Resenha da Aliança

*Da Coordenação

Janeiro de 2022.

Com o início de um ano novo cheio de novas oportunidades é preciso lembrar que temos muitos desafios pela frente, enquanto nação brasileira às vésperas do processo eleitoral. No caso da saúde pública, gestão e planejamento continuam sendo marcadores importantes para o desenvolvimento e oferta de serviços, frente à ampliação do acesso às tecnologias e recursos já disponíveis no sistema de saúde que se pretende público, para todos e de qualidade. 

Gestão e planejamento, em meio ao subfinanciamento do sistema, são temas de primeira ordem, amplamente discutidos por especialistas e lideranças políticas de diferentes segmentos ideológicos. Por vezes, esses são também parte de agenda de congressos, audiências, simpósios e similares, que debatem tal tema sem oferecer encaminhamentos concretos na relação entre o Estado e a sociedade. Essas são inclusive, e em sua maioria, atividades financiadas pelo próprio sistema, vale lembrar. 

Ao observar o desempenho da Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra, para além da pandemia de COVID-19 – em que a população negra foi a mais afetada em todo o país, tal como em outros casos importantes de saúde pública, e isso tem nome – compreendemos que existem algumas questões que precisam ser aprofundadas rumo ao cenário anunciado. Entre tantas, destacamos, o conceito de gestão participativa, associado à mobilização e articulação política da sociedade civil, pois como sabemos, o Estado não nos quer à mesa, debatendo os rumos da sociedade brasileira, tampouco definindo conjuntamente o futuro da política de saúde no país, muito embora esse seja um dos princípios básicos do SUS, e um direito constitucional presente nos documentos oficiais.

É preciso movimentar-se, mobilizar-se, mobilizar o outro e envolver todos os atores na construção de novos caminhos, na definição de novas estratégias, na organização da agenda política que mais interessa ao povo brasileiro, considerando aí que o racismo permanece como determinante social altamente relevante na condução política do país, bem como na organização do sistema de saúde pública.

Para além da falácia sobre a necessária formação de novas lideranças, e investimento em jovens líderes, é urgente a ampliação do diálogo acerca daquilo que nos atravessa cotidiana e rotineiramente. É urgente o enfrentamento à correlação de forças e disputas presentes na sociedade e nas instituições do Estado, independente do processo eleitoral sem, contudo, ignorá-lo.

Ainda que o debate sobre a reformulação do modelo de gestão (“não dá pra gerenciar o SUS hoje, como nos anos oitenta, simplesmente porque não estamos nos anos oitenta”), ampliando a integração institucional e intrasetorial seja uma agenda importante para todos nós, sobretudo quando pretos das periferias mais esquecidas desse país, é preciso corrigir as desigualdades para equilibrar as ações e assim promover e garantir o sagrado direito à saúde integral. Aqueles mesmos discursos já não cabem mais, em um cenário de guerra abafada pela vacina vitoriosa que garantiu nossas festas de final de ano. 

Ao considerarmos a importância dos determinantes sociais, é desnecessário dizer que o sistema de saúde não fará isso sozinho, mas essa não pode ser a desculpa para que as ações não aconteçam em nenhum nível ou escala do sistema que é de saúde e não de doenças. É antiga a necessidade de alinhamento entre os diferentes níveis de gestão “da mesma coisa” visto que os desafios são históricos e ignorados, mesmo nos governos mais progressistas.

Essa integração institucional e intrasetorial que está aí, não é uma novidade para nenhum de nós e sabemos que ela não tem gerado o resultado necessário, dado o conjunto de valores, ideologias e “pensamentos” que norteiam as decisões do atual momento da república. Saúde da população negra, faz-se com intersetorialidade, sincronia, dinheiro na conta, produção do conhecimento, articulação constante com e entre as agendas políticas de diferentes movimentos sociais (que também guardam seus racistas de plantão), além da qualificação das ações nos diferentes universos, no micro e no macro mundo da política que vai das unidades de saúde em suas realidades até a definição da política, que nem sempre é federal. 

A política deve servir ao povo, deve atender às pessoas, reagir às necessidades diversas e corrigir as desigualdades historicamente estabelecidas. Mas não se pode esquecer, que não fazer nenhum desses movimentos, na gestão, na unidade de saúde, na casa da gente, no território da gente, também é um ato político, que como sabemos, tem alimentado o genocídio em curso.

Nesse início de 2022, compreendemos que é fundamental o resgate da cidadania, a valorização da democracia, o acesso à informação e por fim, a gestão para mudanças efetivas de contextos que demarcam de forma desigual as diferentes instâncias da vida, a partir de cada indivíduo na ampla diversidade da sociedade brasileira. 

Não há saúde quando as pessoas morrem de fome; não há saúde quando as pessoas recebem um aumento de cem reais no salário-mínimo que deve bancar o arroz, o feijão, o gás de cozinha e o óleo de soja mais caros que se tem notícias na história desse país. Não há saúde quando não se tem paz e equilíbrio. E para tudo isso, dizem as lições aprendidas até aqui, é preciso mobilização, articulação, estratégia, atuação conjunta e mais do que tudo, uma ação direta e efetiva por parte da sociedade. Do contrário, somos cúmplices!

Por fim, é sempre bom lembrar que nenhuma das conquistas obtidas até este momento, ocorreu sem atuação direta ou indireta da sociedade civil organizada. 

Feliz ano novo, para todos e todas nós!

O Novo Programa da Formação Cultural está com inscrições abertas até 10 de janeiro! 

Venha ser CRIA, o programa de inovação dos espaços culturais municipais pelo olhar da juventude periférica da cidade de São Paulo. Serão selecionados 101 jovens com ideias para projetos inovadores para a gestão pública cultural que potencializem os espaços e ampliem relações com os territórios. 

Leia aqui o edital, se inscrevam, curtam e compartilhem!

Uma boa notícia!

Está no ar o I Prêmio ‘Orçamento, garantia de direitos e combate às desigualdades’, iniciativa da Assecor e da Fundação Tide Setubal, em parceria com organizações da sociedade civil,que visa reconhecer trabalhos e pesquisas que abordam o tema das Finanças Públicas não somente a partir de uma perspectiva da sustentabilidade fiscal, mas também de forma comprometida com o desenvolvimento social do país, o combate às desigualdades de raça, gênero e renda e à garantia de direitos para a população brasileira. A iniciativa é mais uma ação da Assecor para democratizar o debate sobre orçamento público brasileiro.

O prazo para submissão dos trabalhos é 06/03 e serão aceitos trabalhos relacionados a pelo menos um dos seguintes subtemas de interesse:

•  Orçamento público, democracia e garantia de direitos:

• Sistema tributário, dívida pública e política fiscal para a promoção da equidade

•  Novos arranjos financeiros para a implementação de políticas setoriais

  Premiação:

• 1º lugar: R$ 20.000,00

• 2º lugar: R$ 15.000,00

• 3º lugar: R$ 10.000,00

• 4º lugar: R$ 5.000,00

• 5º lugar: R$ 3.000,00

• Até 3 menções honrosas: R$ 2.000,00

Acesse aqui o edital.

Aliança Pró-Saúde da População Negra convoca convoca seus associados e suas associadas à Assembleia Geral Extraordinária.

São Paulo, 02 de janeiro de 2022.

Edital 001/2022

Ref.: Convocação da II Assembleia Geral Extraordinária 

Ficam convocados/as todos/as os/as Associados e Associadas membros da Associação Aliança Pró-Saúde da População Negra, para a II Assembleia Geral Extraordinária dessa instituição, que ocorrerá no dia 27 de janeiro de 2022, às 19h, horário de Brasília. São pautas da assembleia:

  1. Relatório de Desempenho Institucional de 2021
  2. Relatório de Desempenho Financeiro – 2021 e Parecer do Conselho Fiscal
  3. Mensalidade
  4. Planejamento estratégico – 2022
  5. Outros informes e pautas de interesse da Aliança 

A II Assembleia Geral Extraordinária ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail, a ser enviado à cada um e cada uma dos associados e associadas que confirmarem presença através do e-mail observatoriopopnegra@gmail.com até o dia 25 de janeiro de 2022, às 0h00, horário de Brasília.

Eventuais justificativas de ausência também devem ser enviadas ao referido e-mail.

Geralda Marfisa – Diretoria Executiva

Mobilize-se!

As mulheres negras e suas famílias são as mais atingidas quando falamos sobre políticas básicas como educação, segurança alimentar e trabalho. Com a pandemia, as iniquidades se agravaram, expondo ainda mais a saúde reprodutiva das mulheres negras trans e cis, e violando o direito delas à saúde.
Não é possível falarmos sobre exercício de direitos reprodutivos dentro de um cenário de graves injustiças raciais e sociais. Precisamos de Justiça Reprodutiva para todes porque, sem justiça e redistribuição, não há exercício pleno de direitos!
Participe desta mobilização de Criola (@ongcriola) em torno do Dia Nacional de Mobilização pró-Saúde da População Negra e conte uma história real para mostrar como o #racismoadoece.

Mobilize-se!

As mulheres negras e suas famílias são as mais atingidas quando falamos sobre políticas básicas como educação, segurança alimentar e trabalho. Com a pandemia, as iniquidades se agravaram, expondo ainda mais a saúde reprodutiva das mulheres negras trans e cis, e violando o direito delas à saúde.
Não é possível falarmos sobre exercício de direitos reprodutivos dentro de um cenário de graves injustiças raciais e sociais. Precisamos de Justiça Reprodutiva para todes porque, sem justiça e redistribuição, não há exercício pleno de direitos!
Participe desta mobilização de Criola (@ongcriola) em torno do Dia Nacional de Mobilização pró-Saúde da População Negra e conte uma história real para mostrar como o #racismoadoece.

21 anos do Fundo Brasil de Direitos Humanos

Com mais de 870 projetos de direitos humanos apoiadas e R$ 32,5 milhões de reais doados a grupos, coletivos e organizações de base de todas as partes do país, o Fundo Brasil completa 15 anos de atuação neste 2021. O vídeo “No Fundo, Eu Sou Você” lembra que direitos humanos são fundamentais para garantir a dignidade e a cidadania de todas as pessoas, sem exceção, e que defender esses direitos é defender todas as formas de existência e a própria democracia. Acompanhe esse debate: https://www.fundobrasil.org.br/

Produtora: Free Birdz

Redação e conceito: Kivitz e Fellipe dos Anjos

Design: Barros Ilustração: Bruno Oliveira

Motion: Guilherme Bento

Trilha e SFX: Wesley Camilo

Locução: Shirlena Marabilis, Rachel Daniel, Kivitz e Wesley Camilo.

Assista o vídeo aqui!

Resenha da Aliança

Outubro de 2021.

Nesse mês Outubro nos dedicamos mais uma vez às ações alusivas ao Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Isso porque, o impacto do racismo na saúde gerou estudos, pesquisas, dados, análises diversas e outros investimentos importantes nos últimos anos, mas persiste em nossas realidades.

A Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra implantada pelo Ministério da Saúde (estabelecida pela portaria do Ministério da Saúde n.º 992/2009 e o Estatuto da Igualdade Racial em seus artigos 7.º e 8.º da Lei 12288/2010), requer a atuação conjunta entre sociedade civil, gestores e profissionais de saúde, no cenário em que estamos.

É importante considerar que o racismo persiste e é um importante determinante social, que permeia as relações interpessoais, os processos, decisões e investimentos em saúde, capaz de interromper as possibilidades de avanço na produção e promoção de saúde, além da prevenção de agravos.

Na atual cena política, é fundamental que os diferentes atores possam mergulhar na conjuntura e ao analisá-la, refletir sobre os passos a serem dados na relação com o Estado genocida e suas políticas que beneficiam uns em detrimento de outros.

Nesse contexto, é importante mergulhar na conjuntura, refletindo sobre a atuação dos movimentos sociais no futuro que se aproxima e os desafios que estão postos para o ano que se anuncia fervoroso diante das eleições. É importante lembrar que a discussão sobre racismo e sua relação com a saúde da população negra, demandam tomada de decisão em primeira instância, para além da pandemia de COVID-19.

A experiência nos diz que a interface entre saúde e educação é sempre muito produtiva, o que nos remete à formação de cidadãos, produção do conhecimento, formulação e implementação de políticas públicas, subsidiadas pelo conjunto de ações afirmativas, que vão para além do ingresso de estudantes negros às universidades, o que a gente tem visto como um resultado importante da intensa luta contra o racismo.

Compreendemos que o processo transformador, capaz de alterar a realidade das pessoas acontece aqui, no território vivo do qual somos partes e isso inclui a nossa relação com a Escola, que para muitos de nós é “a nossa segunda casa”.

A política normatiza a utilização do quesito raça/cor na coleta e produção de informações epidemiológicas para a definição de prioridades e tomada de decisão, em consonância com a aplicação da Portaria 344 de 2017 do Ministério da Saúde que dispõe sobre a obrigatoriedade do preenchimento do quesito raça/cor nos formulários dos sistemas de saúde; além da ampliação e fortalecimento do controle social em resposta ao racismo, e o desenvolvimento de ações e formas de identificação, abordagem, combate e prevenção do racismo institucional no acesso aos equipamentos de saúde, no ambiente de trabalho, nos processos de formação e educação permanente dos profissionais; e a implementação de ações afirmativas para alcançar a equidade em saúde e promover a igualdade racial.

Nossa busca permanente, mobilizando a sociedade civil, articulando-a com o poder público, disponibilizando ferramentas que fortaleçam sua atuação, visa garantir a efetivação do direito humano à saúde, considerando a importância da promoção, prevenção, atenção, tratamento e recuperação de doenças e agravos transmissíveis e não-transmissíveis, incluindo aqueles de maior prevalência para saúde integral da população negra.

Mobilize-se!

A Aliança realizará nesse mês de Novembro a Oficina sobre Teorias e Prática em saúde da população negra.

Para além da discussão política e os inúmeros argumentos que compõem essa discussão, a saúde da população negra requer a tomada de decisões importantes diante dos casos, quando eles acontecem, na realidade de cada um dos indivíduos.

Tais questões permeiam a relação entre usuários e os profissionais de saúde, de forma colaborativa, sempre atentos aos recursos disponíveis em toda RAS – Rede de Atenção à Saúde, considerando as inúmeras possibilidades presentes no território e na territorialidade de cada indivíduo, tal como nas inúmeras instituições que também compõem tal cena.

A atividade pretende mergulhar a fundo na realidade das unidades, seus territórios e vulnerabilidades, apostando metodologicamente na condução dos passos a serem dados na cena em que o caso acontece, com o envolvimento e atuação conjunta de todos os atores conforme suas competências.

A Oficina da Aliança sobre teorias e práticas em saúde da população negra – um estudo de caso, com a participação do Professor Celso Ricardo Monteiro, acontecerá dia 04 de Novembro de 2021, às 19h30, via Join Zoom Meeting.

Faça sua inscrição em observatoriopopnegra@gmail.com

Sobre o convidado: Cientista Social, Especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Família, pela FMU|FIAM|FAAM; um dos organizadores do livro “Religiões Afro-Brasileiras, Políticas de Saúde e a Resposta à Epidemia de AIDS; consultor da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo na área de articulação com sociedade civil para IST/AIDS e Babalorixá da Sociedade Ketu Àse Igbin de Ouro.

Mobilização total em atenção à saúde da população negra.

Assista no Canal Profissional da Escola Municipal de Saúde, a live sobre A Enfermagem e o Compromisso Frente à Saúde da População Negra – YouTube  com Alva Helena de Almeida da ANEM e Estefânia Ventura, do CAPS II de Freguesia do Ó.

Assista e convide os outros!

Convocação

São Paulo, 05 agosto de 2021.

Ofício 011/2021

Ref.: Convocação da VIII Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para IX Reunião da Diretoria Executiva desta Associação. A atividade acontecerá no dia 02 de setembro de 2021, às 19h30. 

São pautas da reunião:

1. Encaminhamentos e pendências da VIII Reunião Ordinária da Diretoria Executiva

2. Monitoramento e Avaliação da Agenda 2020/2023

3. Outros temas de interesse da Aliança

A IX Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 05 de agosto.

Filipe Couto

“Senhor Ministro, respeite o Controle Social” diz o Presidente do Conselho Nacional de Saúde

O Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, denuncia proposta do novo ministro da saúde de promover com rede privada uma reforma no SUS.

“Não admitiremos. Qualquer debate sobre o SUS tem que passar pelo Controle Social, pelo sistema de conferências. Senhor Ministro, respeite o Controle Social! Respeite o SUS!”, enfatiza Pigatto, que também aponta a falta de ações efetivas do governo federal para enfrentar a pandemia e critica cortes no orçamento de 2021.

Assista aqui o vídeo.

Da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo

referência: ETSUS

A Escola Municipal de Saúde publicou o EMS em Pauta 2020!

Neste boletim a EMS apresenta seu desempenho e as ações empreendidas durante o ano de 2020. Esperamos estimular o acesso à informação e o conhecimento sobre a nossa área de atuação na saúde.

Para conferir a publicação completa, acesse o link:  https://bit.ly/3wOa4ke

Indicação de Leitura

A edição de Janeiro de 2021 da Revista RADIS dedicou-se ao tema “Resposta Afirmativa” apontando para a diversidade no campo das políticas públicas e o funcionamento do sistema de saúde no Brasil.

Leia aqui.

Resenha da Aliança – Abril de 2021

Resenha da Aliança – Abril de 2021

Neste dia 07 de Abril, data que se comemora o DIA MUNDIAL DA SAÚDE, a Aliança Pró-Saúde da População Negra apresentou seu vídeo “Vacina já para todes” com mensagens de seus/suas integrantes, com o intuito de mobilizar e articular a sociedade civil em defesa do Sistema Único de Saúde, a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em todo o país e a urgência de uma plano nacional de vacinação, considerando a necessidade de promoção da igualdade racial, com equidade nas ações em saúde.

No momento em que o país já ultrapassou o número de 330 mil mortes pelo coronavírus, a pandemia que escancarou as desigualdades raciais e sociais, levando-nos a um número maior de mortes na população negra do Brasil, é necessário que o Estado reaja, mudando os rumos de sua condução política-genocida.

As mensagens certeiras de Geralda Marfisa, Arlete Isidoro, Nalu Silva, Arnaldo Marcolino, Flip Couto, Iyá Karem D´Osún e com edição de Toni Baptiste e arte de Mahu Lima, a realização da Aliança Pró-Saúde da População Negra apontava a necessidade de atenção à saúde da população em uma perspectiva macro da promoção do direito à vacina contra a COVID-19.

É fundamental lembrar que a defesa da política de saúde da população negra tem relação direta com a defesa do SUS, a valorização dos profissionais de saúde, a importância do controle social e com isso, o pleno funcionamento do Estado brasileiro e suas instituições, pois, ao pensarmos saúde a partir desse lugar, estamos falando da garantia de direitos básicos e fundamentais, a exemplo do direito à educação, à alimentação digna, à agua potável, saneamento básico, emprego, considerando a diversidade étnico-racial entre outras características do povo brasileiro.

O vídeo, fundamental para dialogar sobre a importância da vacina vai mais além do que seu objetivo: traz diferentes atores implicados em uma única perspectiva: a garantia e o acesso à saúde pública, universal e de qualidade para todos. Essa é uma marca da Aliança, dada a necessidade de mobilização e articulação da comunidade negra, para controle social das políticas públicas, o que pode ser visto também na Plenária Municipal de Saúde e a 21ª. edição do Fórum de Saúde da População Negra realizados na mesma semana.

A atuação dessa rede tem ocorrido atualmente de forma remota e dessa forma, tem acolhido diferentes pessoas ao longo dos encontros de sua rede, ocasião em que tem buscado aprofundar determinadas discussões que compõe o amplo universo da saúde pública, que acontece quinzenalmente. Essa possibilidade de trabalho conjunto tem buscado tapar lacunas importantes como a ausência de informação sobre o tema em nossas comunidades.

As pessoas de uma forma geral têm privilegiado o debate sobre as necessidades da população no campo da saúde sempre associadas ao conjunto de direitos básicos e fundamentais negligenciados constantemente, em meio ao racismo e a discriminação racial impetrado pelo sistema. Isso é parte de um processo político como lembrou Arnaldo Marcolino durante o Fórum recentemente realizado, para quem a comunicação é uma estratégia central para o desenvolvimento das pessoas, o que justifica em si, a parceria entre a Aliança e o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo. No momento em que o Brasil ultrapassa seu próprio record de mortes por covid-19 e mantem-se como epicentro da pandemia, é fundamental que todos se levantem, se movimentem, se mobilizem, se articulem e se fortaleçam, dando uns as mãos para os outros, o que é por si só, um ato político.

Saúde da População Negra é tema de debate no Dia Mundial da Saúde

A Aliança participou da Plenária Municipal de Saúde. A cada dia da semana de 05 de Abril especialistas discutiram temas relacionados à área de saúde que impactam a vida da população, especialmente neste período em que o Brasil enfrenta o momento mais crítico da pandemia de coronavírus. A programação da Semana Mundial da Saúde foi organizada pelos movimentos sindicais e sociais que atuam em frentes em defesa da saúde.

Em 08 de abril, a plenária discutiu o tema saúde da população negra, sob condução da Aliança. A atividade contou com a presença de: Maiara Souza, Psicóloga e mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP; Sheila Ventura, Assistente Social – Presidente da AProfe (Associação Pro Falcemicos); Geralda Marfisa, Formada em Gestão Pública, integrante do movimento negro dos APNs, Conselheira Gestora da Região Leste Cidade Tiradentes e da Diretoria da Aliança Pró-Saúde da População Negra e, a Iyálorixá Karem D´Osún, fundadora da Aliança Pró-Saúde da População Negra, com mediação de Flip Couto, Diretor Executivo da Aliança Pró Saúde População Negra e idealizador do Coletivo AMEM. Assista aqui:

03 anos de fundação da Aliança

Com mediação de Dr. Renato Azevedo, a Aliança Pró-Saúde da População Negra celebrou o aniversário de três anos de sua fundação neste mês de Abril. A Aliança Pró-Saúde da População Negra surgiu em 2018 reunindo lideranças de religiões afro-brasileiras, pesquisadores, estudantes, gestores e profissionais de saúde diante do impacto do racismo na saúde pública, em rede horizontal, reconhecendo a importância de diversos saberes em atenção à saúde, razão pela qual, foi preciso mobilização, articulação, comunicação, educação continuada e avaliação constante do processo desenvolvido pelas pessoas envolvidas.

Essa rede parte do princípio de que o monitoramento, avaliação e controle social das políticas públicas em atenção à saúde da população negra demandam plena participação popular, o Sistema Único de Saúde, tal como o preconizado pela Lei 81.42 de 1990, uma das leis que regulamentam o sistema. O processo organizado com envolvimento de diversos atores teve como objetivo central a mobilização pró-saúde da população negra como uma ação cotidiana, em defesa do SUS. Agora, ao comemorarem o 3º ano da fundação da Aliança em meio à pandemia de covid-19, diferentes autoridades dessa rede apresentam suas análises, perspectivas, lições aprendidas, reivindicações e memórias relacionadas aos passos dados até dado momento.

Do histórico da política de saúde da população negra segundo as memórias de Arnaldo Marcolino, às perspectivas de Dr. Fábio Rodrigues, o Babalorixá Walter de Xangô Aganjú, Angelita Garcia e Flip Couto, a atividade permitiu uma densa reflexão sobre o impacto do racismo na saúde da população negra brasileira, olhando para diferentes aspectos desse debate.

Vacina já para todes!

 

Neste dia 07 de Abril, data que se comemora o DIA MUNDIAL DA SAÚDE, a Aliança Pró-Saúde da População Negra apresenta o vídeo “Vacina já para todes” com mensagens de seus/suas integrantes, com o intuito de mobilizar e articular a sociedade civil em defesa do Sistema Único de Saúde, a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em todo o país e a urgência de uma plano nacional de vacinação, considerando a necessidade de promoção da igualdade racial, com equidade nas ações em saúde. No momento em que o país já ultrapassou o número de 330 mil mortes pelo coronavírus, a pandemia que escancarou as desigualdades raciais e sociais, levando-nos a um número maior de mortes na população negra do Brasil, é necessário que o Estado reaja, mudando os rumos de sua condução política-genocida.

A Aliança vem desde 2018 se organizando para o enfrentamento do racismo, mobilizando lideranças de diferentes coletivos negros e organizações, estudantes, pesquisadores, profissionais de saúde e afins, atenta à necessidade de políticas efetivas em atenção à saúde da população negra, no país, no Estado e no município de São Paulo. Venha tecer essa rede conosco!


Site: aliancaprospn.org

Instagram: @aliancaprospn

Facebook: /prosaudepopulacaonegra

E-mail: observatoriopopnegra@gmail.com

Resenha da Aliança – Abril de 2021

Em meio ao Dia Mundial para Eliminação da Discriminação Racial a Aliança mergulhou em sua memória ancestral com vistas a atual conjuntura política desse país. Isso porque, como faz aniversário em abril, junto do Dia Mundial da Saúde, temos lá nossas reivindicações, mas também, muito o que comemorar, sobretudo porque seguimos afetuosamente juntos e a covid nos mostrou que somos capazes de nos reinventar.

Entre as atividades do mês, realizamos o V Encontro da rede pró-saúde da população negra, criada pela Aliança nesse processo que nos cura e nos alimenta. O encontro reúne quinzenalmente suas lideranças e acolhe as pessoas interessadas no tema, que chegam nesse espaço de articulação política, com suas demandas e necessidades sempre muito específicas. Esse é um encontro potente, crescente, que fortalece as pessoas uma vez que elas encontram ali, os seus iguais. Além disso, é um encontro político, em que as pessoas são convidadas ao trabalho e à reflexão, sempre olhando de forma didática para o que temos que fazer na prática, para além das teorias. Ali, por exemplo, conseguimos acolher casos de pessoas em busca de atenção à sua saúde mental frente às violências cotidianas. Foi possível até aqui, acolher e encaminhar determinadas situações em busca de soluções aparentemente fáceis, mas que demandam atenção às demandas e articulação entre nós.

Pretendemos consolidar a rede criada pela Aliança, reconhecendo a importância de diversos saberes, contribuições e atuações políticas, nos microterritórios, razão pela qual, tal encontro classificou essa rede como um espaço potente, de articulação e ajuda mútua, que reúne inúmeras capacidades, entre elas a de readaptação em meio ao cenário pandêmico.

O desafio que está posto é a necessidade de uma rede para promoção dos direitos humanos e atuação comunitária em atenção à saúde da população negra, com atuação abrangente, mobilizadora, política, pedagógica, humanitária, que seja de fato capaz de beneficiar as pessoas diante de suas necessidades em saúde, considerando que aqui entre nós, a saúde não é apenas ausência de doença, mas sim o alcance de todos os bens, recursos e serviços necessários para que elas sejam felizes, inclusive exercendo a sua cidadania. 

Para a consolidação de uma rede é preciso mais que um agrupamento, é preciso o espírito de grupo, objetivos comuns uma vez que as questões individuais precisam ser reelaboradas para que sejam consideradas de todos; estabelecer vínculos e laços, o que facilita muito a atuação conjunta; compromisso com o grupo, mas sobretudo com a causa que nos une; é preciso haver predisposição positiva de todos os integrantes e particularmente daqueles que são chamados para o papel de “facilitadores do processo” já que irão se destacar no grupo, liderando-o em comum acordo com todos os envolvidos, para planejar as estratégias destinadas ao desenvolvimento coletivo, levando o grupo a se concentrar nos objetivos pactuados, promovendo assim a participação cidadã de todos os atores implicados no processo, que deve entre outras, apostar no desenvolvimento das lideranças e suas manifestações políticas cada vez mais qualificadas. Mas para tal, o outro tem que querer, tem que ser parte, tem que estar no centro do debate.

Em tempos pandêmicos, o encontro da rede pró-saúde da população negra, realizado com base no planejamento estratégico da Aliança é um marco importante, porque, diante da total ausência do Estado frente à nossa existência enquanto povo, nós estamos juntos, de mãos dadas, nos organizando dentro de casa, estudando, construindo caminhos, organizando argumentos, nos atualizando, nos fortalecendo em conjunto, entre nós e, acolhendo aos demais, ainda que virtualmente. Por essas e outras, celebramos com alegria o aniversário de três anos da Aliança, mas, esperamos você e sua contribuição no próximo. Venha tecer essa rede conosco!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

São Paulo: a Aliança avança com mais um ato da mobilização pró-saúde da população negra.

*Da Aliança

Na última semana, a rede pró-saúde da população negra criada pela Aliança realizou mais uma vez o seu encontro para discussão da política de saúde da população negra. Aquele é um encontro quinzenal, realizado virtualmente, que reúne as lideranças com atuação na área, pesquisadores, profissionais de saúde e demais pessoas interessadas no tema.   

É na prática, um espaço político de mobilização da sociedade civil em resposta ao racismo. É a oportunidade de escuta, acolhimento, diagnóstico da política atual, definição de estratégias conjuntas e de parcerias entre as lideranças, que se soma ao Fórum de mesmo nome, que populariza o tema por meio do Youtube.

“Fico esperando sempre esse momento porque ele é um encontro político, mas também afetuoso e acolhedor, que só cresce. É encontro rico e cheio de trocas” definiu Flip Couto, Diretor Executivo da Aliança no encerramento do encontro.

Aquele foi um encontro produtivo, em que pudemos dialogar sobre a importância do Ministério Público, o Disque 100, o Disque Denúncia e a DECRADI – Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, enquanto mecanismos e ferramentas para a garantia dos direitos básicos e fundamentais das pessoas, diante da intensa violação de direitos de que são vítimas constantemente. Essa discussão é parte da Agenda 2020-2023 da Aliança, que está em debate com os membros da rede desde o início do ano. A Agenda é composta por objetivos macros, metas audaciosas e tarefas centrais para a mobilização da sociedade civil e o monitoramento das políticas em atenção à saúde da população negra. Com calendário fixo, o encontro da rede acontece de forma remota, mas sempre acolhendo outros atores, de diferentes municípios e com realidades diversas, razão pela qual o seu maior produto tem sido a ampliação das parcerias entre nós.   

No próximo, dia 25 de março, a pauta será a consolidação da rede criada pela Aliança, que fará aniversário em abril. Para além do conceito de rede mais adequado para esse processo, queremos dialogar sobre os desafios, os avanços, o progresso e as experiências relacionadas ao tema. Venha participar e chame os demais par contribuir com mais esse debate!

Informações: observatoriopopnegra@gmail.com

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