Fórum SPN

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Introdução

Ao longo de 2017, Pais, Mães e filhos de santo, lideranças de movimentos sociais, gestores, universitários e pesquisadores reuniram-se em meio ao Painel de IST/AIDS e Religiões Afro-Brasileiras, para acompanhar o desenvolvimento do Projeto Xirê II – Prevenção de DST/AIDS na Roda dos Orixás, desenvolvido pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Com essa iniciativa pode-se aprofundar o debate nessa área temática, envolvendo lideranças que não tinham proximidade ao tema e, entendeu-se que era preciso um debate mais amplo, envolvendo outros sujeitos políticos entorno das políticas para atenção à saúde integral da população negra, que nem todos conhecem. Optou-se por criar um observatório das políticas relacionadas à saúde integral da população negra.

“Um Observatório é uma iniciativa da sociedade civil e de entidades governamentais, que se integram a fim de gerar propostas de avanço sobre o tema ao qual está vinculado”. Sendo assim, “um observatório é um dispositivo de observação criado por organismos, para acompanhar a evolução de um fenômeno, de um domínio ou de um tema estratégico, no tempo e no espaço. Na origem de um observatório deve existir uma problemática que possa ser traduzida sob a forma de objetivos, que permitam definir indicadores, cujo cálculo necessita a integração de dados e permita a realização de sínteses.”[1]

A proposta de criação de um observatório das políticas para atenção á saúde integral da população negra para a cidade de São Paulo, a exemplo de inúmeros outros, surgi, diante da necessidade de ampliação de um debate qualificado, para pleno advocacy, para além da epidemia de AIDS, porquê:

  1. Ainda é preciso ofertar visibilidade aos dados sobre a saúde da população negra;
  2. Para tradução e uso efetivo desses dados na condução das políticas públicas, pela gestão, com a participação das lideranças de movimentos sociais articulados;
  3. Para o estabelecimento de articulação entre os movimentos sociais e os demais núcleos que promovam discussão sobre relações étnico-raciais e saúde, a fim de articular ações para participação popular e controle social nessa área, além da necessária mudança dos contextos em que estão inseridas as várias sub-parcelas da população negra.

A proposta de “aliança e coordenação” do Observatório de Saúde da População Negra com lideranças de diferentes áreas de atuação contra o racismo e seu impacto na saúde, tem como propósito monitorar o desenvolvimento e promover ações das políticas de saúde pública voltadas à população afro-brasileira da cidade de São Paulo. Assim, entendemos que é preciso coletividade para um projeto comum, dessa envergadura, para que de fato ele possa acontecer e impactar a vida das pessoas, lá nos territórios onde de fato, as políticas são necessárias.

Memorial

I Reunião de Lideranças-chave na organização pré-observatório de saúde da população negra

28 de Fevereiro de 2018, Câmara Municipal dos Vereadores de São Paulo.

O impacto do racismo, da discriminação, do preconceito, da xenofobia e das intolerâncias correlatas como descritas pela Conferência de Durban em 2.000, tem se demonstrado reconte nas condições de vida da população negra, sobretudo no que se refere ao seu direito e acesso à saúde. São inúmeros os indicadores de saúde em que é preciso visualizar o prejuízo e as iniquidades que tais fenômenos geram na organização da sociedade e na relação desta com o Estado: o genocídio da juventude negra, a mortalidade das mulheres negras por AIDS três vezes mais que as não negras, a diferença existente entre a homofobia e a interface desta com o racismo no caso dos jovens gays quando negros, a mortalidade materna e a intolerância religiosa vivenciada pelas comunidades tradicionais de Terreiro são alguns dos exemplos, em que pode-se constatar a ausência do Estado. Com a implantação da Política Nacional de Atenção á Saúde Integral da População Negra dez anos atrás, discute-se o porquê sua implementação não acontece nos Estados e municípios, mesmo quando há o gestor designado para tal. A I Reunião de Lideranças-chave tratou desse tema, com o Professor Dr. Luis Eduardo Batista, da USP, que compõe a equipe de pesquisadores do Instituto de Saúde de São Paulo. Confira aqui a Memoria da I Reuniao de Liderancas-chave 

Organização do observatório de políticas para saúde da população negra

Realizada na Câmara Municipal dos Vereadores de São Paulo, dia 06 de Abril de 2018, a II Reunião de Lideranças-chave tinha como objetivo a estruturação e consolidação de um grupo de lideranças de movimentos sociais, pesquisadores e demais pessoas dedicadas ao enfrentamento ao racismo, para se conectarem em aliança, diante da necessidade de advocacy da política de saúde em atenção à saúde da população negra. Confira aqui a Memoria da II Reuniao Liderancas-chave

Saúde da População Negra – a criação de um fórum permanente.

Iniciado o processo de articulação política no âmbito da sociedade civil, contra o racismo e seu impacto na saúde, o ato de “Instalação do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo” realizado na APEOESP em 12 de setembro de 2018, tal como consta do espírito da rede em construção, buscou observar o histórico das políticas públicas relacionadas à saúde da população negra, envolvendo questões importantes, cujo conjunto de ações desenvolvidas pelos coletivos negros, nos diferentes territórios da cidade, para orientar o processo a ser desenvolvido conjuntamente. A instalação do Fórum contou com uma mesa de debate composta por Deivison Faustino Mendes/Universidade Federal do ABC, Fernanda Lopes/Nicketchie e o PhD Luís Eduardo Batista/USP.

Organização da sociedade civil em rede para o enfrentamento ao racismo e seu impacto na saúde

O I Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, realizado em parceria com o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo em 10 de Outubro de 2018, priorizou a importância da ação em rede para o enfrentamento ao racismo e os feitos que essa ação produziu historicamente. Os presentes indicaram a necessidade de estabelecer diálogo com a Secretaria Municipal de Saúde para monitorar as políticas públicas de saúde voltadas para a população negra, além de criar estratégias para que as lideranças da sociedade civil organizada passem a acompanhar as políticas municipais que estão em vigência. Como proposta, encaminhou-se a organização das lideranças negras participantes rumo à Conferência Municipal de Saúde, bem como, apoiar os membros da Comissão de Saúde da População Negra do Conselho Municipal de Saúde da Secretaria Municipal da Saúde da Saúde de São Paulo nessa empreitada.

Política Municipal de Saúde da População Negra do Município de São Paulo

O II Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo realizado no Centro de Culturas Negras do Jabaquara em 24 de Novembro de 2018 recebeu a Sra. Valdete Ferreira, Coordenadora da Área Técnica de  Saúde da População Negra da Secretaria Municipal da Saúde, o que possibilitou a ampliação do debate sobre as ações que segundo uma das participantes, depois de inúmeras conferências e reuniões, além da manutenção da Comissão Municipal de Saúde da População Negra do Conselho Municipal de Saúde, não tem impactado a vida das pessoas e suas realidades (as pessoas não conhecem a Comissão e seus membros, por exemplo). O evento ocorreu em um momento importante, em 24 de Novembro de 2018, tendo em vista que o Centro de Culturas havia sido atacado às vésperas do Encontro do Fórum. Esse ataque representa também um ataque à saúde da população negra, visto que a cultura afro-brasileira, visto que o respeito á ancestralidade é um dos grandes pilares da saúde da população negra, ali representada pelo nome e história do Centro (Mãe Sylvia de Oxalá). Confira aqui a Memória do II Forum de Saude da Populacao Negra do Municipio de Sao Paulo

Racismo & Direitos Humanos

Como parte das atividades da Mobilização Pró-Saúde da População Negra que acontecem em todo país, o III Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo realizado no Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo em 10 de Dezembro de 2018, contou com as contribuições de Edgar Aparecido Moura (Amaral) dos Agentes Pastoral Negros do Brasil e CONSEA (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional), Doutor Ivair Augusto, Arlete Isidoro (OGBAN), o Babalorixá e Professor Celso Ricardo Monteiro de Osogiyan (Coordenador do Projeto Xirê – Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo) e José Adão (Movimento Negro Unificado). A atividade proporcionou a discussão sobre as políticas públicas em atenção à saúde da população negra, com participação popular e controle social, em especial atenção às violações de Direitos Humanos vivenciadas pela população negra em meio ao racismo institucional. O Fórum organizou uma ampla programação organizada para dialogar com diferentes atores, também por meio de transmissão via rádio web, organizada pelo Sindicato dos Radialistas, ao longo de todo o dia. Gravada, parte da atividade pode ser consultada na página da Aliança Pró-Saúde da População Negra no YouTube. Acesse o vídeo da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra/SP

Articulação Pró-Saúde da População Negra

Realizado na sede da APEOESP em Março de 2019, o IV Fórum de Saúde da População da População Negra do Município de São Paulo reuniu profissionais de saúde, sacerdotes e sacerdotisas diferentes de religiões afro-brasileiras, profissionais de saúde, pesquisadores, professores universitários, membros de conselhos participativos de saúde e outras áreas, além de lideranças de diferentes coletivos negros destinados ao enfrentamento ao racismo. O evento buscou dar continuidade às atividades da rede, ao longo do ano de 2018. Ali, foi aprovado o Planejamento Estratégico da Aliança para o período 2019/2020, organizado em Oficina direcionada que aconteceu em Fevereiro, na sede do Quilombo Terça-Afro, com os diferentes indivíduos e coletivos que compõem essa rede, com base no I Relatório Anual da Aliança Pró-Saúde da População Negra, publicado anteriormente no site da rede. Para a Aliança, esse foi um momento marcante do aniversário de um ano de sua fundação, visto que, obteve ali, a adesão de novos membros com atuação na área ou com interesse no tema, potencializando assim a possibilidade de contribuições e partilha no que tange o enfrentamento ao racismo, em rede, tal como a lição aprendida com seus antecedentes. Segundo os participantes, o Fórum considerado de extrema importância para as articulações da sociedade civil, consolida-se não como uma instância de poder da Aliança, mas sim como um espaço permanente de debate, com a sociedade e eventualmente com seus convidados, entre eles o poder público, quando assim se fizer necessário. Em sua estrutura, portanto, a Aliança conta com sua coordenação executiva, seu planejamento, o monitoramento e avaliação de seu plano de ação, além da realização do Fórum bimensal, sob coordenação de Arnaldo Marcolino – Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo, Ana Luiza da Silva – USP e Arlete Isidoro – OGBAN. Outra definição considerada central para o desenvolvimento das ações comunitárias é a descentralização do Fórum, estabelecendo coordenações regionais para atuação local, junto á realidade das pessoas na cidade tão diversa. A partir daqui, serão identificadas pessoas de referência, para articular as ações em âmbito local, a partir da atuação dos coletivos e as experiências em curso, em cada uma das macrorregiões do município, conforme a lógica que orienta a gestão das políticas públicas de saúde em São Paulo onde estão os equipamentos que compõem o Sistema Único de Saúde. Esse grau de atuação vai ao encontro da necessidade de diálogo com a gestão, a partir dos contextos em que está inserida a população negra, suas vulnerabilidades, os indicadores e as necessidades em saúde, o que envolve as interfaces e a necessidade de articulação intersetorial para resolutividade dos casos, segundo as próprias regras do sistema e os determinantes sociais.

Organização em rede para enfrentamento ao racismo e seu impacto na saúde.

Em Maio de 2019, realizado na APEOESP, o V Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, ao tratar da “Organização da Sociedade Civil em Reposta ao Racismo” discutiu sustentabilidade da resposta ao racismo, apontando para as experiências e os desafios contidos na organização comunitária diante do racismo estrutural. Naquele momento, o debate sobre a estruturação da rede contou com importante ampliação do quadro de componentes, que hoje reúne outros estudantes e pesquisadores de diferentes áreas de atuação. Ao reunir os coletivos negros, lideranças de religiões afro-brasileiras, pesquisadores, universitários, profissionais de saúde e áreas afins, o Fórum buscou articular ações entre os coletivos que compõe a Aliança, os inscritos e demais convidados.

Confira aqui a memória do V Forum Saude da Populacao Negra do Municpio de SP

Política de Saúde Mental

VI Fórum de Saúde da População Negra dedicado ao debate sobre “A Política de Saúde Mental” foi realizado na sede da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde – RENAFRO SP/Coletivo LarAyo, em 27 de julho de 2019. Nesse Fórum a pauta para discussão foi a Política de Saúde Mental. Para tanto, foram convidados a psicóloga humanista e abolicionista Juliana Paula, que tem como principal enfoque o estudo sobre redução de danos do uso de drogas, à luz das relações raciais e, Khrysanto Muniz, da Área Técnica de Saúde Mental da Secretaria do Estado de SP, para avaliarem os avanços e entraves da política e o como ela tem afetado a população negra. Constatou-se que a política de saúde mental não traz em si, a discussão sobre saúde da população negra e o Estado não vislumbra a inclusão da temática nessa área.

Comunicação & Racismo

Comunicação & Racismo foi tema do VII Fórum Municipal que ocorreu na sede do Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo, em 28 de setembro de 2019. Na ocasião, foi comemorado o aniversário de um ano de instalação do Fórum Municipal, analisando os primeiros passos dados e discutindo os desafios apontados pela experiência. Dada a importância do tema, avaliou-se a ausência da população negra e suas questões de saúde na agenda da imprensa, na produção de material e os demais meios de comunicação conduzidas pelas organizações governamentais, bem como nas demais organizações da sociedade. Confira aqui, a Memória do VII Forum de Saude da Populacao Negra

Desigualdades territoriais e raciais no contexto da COVID19

A Aliança realizou a IX edição do Fórum Municipal de Saúde da População Negra, inaugurando o seu canal no YouTube, em 13 de maio de 2020. Ana Luiza da Silva, da Coordenação Executiva abriu a atividade comemorando a criação do canal e a adesão das pessoas a mais essa iniciativa da Aliança, cujo objetivo é mobilizar as pessoas e instituições em atenção à saúde da população negra no município de São Paulo, desde sua fundação em 2018. O evento ocorreu em forma de live, em função da pandemia do COVID e a necessidade de isolamento social, o que inviabiliza a realização de eventos presenciais. O convidado ao debate, Hugo Nicolau Barbosa, geógrafo e analista de dados, discutiu o tema “Desigualdades territoriais e raciais no contexto da COVID-19” tomando como referência os dados oficiais do município de São Paulo, disponíveis na página da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Confira a Memória do  IX Forum de Saude da Populacao Negra do Municipio de Sao Paulo

Saúde, racismo e nacionalidade

Nacionalidade foi o tema discutido pelo X Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, realizado dia 27 de maio, via YouTube, pela Aliança Pró-Saúde da População Negra, mediado por Flip Couto, do Coletivo Amem e Co-Fundador da Aliança. James Berson Lalane, sanitarista haitiano formado pela Universidade Federal de Integração Latino Americana (UNILA) e atualmente, aluno da Pós-graduação do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo, está no Brasil desde 2014 e conduz na USP o estudo sobre “Migração e Saúde: haitianos no Brasil” era o convidado ao debate. Confira aqui a Memória do X Forum de Saude da Populacao Negra do Município de São Paulo.

COVID, Racismo e Educação: As múltiplas realidades de estudantes negras.

A pandemia de COVID-19 tem sido constantemente pautada pela ideia de que os jovens são mais fortes e resistentes do que os idosos. É na periferia, porém, que o novo coronavírus tem atuado de forma mais agressiva, como mostram as diferentes narrativas, em todo o país. Nesse contexto, as escolas estão funcionando via plataformas virtuais, com ensino à distância. É preciso refletir sobre o como a COVID-19 tem afetado a realidade de jovens negrxs dentro das instituições de ensino, e quais os principais desafios que os/as estudantes têm enfrentando nesse período, em meio aos cenários que envolvem entre outras, também o racismo estrutural.

Para tratar desse tema, a Aliança convidou: Isabella Araújo (graduanda de Medicina – 2° semestre, pela Faculdade Santa Marcelina; Vice-Presidente do Centro Acadêmico Adib Jatene – Faculdade Santa Marcelina; integrante da Liga de Saúde da População Negra da Faculdade Santa Marcelina; militante do movimento negro pelo Afronte Negro e Coletivo NegreX); Amanda Silva Teixeira, (graduanda no bacharelado de Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo; atua com ênfase nos temas de pesquisas relacionados a sociologia, antropologia, saúde pública, políticas públicas, gênero e questão racial. É pesquisadora voluntária do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros – NEAB da Universidade Federal de São Paulo (2016 – 2018). Sua iniciação científica é intitulada “Análise das Políticas de redução da mortalidade materna no município de São Paulo” financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP (2019) e seu trabalho de conclusão de curso, em 2019  é sobre “Saúde da População Negra no município de São Paulo”) e, Fabiana Maria (graduanda da FGV, estudante de Políticas públicas na FGV; Coordenadora de resultados no pedagógico de direito do CFGV e Criadora de conteúdo sobre políticas públicas nas redes sociais).

O diálogo foi mediado por Angelita Garcia, Socióloga da Fundação Escola de Sociologia e Política; Có-fundadora da Aliança Pró-Saúde da População Negra e graduanda em Biblioteconomia (FESPSP/2019); atua em projetos e programas voltados para a área dos direitos humanos e enfrentamento às desigualdades a partir de três focos: identidade, articulação comunitária e inclusão.

Assista aqui como foi o diálogo nessa edição Fórum https://www.youtube.com/channel/UCuKUyly0psqiFc7xmkTTDzw

Racismo e atuação comunitária na organização da sociedade: do global ao local.

Com a crescente pandemia de coronavírus e as inúmeras análises que surgiram no cenário internacional, o terreno das desigualdades e a importância da ciência ganharam lugar de destaque, ao longo dos últimos três meses. A política com base em evidência tornou-se pauta dos grandes debates que surgiram em um caminhão de lives e reuniões online em diferentes plataformas virtuais. Enquanto alguns apontam para o avanço da ciência e da tecnologia, apesar da forte ideia de que isso é só uma gripezinha, outros indicam a exposição de feridas sociais, que são acentuadas nesse momento em que a União, Estados e Municípios buscam manter o status-quo, defendendo suas ideologias, projetos e programas, sem nenhuma articulação com a realidade das periferias e os mais vulneráveis.

No momento em que as grandes discussões ganham a imprensa, o poder público esconde os dados epidemiológicos, o presidente da Fundação Palmares ataca constantemente o movimento negro brasileiro e o povo de santo, e embora desautorizada no Estados Unidos da América, a cloroquina avança entre nós, garantindo os interesses do grupo dominante. As organizações da sociedade civil vêm buscando por diversos meios apoiar as pessoas, na busca pela garantia de direitos básicos e fundamentais previstos pelas convenções e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário; um exemplo é a garantia ao direito a alimentar-se decentemente. De novo, somos “nós por nós!”

O momento reúne defesa de direitos diversos, diante da fome, das ideologias políticas, do genocídio, o feminicídio com a crescente violência contra a mulher em tempos de pandemia, o racismo estrutural, o não acesso à serviços públicos de saúde e os movimentos contínuos para desarticular os movimentos sociais. Além de todos esses aspectos, a diferença regional contida na cidade de São Paulo, tem desafiado a sociedade civil, no que tange a mobilização, envolvimento e participação do processo político ideal para a garantia da vida plena, em âmbito local, sem perder de vista, a política global que envolve não apenas a cidade enquanto direito de todos, mas também o diálogo com outros estados e países.

Para esse diálogo, que vai do global ao local, sem abandonar a importância das evidências científicas, o centro da nossa conversa é a vida como ela é nas periferias da cidade de São Paulo, segundo as pessoas de referência que nelas atuam.

Assista ao fórum em https://www.youtube.com/watch?v=fVn-vW8KLuU

Doença Falciforme e Racismo

A doença falciforme é uma das doenças que melhor retrata o racismo institucional na área da saúde, no nosso país: foi quase um século de espera para que a primeira política pública fosse criada desde os primeiros diagnósticos. Isso acontece pois era tida como uma doença específica da população negra. Qual o contexto que enfrentamos hoje? O que mudou?

A 13ª edição do Fórum convida pessoas-chave para essa discussão dentro no município de São Paulo: Sheila Ventura da APROFe (Associação Pró Falcêmicos) e Presidente do FOPPESP (Fórum de Portadores de Patologias do Estado de São Paulo); José Adão de Oliveira que foi Diretor de Políticas Públicas da APROFe (Associação Pró Falcêmicos), integra a Aliança Pró-Saúde da População Negra e representa Movimento Negro Unificado (MNU) no Fórum Municipal de Educação de São Paulo.

O debate, com participação do público via chat, foi mediado por Elizabete Santos que é psicóloga clínica, atuante no Projeto Awon Obirin e integrante da Aliança Pró-Saúde da População Negra.

Acesse o link da transmissão ao vivo: https://youtu.be/xGq91nd1eg4

As Mulheres Negras da América Latina e do Caribe: do global ao local.

No dia 25 de julho celebramos o dia da mulher negra da América Latina e do Caribe. No Brasil, em 2 de junho de 2014, foi instituído por meio da Lei nº 12.987, o dia 25 de julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, homenageando uma das principais mulheres, símbolo de resistência e importantíssima liderança na luta contra a escravização. O site da Fundação Palmares em julho de 2019 nos mostrou que “a população negra no Brasil corresponde a maioria, mais precisamente 54%, segundo o IBGE. De acordo com a Associação de Mujeres Afro, na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes. Porém, tanto no Brasil quanto fora dele, essa parcela populacional também é a que mais sofre com a pobreza: três em cada quatro são pessoas negras, ainda segundo o IBGE. Os dados sobre violência e desigualdade, de acordo com o Mapa da Violência, demonstram essa e outras realidades que atingem massivamente a população negra (com destaque no texto à condição da mulher negra). Em 1992, um grupo decidiu que era preciso se organizar de alguma forma para reverter esses dados e que uma solução só poderia surgir da própria união entre mulheres negras. As mulheres negras desempenham papéis fundamentais no processo de emancipação, libertação e da organização da população negra, nos âmbitos social, político, cultural e econômico.

O 14º Fórum celebrou a vida dessas mulheres e os papéis que cumprem em busca de uma sociedade menos desigual e mais plural. Para isso, contamos com contribuição de Geralda Marfisa (Conselheira de Saúde na Cidade Tiradentes e liderança comunitária); da Profa. Roseli de Oliveira (Mestre em Ciências Sociais pela PUC, especialista em Saúde Pública para o SUS pela USP e gestora pública), e Ekedi Lúcia Xavier (Fundadora e Coordenadora da ONG Criola, Assistente Social e ativista pelos direitos humanos). A mediadora foi Conceição dos Santos (Psicóloga, integrante da Roda Terapêutica das Pretas e da Aliança Pró-Saúde da População Negra).

Assista a XIV edição do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo em https://bit.ly/30HC5uz 

Religiões afro-brasileiras e saúde

Historicamente as religiões afro-brasileiras sempre foram vítimas de intolerância, associada ao racismo, ao preconceito e a discriminação. Trata-se de religiões consideradas de “pretos” que Pierucci chamou de tradições étnicas em sua produção científica. A saúde nesse universo é considerada uma mola propulsora da relação estabelecida entre ancestrais e descendentes. É também um termômetro da vida espiritual de lideranças dos terreiros e seus seguidores, uma vez que o “seu corpo é seu templo” como definiu José Marmo da Silva, criador da Rede Nacional das Religiões Afro-Brasileiras e Saúde. Nesse contexto, o debate deve girar entorno da integralidade em saúde associada à promoção da equidade, tal como compreende Celso Ricardo Monteiro.

Existem desafios na gestão pública em saúde, mas também no amplo conjunto das religiões afro-brasileiras. No entanto, o Brasil reúne experiências importantes nessa área envolvendo os terreiros, a gestão e a academia. Precisamos refletir sobre o que é saúde na perspectiva das religiões afro-brasileiras; qual a diferença entre a perspectiva africana e a afro-brasileira; o porquê o seu corpo é o seu templo? Como lidar com a intolerância religiosa nas unidades de saúde? Se Existe articulação entre as lideranças religiosas e a gestão pública? O que esperar do futuro? 

O convidado do XV Fórum de Saúde da População Negra, moderado por Flip Couto do Coletivo Amem, éo Babalorixá do Àse Igbin de Ouro, Professor Licenciado em Ciências Sociais e Consultor da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, o Sr. Celso Ricardo Monteiro.

Assista em: https://youtu.be/IOF5oUYQfpE

População negra e educação antirracista

A escola sempre foi considerada o espaço de transformação social. A partir dessa perspectiva, o pensamento pedagógico socialista trata da educação como bem universal que deve ser acessado pelos diferentes sujeitos. Vários especialistas tratam do direito à educação como uma questão igualitária, em que todos são considerados iguais, mas na prática são diferentes. Essas diferenças reúnem aspectos cognitivos e sócio-econômicos, mas também as questões políticas, entre elas, as relações étnico-raciais. 

Diferente intelectuais apontam a ausência do debate sobre racismo em sala de aula como um fator central da política nacional de educação, razão pela qual surgiu a Lei 10.639 que institui a obrigatoriedade do ensino de História Africana e Afro-Brasileira no currículo. Também sabemos que existem diferentes modelos de educação, instituições de ensino e educadores de diferentes matizes. 

Para dialogar sobre esse tema no XVI Fórum de Saúde da População Negra moderado pela Professora Maria José Menezes, da Coordenação das Marcha das Mulheres Negra,convidamos a Profa. Denise Ribeiro – ISC/Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e o Professor Walmir Siqueira, Diretor da APEOESP.

Assista em: https://youtu.be/O_N_-i9M26I

Desmonte da Vigilância e saúde da população negra

O XVII Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo discutiu a decisão do Prefeito Bruno Covas gerou grande movimentação por parte dos profissionais de saúde.

Você sabe para que serve a Vigilância Sanitária? A Vigilância Sanitária refere-se a um conjunto de ações que visa a prevenção e a eliminação de riscos à saúde da população. É a Vigilância Sanitária que atua no controle sanitário de produtos alimentícios, medicamentos, meio ambiente, locais de serviço de saúde, de produção e comercialização de alimentos, áreas e processos de trabalho dos trabalhadores, saúde do trabalhador e locais públicos. No Brasil, é a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a instituição responsável por regulamentar e fiscalizar todos esses setores no país.

No último dia 14, o Prefeito Bruno Covas (PSDB) assinou a Portaria Nº 319/2020, que visa transferir 257 funcionários da COVISA (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) para as Coordenadorias Regionais de Saúde. No entanto, é a COVISA uma das entidades mais fortes no que diz respeito ao controle e enfrentamento da pandemia da COVID-19 na cidade de São Paulo. Essa medida representa uma das ações de desmonte da saúde pública, em plena pandemia que contabiliza mais de 116 mil mortos no país. O presidente da SINDSEP (Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo), Sérgio Antiqueira aponta, em entrevista para o Jornal Gazeta de S. Paulo, que tais medidas visam as eleições que se aproximam: “Estamos entrando no período eleitoral, o prefeito quer se reeleger, e a Covisa fala aquilo que eles não querem que diga, porque não é uma fala política, é uma fala técnica, a partir de dados e de números. Isso aqui é um desmonte claro e evidente.”

Você pode assistir o nosso debate sobre os impactos desse desmonte na saúde da população negra em: https://youtu.be/QxL1gUhx3To

O Perfil das Trabalhadoras de Enfermagem no SUS e os Desafios frente à COVID-19

Segundo uma pesquisa realizada pela Fiocruz em 2013, 86% dos trabalhadores de enfermagem são mulheres e 53% são negras e negros. Deste número, 46,5% dos profissionais da enfermagem atuam no sistema público de saúde. Qual a qualidade das condições de trabalho para essas trabalhadoras? Quais os desafios estão colocados agora, frente à pandemia em 2020, e quais os obstáculos situados na realidade das profissionais negras na área da saúde historicamente? Por que mulheres negras estão localizadas em tantas funções onde pressupõe o cuidado com o outro?

Convidamos para dialogar sobre esse tema no XVIII Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, a Dra. Alva Helena (Especialista, Mestra e Doutora pela Universidade de São Paulo. Servidora pública municipal aposentada) e Maria do Carmo (Enfermeira especialista em Saúde Pública pela USP e integrante da Comissão de Saúde da População Negra do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo), com a mediação de Angelita Garcia (co-fundadora da Aliança Pró-Saúde da População Negra, Socióloga, Graduanda em Biblioteconomia, Membro do Grupo de Trabalho Relações Étnico-raciais e Decolonialidades da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições).

Assista em: https://youtu.be/iUoJhawmT2I