Resenha da Aliança

*Da Coordenação

Enfim, vai começar a corrida rumo ao segundo turno das disputadas eleições municipais em São Paulo. Esse é um momento importante pra organização da sociedade, que demanda pela participação de cada munícipe, mas, mais que isso, implica na mobilização de todos e todas nós, diante da necessidade de políticas públicas capazes de nos alcançar, sobretudo no que se refere às vulnerabilidades das pessoas e instituições.

No contexto em que estamos, este momento requer ainda mais atenção por parte de cada um de nós que tem no bolsonarismo o seu desafio concreto, representado por ausência e negação de direitos sociais importantes, conquistados a duras penas ao longo dos anos. Nesse estado de negação do direito, vemos uma perfeita soma entre o avanço da extrema direita, a transformação da esquerda em outra coisa – que ninguém sabe ao certo o que é – e a leitura de um mundo cada vez mais plástico, mais “líquido”. Aqui mora o enfraquecimento de nossas forças, sobretudo políticas, mas também o conjunto das possibilidades de renascer, recomeçar, refazer o caminho, tal como aprendemos com as tradições de matriz africanas.

Se entre os vereadores e vereadoras pudemos disfrutar da possibilidade de escolher o melhor nome, o mesmo não ocorreu com a oferta de candidaturas negras para o cargo máximo do executivo municipal, e isso requer de nós, não apenas uma ampla reflexão, mas também a total atenção ao conjunto de políticas que serão implantadas nessa megalópole, que dita tendências, nos próximos quatro anos. O enfrentamento do racismo não aprece na agenda de um dos candidatos que vão ao segundo turno, porque ali, naquele universo a pobreza deve ser enfrentada como eixo central da vulnerabilidade social, como há anos “o grupo” a que ele pertence vem indicando. Não bastasse fechar as portas da Secretaria de Políticas para Igualdade Racial e enfiar goela abaixo de todos nós, um plano, que se quer resolutivo para enfrentar o racismo sem dinheiro e sem alteração da estrutura, o nobre candidato aponta para uma São Paulo “para todos” sem indicar uma única política marcada pela desigualdade racial, apesar do amplo discurso da atual Secretaria de Direitos Humanos, responsável hoje pela equipe que tem como função a implantação de políticas para população negra, sem nenhuma articulação com o povo do morro, sem visitar ou frequentar as rodas em que se dão as discussões lideradas pelos movimentos sociais em toda cidade.

No caso do segundo candidato, ao considerar a necessidade de políticas para a diversidade – população negra é mais que isso e restaurar uma Secretaria de Governo sem dinheiro e sem poder não basta – vale dizer, a necessidade de transversalidade da agenda em toda máquina, é mais que um simples desejo, também ausente em seu plano de governo. Não se trata de COVID apenas, mas no caso da saúde da população negra ausente em todos os contextos, a eleição de 2020 tende a ser um fracasso, novamente por conta da ideia de um SUS para todos, “desde que você se adeque”.

Lamentavelmente a eleição, seja lá qual for o resultado que tiver, vai demandar de nós, uma ampla atuação, novamente, para a mobilização da sociedade civil e amplo o controle social das políticas públicas, de uma forma geral, porque a reinvenção do Telecentro não dá conta de nossas necessidades. Lutemos!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

ATENÇÃO: NOVO EDITAL!

Estão abertas as inscrições do edital “Programa de Recuperação Econômica de Pequenos Negócios de Empreendedores(as) Negros(as)”, iniciativa do Fundo Baobá para Equidade Racial em parceria com o Instituto Coca-Cola Brasil, Banco BV e Instituto Votorantim.

O edital irá apoiar pequenos empreendimentos liderados por pessoas negras em comunidades periféricas ou territórios em contexto de vulnerabilidade socioeconômica no país, que tenham pequenos negócios com faturamento de até R$ 6.750,00 (seis mil, setecentos e cinquenta reais) por mês.

As inscrições vão até o dia 20 de dezembro. Não deixe para a última hora.

Para maiores informações, acesse: https://editais.baoba.org.br/recuperacao

Convocação

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Ofício 002/2020

Ref.: Convocação da II Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para a II Reunião da Diretoria Executiva desta Associação.

A atividade acontecerá no dia 26 de novembro de 2020, às 19h30.

São pautas da reunião:

  1. Leitura e Aprovação da Ata da II Reunião Ordinária da Diretoria Executiva
  2. Devolutivas
  3. Avaliação do Encontro da Rede – leitura coletiva do Texto Norteador; Próximos Encontros da Rede.
  4. Live dia 10 de dezembro – Dia Dos Direitos Humanos: “A perspectiva da Aliança para 2021”.
  5. Indicação dos nomes para composição do Conselho Político.
  6. Indicação de Associados beneméritos e honorários.
  7. Definição de Prioridades do Planejamento Estratégico 2020/2023.
  8. Elaboração dos documentos a serem apresentados à Assembleia Geral Extraordinária.
  9. Definição de dinâmica do Departamento Financeiro e Conselho Fiscal.

A III Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Filipe Couto

Diretor Executivo

Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

Em entrevista ao Nexo neste mês de outubro, Dra. Fernanda Lopes do GT Racismo e Saúde da ABRASCO nos conta que “o dia 27 de outubro nunca foi uma data celebrativa, sempre foi uma data de luta em defesa do direito humano à saúde. O dia apresentou diversas inovações desde a sua criação, e esse caráter inovador deve ser retomado”.

Para Maria do Carmo Sales Monteiro, que também compõe o mesmo GT “embora nossa luta seja sempre pela institucionalização, no sentido de promover ações governamentais que atendam às premissas da nossa Constituição cidadã, devemos estar atentos às armadilhas. As ações pelas quais lutamos tendem a ser normatizadas e engessadas nas amarras da instituição, o que não contribui para o enfrentamento do racismo. Novas formas de racismo se entrelaçam na instituição e protocolos não são suficientes para superar uma cultura racista. Conseguir a aprovação de leis antirracistas é uma vitória. Porém, é absolutamente insuficiente”.

Conheça o Nexo e leia aqui a matéria na íntegra.

Anemia Falciforme é tema de debate na mobilização em atenção à saúde da população negra

Sheila Ventura da APROFE participou de debate sobre saúde da população negra durante as atividades da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra nesse mês de outubro. O evento foi pensado com o objetivo de trazer maior visibilidade ao acometimento da doença Anemia Falciforme através do papel do profissional bibliotecário no apoio a pesquisa junto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área da saúde, e a difusão da informação em saúde à toda sociedade, bem como evidenciar o papel da APROFE para as pessoas com anemia falciforme.

Assista em

Novembro: resenha da Aliança.

Nesse final de outubro Flip Couto, Ana Luísa e Geralda Marfisa foram “entronados” para as funções da Diretoria Executiva da Aliança, com a benção de Oxum, tal como os membros do Conselho Fiscal. Para cumprirem com a missão dada por esse coletivo, a Diretoria Executiva definiu uma agenda de trabalho para o bimestre novembro – dezembro, como parte do seu planejamento para 2020/2023.

Para chegar a essa fase das articulações, a Aliança conduziu o Ciclo de Oficinas Temáticas Pré-planejamento ao longo do segundo semestre, discutindo as necessidades de nosso povo e a nossa capacidade de mobilização e atuação política. Ao longo desse período, a Aliança se estruturou, agora olhando para objetivos macros e atuação micro territorial, para identificar, articular e potencializar as boas iniciativas que existem na resposta ao racismo e seu impacto na saúde. entendemos que só um jeito de fazer isso: com os pés no chão de terra, amassando barro, tal como proposto pela filosofia dos Terreiros.

Esse é o momento de definição de prioridades, mas temos a clareza de que uma das estratégias fundamentais a serem mantidas em nossa atuação é o fortalecimento e ampliação dessa rede, que se constituiu desde 2018, a partir do Projeto Xirê, direcionado ao povo de santo e suas tecnologias para prevenção às IST/AIDS. Queremos cada vez mais dialogar com a base, constantemente, com ações concretas, para além do discurso. Parte do nosso esforço será então, para trazer as pessoas para o centro do debate, com um calendário que deve primar pela condução de uma agenda de trabalho contra o racismo e em defesa do SUS. Além do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, hoje realizado por via remota, por meio do canal que criamos no YouTube, entre os meses de novembro e dezembro, iremos conversar bastante, quinzenalmente, na reunião da rede, para entre outras coisas fortalecer os laços e os vínculos estabelecidos entre nós e assim, são todes super bem vindes a mais essa etapa da vida!

Queremos contar com a contribuição de todes vocês, sem exceção. Venha tecer essa rede conosco e compor essa mobilização diária em atenção à saúde da população negra.

Um diálogo entre eu e a minha alma.

Celso Ricardo Monteiro*

          Permitam-me iniciar essas linhas agradecendo à Olodumare – O Senhor Criador de Todas as Coisas – pela minha vida, a minha saúde, a minha família, o meu trabalho e a minha capacidade de resistir. Quero também agradecer muito pelas oportunidades ao longo da vida, entre elas, a possibilidade de estar aqui, vivo, trabalhando, produzindo, vivendo. Estas linhas moram em mim desde muito cedo e certamente eu nunca fui tão lucido, a ponto de escrevê-las distinguindo a razão do coração. Talvez tenha sido o candomblé a minha experiência primeira, de vida na prática, visto que ainda escuto o som dos tambores no telhado de minha casa, lá no Jardim Primavera, quando minha amada avó ainda viva e suas filhas, subiam vestidas de branco, como rainhas. Essa é uma cena que mora nas minhas lembranças mais intimas e em um canto que difere daquele em que estão as cobras que eu tanto tenho medo, mas ainda assim me observam cuidadosamente em cada cantinho de Juquitiba.

          O candomblé para mim, é fonte de vida. Foi assim agora na pandemia de covid-19, mas foi também quando eu saí de casa, cheio de desejos e arrogâncias juvenis. Foi assim quando fui morar com Mãe Isabel sem ela me conhecer e mais tarde, quando me tornei um excelente funcionário do escritório de turismo, que vendia todos os planos possíveis para que todo mundo fosse feliz – exceto eu, já que tinha que abrir e fechar o escritório no lugar da dona e seus filhos que iam tomar sorvete naquele americano famoso e quando voltavam com a boca suja, diziam pra mim que foi muito bom.

          A roda do candomblé, de fato, sempre foi a minha maior inspiração; uma oportunidade de renascer e de reviver, nos tempos em que a corrente foge ao lado oposto. É como se eu estivesse “na rota dos Orixás” desde sempre, o que só pude constatar depois, conversando com Euclides Talabyan, sentado no quintal da Casa Fanti Ashanti, levado por minha amada Luza, durante a pesquisa que participei na Universidade Federal do Maranhã sob o comando de Istavan Dersen à luz do processo de implantação do Quesito raça-cor no sistema de saúde do Maranhão. Tratado como pesquisador eu era apenas um instrumento de Osogiyan para garantia da saúde da população negra naquele universo e agora participando da oficina conduzida pelo governo local, anos depois, que delícia é constatar que as pessoas avançam.

          O cheiro do candomblé me alucina e apazígua minha alma. Minha afirmação deriva da experiência vivida ao longo das últimas três décadas, sobretudo no período de condução do Palácio de Oxaguian – o jovem comedor de inhame pilado – que conquistou o mundo. Jovem guerreiro e propulsor, senhor da paz obtida em meio a guerra, um sinal de vitórias e conquistas desejadas, meu Pai tem sido fiel e companheiro ao longo dos anos e, isso é possível visualizar com facilidade na condução do Axé Igbin de Ouro, a nossa casa.

          Enquanto uns discutem o sexo dos anjos, me agrada constatar que aquela casa tem sido o espaço de experiências inenarráveis que compõem não apenas o imaginário social acerca do candomblé, mas também o como a religião e religiosidade são pequenas partes de um todo, onde indivíduos e instituições são orientadas de forma a seguir, a partir do modelo organizacional que compõe a história de Oxaguian.

          Preciso dizer do privilegio que tem sido ocupar o lugar de orientador daquela comunidade: se o que estava posto era a manutenção da tradição nagô-ketú em território nacional, essa vivência só é possível na prática, se acompanhada do enfrentamento do racismo sempre associado à intolerância religiosa, no entanto, o canto dos pássaros desde as primeiras horas do dia sobre o telhado, o cachorro no quintal – mas que nem é nosso -, que mora lá e está sempre pronto a fiscalizar os nossos ebós/oferendas ritualísticas, o som das águas da cachoeira e das minas d’água, que tem sido pra mim uma espécie de guia orientador para a semana toda, as panelas no fogão; o cheiro do inhame assado e tantas outras possibilidades de vida, me soam como a chama da vela na escuridão.

          Há um fenômeno novo naquela sociedade, porém, que eu não havia experimentado antes: o silêncio dos tambores em resposta à pandemia que tanto tem nos maltratado. Depois de tudo que eu já tinha vivido no candomblé, essa experiência que se acentuou na pandemia de coronavírus, tem me tocado profundamente, razão pela qual eu me sinto mais sensível e cheio de dedos diante das pessoas e as coisas da vida cotidiana. O ser humano tem se demonstrado cada dia pior e isso me assusta, mais que a cena da sucuri atravessando a estrada, perseguida pelos machos que eram menores que elas, mas cheios de desejo.

          É preciso agradecer; temos que ser gratos. Em um ano de tantas mortes, perdas e doenças, essa vivência no Terreiro, ancorada hoje na relação com o Ile Omolu e Oxum tem nos possibilitado a escuta aos sinais e a resposta adequada nos momentos previamente definidos, obviamente que não por nós; uma honra!

          A nossa necessidade de cuidado e atenção parece ter aumentado em meio às obras do Palácio em tempos de COVID. É impressionante como nos tornamos mais vulneráveis e ao mesmo tempo mais crentes, espertos e interesseiros para as coisas da vida, que realmente nos dizem respeito diretamente. Essas questões todas tem me atravessado de forma tão avassaladora que não me sobrou outra opção, a não ser parar para ouvir e compreender os sinais oriundos de outros cantos.

          Mais uma vez, como na infância, eu me vi tendo que olhar para os lados e compreender que eu tinha problemas, mas, a sociedade me apresentava interrogações que não eram especificamente para mim e sim, parte de seu próprio desenvolvimento. No entanto eu sou parte disso, mesmo sem acesso “ao sorvete americano.” Aconteceram tantas coisas, ouvi tantas histórias, vivenciei tantas situações que me coloquei no lugar de questionador para interrogar qual era o meu grau de participação nessas coisas todas que tem me mobilizado, visto que em mim, há uma insatisfação danada, muito embora ao longo dos anos eu tenha participado ativamente da vida política de minha gente, colaborando com iniciativas muito legais e participando de situações em prol do desenvolvimento das pessoas em geral, para além do meu ofício.

          Longe de fazer aqui um desabafo, de ordem pessoal, essas linhas me levam a compreender que sim, “o pensamento nagô é uma provocação à reversibilidade dos tempos e à transmutação dos modos de existência, sustentada pela equivalência filosófica das enunciações (SODRÉ; 2017, 23)” e a isso é preciso estar atento, quando da relação com o mundo externo.

          É também nesse universo cheio de adversidades que a mim parece muito agitada essa caminhada entre dois mundos, ou três no meu caso, já que venho do Axé para a relação com os demais aspectos da vida coletiva, enquanto muitos outros dos meus pares vivenciaram experiências diferentes da minha.

          Minha história marcada pela dor do corpo, vem da relação de minha família com os Orixás, mais tarde substituída pela presença de Deus por meio de diferentes Igrejas. Me deixei levar, por exemplo, pela diferença do pensamento institucional quando comparada a minha vida nagô com o meu trabalho, a produção científica e a organização dos movimentos sociais. Se as ciências sociais me provocam ao ponto de questionar o que há de real no discurso de diferentes indivíduos, as tradições afro-brasileiras intensificam em mim, a certeza de que “não comungamos com as sobreposições “multiculturalistas”, em que o gosto do pensamento pelo “exótico” admite harmonizações, mas sempre sob a égide da lógica hegemônica” (SODRÉ. 2017, 22).

          Por fim, é preciso ser grato. Em meio a tantos desafios impostos pela ‘vida moderna’ nesse ‘estado de negação’ é possível ver as vitórias e conquistas de uma caminhada árdua, em que nem sempre tínhamos água fresca nos potes. A dupé meu Pai, pois eu cheguei até aqui, tal como pressupõe a vida nagô!

*Sacerdote do Ile Àse Igbin de Ouro; Professor Licenciado em Ciências Sociais. Contato: celsormont@gmail.com

Referência bibliográfica

SODRÉ, M. O Pensar Nagô. Rio de Janeiro; Editora Vozes; 2017. 

Prêmio e honra!

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) outorgou à discente egressa da Fiocruz Bahia, Jaqueline Goes, o Prêmio CAPES de Tese 2020, da área de MEDICINA II, pelo Programa de Pós-Graduação em Patologia (PGPAT), curso da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Ampla Associação com Fiocruz Bahia.

Jaqueline Goes tem graduação em Biomedicina, pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e obteve o mestrado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), pela Fiocruz Bahia.

A tese intitulada “Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e re-emergentes” foi defendida em 2019, sob orientação do pesquisador da Fiocruz, Luiz Alcântara Jr..  O trabalho é resultado da participação de Jaqueline no projeto Zika in Brazil Real Time Analysis (Zibra).

Os resultados obtidos no estudo foram divulgados em cinco publicações relevantes, sendo duas destas na Nature e Science. A tese de Jaqueline já havia sido agraciada, em 2019, com o Prêmio Gonçalo Moniz de Pós-Graduação, na categoria Egresso – Doutorado (1º lugar), e no XIII Encontro de Pós-Graduação das Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, com o Prêmio de Melhor Trabalho de Tese.

Parabéns, Dra Jaqueline!!

Saiba mais https://bit.ly/3jqS0FQ

Indicação de leitura: Indicadores de avaliação e monitoramento da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Luís Eduardo Batista, et al.

Resumo

O artigo apresenta a metodologia de construção de um painel de indicadores para monitoramento e avaliação da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN). A metodologia foi desenvolvida em quatro etapas: identificação do cenário, contexto da implementação, indicadores da PNSIPN e validação dos indicadores. Em todas as etapas participaram os proponentes da Política, burocratas de nível de rua, assessores técnicos dos colegiados de representação de gestores, representantes dos movimentos sociais, de associações e fóruns de patologias. Esses atores identificaram e pactuaram os indicadores do painel, categorizados em indicadores de enfrentamento ao racismo; indicadores das condições sociodemográficas segundo sexo, faixa etária e raça/cor; e indicadores de morbidade e mortalidade segundo sexo, faixa etária e raça/cor. O painel de indicadores para o monitoramento e análise da implementação da PNSIPN é viável e pode ser utilizado em nível municipal, estadual e federal, possivelmente subsidiando o processo de implementação e possibilitando o aprimoramento da gestão. A metodologia contribui para identificar indicadores de políticas públicas destinadas à garantia dos direitos humanos, da vigilância de direitos e da advocacy.

Palavras-chave: Políticas Públicas em Saúde; Saúde da População Negra; Avaliação em Saúde; Indicadores de Saúde; Indicadores de Gestão

Leia em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-12902020000300315&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt