uma única política marcada pela desigualdade racial, apesar do amplo discurso da atual Secretaria de Direitos Humanos, responsável hoje pela equipe que tem como função a implantação de políticas para população negra, sem nenhuma articulação com o povo do morro, sem visitar ou frequentar as rodas em que se dão as discussões lideradas pelos movimentos sociais em toda cidade.

No caso do segundo candidato, ao considerar a necessidade de políticas para a diversidade – população negra é mais que isso e restaurar uma Secretaria de Governo sem dinheiro e sem poder não basta – vale dizer, a necessidade de transversalidade da agenda em toda máquina, é mais que um simples desejo, também ausente em seu plano de governo. Não se trata de COVID apenas, mas no caso da saúde da população negra ausente em todos os contextos, a eleição de 2020 tende a ser um fracasso, novamente por conta da ideia de um SUS para todos, “desde que você se adeque”.

Lamentavelmente a eleição, seja lá qual for o resultado que tiver, vai demandar de nós, uma ampla atuação, novamente, para a mobilização da sociedade civil e amplo o controle social das políticas públicas, de uma forma geral, porque a reinvenção do Telecentro não dá conta de nossas necessidades. Lutemos!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

As sementes de Carolina Maria: a potência negra que emerge na Faculdade de Saúde Pública da USP.

*Caio Pereira dos Santos

*Amanda Aparecida Silva

*Tânia Aparecida de Araújo

Recentemente, o periódico “The Lancet” publicou um texto no formato de correspondência no qual WANDSCHNEIDER et al. (2020) questionam o papel das faculdades de Saúde Pública como denunciadoras do racismo estrutural e ativistas no combate às desigualdades em saúde, que ao mesmo tempo não reconhecem e analisam sua própria estrutura, revertendo-se em ações e políticas internas racistas. As autoras lembram que essas escolas são compostas predominantemente de pessoas brancas e de classe média que reforçam sistemas de hierarquia e privilégios, considerando-os resistentes às mudanças e por essas razões, condizentes à microagressões e marginalização de negres da comunidade acadêmica. Esse é um quadro reconhecido pelo Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus, localizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo, que nasceu em um espaço que no decorrer de 100 anos nunca havia questionado sua estrutura historicamente racista, de reprodução de privilégios e isento de discussão ampla sobre as desigualdades em saúde decorrentes da raça, como tem ocorrido paulatinamente desde então.

O coletivo nasce em 27 de outubro de 2017 nessa faculdade, em meio a uma atividade com estudantes negres de graduação e pós-graduação sobre suas vivências na FSP que culminou em um sarau que homenageava Carolina Maria de Jesus durante as comemorações ao Dia Mundial da Alimentação. O contexto disparador dessa manifestação, que se caracterizou como comemorativa, mas também de debate, foi a aprovação tardia das cotas raciais na USP.

Desde então, temos proposto atividades para que a presença negra seja sentida de diversas maneiras em meio ao espaço branco e, em parceria com a Prof. Dra. Érica Peçanha, criamos o Outubro Negro no ano de 2018. Neste texto celebramos esse ciclo de eventos que se integrou ao calendário anual da instituição.  O Outubro Negro tem o objetivo de discutir as condições de vida e saúde da população negra, bem como os efeitos do racismo e a luta antirracista no Brasil. Sendo protagonizado por docentes, pesquisadores, artistas e ativistas negres, o evento constitui-se por uma série de oficinas e mesas redondas que visam atender a demanda da comunidade da FSP, especialmente estudantes, por um maior contato com a produção intelectual negra e suas contribuições para o campo científico, político e cultural. 

Em nossa primeira edição (2018) homenageamos Carolina Maria de Jesus (1), escritora que dá vida e nome ao nosso coletivo, em um intenso mês de atividades no qual discutimos desde a atuação de pesquisadores da área da saúde que se debruçam sobre a temática racial, à discussão de ciência e inovação tecnológica afrodiaspóricas. Da discussão sobre a relação entre o ativismo e a militância negra em relação ao racismo estrutural e institucional, estendendo-se até mesmo às discussões sobre os efeitos psicossociais do racismo e às tradições alimentares afro-brasileiras.

Em nossa segunda edição (2019) homenageamos Virgínia Bicudo (2), importante psicanalista brasileira e visitadora sanitária formada pela FSP nos anos 1920. Ela foi a primeira mulher negra a assumir uma cadeira como docente na instituição, mas também vítima do embranquecimento racial. Com maior apoio em sua realização, nossa segunda edição promoveu discussões mais diversas, que se estendiam desde a relação entre a violência do Estado, a militarização da polícia e o genocídio da população negra, à saúde mental e sua relação com o racismo, até à promoção de oficinas de poesias e a homenagem à Profa. Dra. Maria Inês da Silva Barbosa, pesquisadora pioneira nos estudos sobre a saúde da população negra na FSP nos anos 1990.

Nosso coletivo nasceu para que coletivamente pudéssemos questionar práticas, acolher estudantes, compartilhar conhecimentos produzidos por nós e para nós, mas também dialogar com outros e outras… ou como costumamos falar: OCUPAR e AQUILOMBAR! Logo, neste ano de 2020, com um contexto tão complexo e difícil, refletimos sobre formas de ocupar lacunas em um ano saturado de lives e transmissões online, em que a temática racial ocupa lugar de protagonismo e repercute mundialmente devido aos episódios de violência policial nos Estados Unidos, às consequentes respostas do movimento Black Lives Matter ao redor do mundo e aos episódios negligenciados de violência policial com pessoas negras em nosso país.

Neste sentido, pensamos nossa posição como pessoas negras, brasileiras, e com o constante enfoque das discussões em nossas dores, a fetichização midiática que acontece com o sofrimento de corpos negros em nosso país, e a ausência da discussão de aspectos positivos, ou seja, das potencialidades e da abundância de conquistas que também permeiam nossas vivências enquanto pessoas negras. E, considerando que esse evento é feito para todos nós, negros e negras, gostaríamos que esse nosso encontro proporcionasse, para além do momento de  partilha, um espaço de fortalecimento e celebração de nossas potências.

Desta forma, inspirades pelo conceito de AMEFRICANIDADE, cunhado pela intelectual brasileira Lélia Gonzaléz, resolvemos direcionar a edição de 2020 do Outubro Negro em nossa vitalidade, em nossa arte, em nossas contribuições para o campo sociopolítico e para a intelectualidade brasileira, enfim a nossa potência! Ora, amefricanidade diz respeito à formação histórico-cultural das Américas e as contribuições africanas e indígenas que são sistematicamente apagadas pelo colonialismo e pelo imperialismo (GONZÁLEZ, 1988).

A temática homenageou Lélia González (3), uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), intelectual orgânica brasileira, pensadora essencial para a construção de um Feminismo Negro e primorosa interprete do Brasil e do caráter amefricano de nossa identidade. Composto por apresentações artísticas ao início e ao final do mês, mesas de debate e entrevistas, que chamamos de ‘Rodas Pretas’, privilegiamos a participação de mulheres ligadas a diferentes áreas de saber e atuação que dialogam com o pensamento e o legado de Lélia Gonzalez, abordando desde discussões sobre a produção e circulação das ideias, conhecimentos e literaturas negras, até a conversa sobre bem-viver, autocuidado e nossas potências enquanto povo negro. Também celebramos trajetórias inspiradoras no Brasil e, claro, a importância e centralidade de Lélia Gonzaléz para nós todes.

Três anos de Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus, três anos de se fazer ponte e também casa, de luta e resistência, de aprendizados, mas acima de tudo, três anos de muita POTÊNCIA!

Notas de Fim

1 – Tendo como sua primeira e principal obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada” (1960), mas tendo publicado diversas outras obras ainda em vida, como “Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada” (1961), “Pedaços da fome” (1963) e “Provérbios” (1965), além de outras obras póstumas.

2 – Sua dissertação de mestrado “Estudos sobre atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo” (1945)foi pioneira ao debater a existência do racismo mesmo com a diminuição de diferenças sociais. Sua dissertação foi publicada em livro (2010) pela editora Sociologia e Política.

3 – Lélia foi autora dos livros “Lugar de Negro” (1982) e “Festas populares no Brasil” (1987) ainda em vida. Seu livro póstumo “Primavera para as Rosas negras” (2018), organizado pela União dos Coletivos Pan-Africanistas de São Paulo, trata-se de uma compilação de artigos, textos e depoimentos de González.

Referência Bibliográfica

GONZALEZ, L. A categoria político-cultural de amefricanidade. Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92, n. 93, p. 69-82, 1988.

WANDSCHNEIDER, L. et al. Fighting racism in schools of public health. The Lancet [online], v. 396, n. 10260, 2020. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(20)32157-7.

*Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus.

Convocação

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Ofício 002/2020

Ref.: Convocação da II Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para a II Reunião da Diretoria Executiva desta Associação.

A atividade acontecerá no dia 26 de novembro de 2020, às 19h30.

São pautas da reunião:

  1. Leitura e Aprovação da Ata da II Reunião Ordinária da Diretoria Executiva
  2. Devolutivas
  3. Avaliação do Encontro da Rede – leitura coletiva do Texto Norteador; Próximos Encontros da Rede.
  4. Live dia 10 de dezembro – Dia Dos Direitos Humanos: “A perspectiva da Aliança para 2021”.
  5. Indicação dos nomes para composição do Conselho Político.
  6. Indicação de Associados beneméritos e honorários.
  7. Definição de Prioridades do Planejamento Estratégico 2020/2023.
  8. Elaboração dos documentos a serem apresentados à Assembleia Geral Extraordinária.
  9. Definição de dinâmica do Departamento Financeiro e Conselho Fiscal.

A III Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Filipe Couto

Diretor Executivo