Resenha

A Aliança aproxima-se do terceiro ano de sua fundação. Esse processo reúne pessoas de diferentes matizes e com atuação hiper diversificada: estão ali alguns dos nossos mais velhos, por exemplo. Foram eles os que estiveram “no fronte” durante anos, pavimentando os caminhos pelos quais passamos hoje, para além do campo saúde da população negra, hoje estruturado no país. Soma-se a isso a política de cotas na área de educação; a defesa dos trabalhadores na relação com o Estado; o reconhecimento dos Terreiros como núcleos de promoção da saúde; o direito à moradia digna e água potável; a valorização da cultura africana/afro-brasileira e tantas outras pautas que se fizeram presentes na agenda do movimento negro brasileiro.

Os antecedentes dessa rede, são múltiplos e diversos, tal como todo o seu referencial, que para além da produção científica inclui as lições aprendidas com Edna Muniz, Maria do Carmo Sales Monteiro, Lúcia Xavier, Fernanda Lopes, Jurema Werneck, Fátima de Oliveira e um monte dessas mulheres para quem não dá para dizer “parabéns pelo dia 08 de março” porque seríamos nós os questionados, uma vez que aquela é uma data de luta e que pouco alcança, se alcança as mulheres negras brasileiras. Que bom ter boas referências!

As desigualdades são tantas, que a Aliança nasceu justamente em função delas. Era o Terreiro mobilizado quem na Câmara dos Vereadores questionava seu próprio modelo de articulação e embora excluído de diferentes momentos históricos e por vários setores dessa sociedade racista, compreendia que era fundamental que todos estivéssemos em sintonia, na mesma roda e assim o Xirê nos ensinava que antes de qualquer coisa, era preciso cuidar da nossa casa. Se para as questões de aids, as religiões afro-brasileiras já tinham alicerce estabelecido no município de São Paulo, seria preciso então, mais investimentos por parte de todos e todas nós, para que a nossa agenda política obtivesse incidência sobre a atuação dessas instituições que nos matam todo dia um pouquinho.  

Naquele momento, o monitoramento conjunto, o desenvolvimento e a promoção de ações pró-saúde da população negra eram a razão pela qual, apostávamos em um projeto comum, capaz de dialogar com a realidade encontrada no território de pessoas tão diferentes que se reúnem sobre a marca política contida no termo “população negra”, mas que são diversas e plurais.

Hoje, consolidar uma rede como a Aliança é um desafio intenso, que demanda comprometimento e envolvimento de todos os atores, razão pela qual, o fórum permanente criado em 2018 para a ampliação desse debate, soma-se aos encontros da rede e as demais estratégias de que a Aliança lançou mão ao longo de sua existência.

Diante da importância dessa data, nós, membros da Aliança Pró-Saúde da População Negra, queremos agradecer pelo apoio, dedicação e o aprendizado obtido até aqui, junto de todos os parceiros e todas as parceiras com quem trocamos pelo caminho. Mas queremos vacina, queremos um Ministério Saúde eficiente, que cumpra a lei e os acordos oriundos da reforma sanitária; um governo potente que nos beneficie ao invés de nos matar diariamente; mais que um auxílio emergencial de R$250, queremos políticas sociais que de fato alcancem as pessoas que mais precisam delas; queremos equidade nos processos e decisões relacionados ao desenvolvimento do Brasil atual; queremos respostas às necessidades básicas da população negra brasileira; a condenação as assassinos de Marielle, Anderson e todos aqueles meninos negros vítimas do genocídio impetrado historicamente pelo Estado brasileiro; queremos o sepultamento digno de nossos familiares e o direito de viver bem e com dignidade.

No terceiro ano de fundação da Aliança, comemoramos o fato de que seguimos juntos e juntas até aqui, com a benção de todos os santos e a capacidade instalada entre nós, a partir de nossos ancestrais. No entanto, queremos nesse momento manifestar o nosso repúdio aos atos crimes que marcam a atual história desse país, a começar pelo ataque constante ao SUS e a democracia. Registramos a nossa homenagem e nossos agradecimentos a cada um dos e das profissionais de saúde que estiveram na linha de frente da resposta à pandemia de covid-19 ao longo desse um ano, mas repudiamos a ausência da vacina, a ausência de política em resposta ás questões relacionadas à pandemia, a interrupção da vacinação em determinados Estados, a falta de equidade nesse processo uma vez que a população negra brasileira foi a maior vítima de óbitos e demais perdas em decorrência do coronavírus – e isso inclui o povo quilombola – e o constante uso político de nossa imagem por esse desgoverno, que só faz desmontes, mortes e perdas desde que se entende líder dessa nação chamada Brasil.

Aliança Pró-Saúde da População Negra: observatoriopopnegra@gmail.com

Parceria!

A Aliança Pró-Saúde da População Negra celebra a sua integração com o Coletivo Vidas Negras com Deficiência Importam. Em reunião formal no mês de Fevereiro, quinta-feira (25), o VNDI – Brasil selou sua inserção para somar forças e contribuir com a Aliança na troca de conteúdo, administração de formação para membros, articulações para atos e apoio mútuo para atender às necessidades daqueles que buscam acolhimento em suas demandas através destas organizações. 

Sobre o VNDI:

“Somos um movimento criado por pessoas negras, pessoas com deficiência e principalmente por pessoas negras com deficiência na busca por uma sociedade antirracista e anticapacitista. Nossa atuação ocorre por meio das redes sociais com um trabalho de conscientização, formação e apoio, e com ações coletivas por meio de atos e manifestações públicas, sempre em diálogo com os atravessamentos existentes com outros movimentos sociais. Prezamos pelo acolhimento das pessoas com deficiência, seus familiares e cuidadores, e pela promoção da dignidade da pessoa humana, a favor da neurodiversidade com qualidade de vida, entendendo a deficiência como parte da diversidade humana, assim como assegura a Convenção Internacional sobre Direitos da Pessoa com Deficiência e a Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Para saber mais, acesse o  site: https://www.vidasnegrascomdeficiencia.org/

Mobilização pró-saúde da população negra: um ato constante!

Liderada por Flip Couto, dia 25 de Fevereiro a Aliança realizou mais um encontro de sua rede, discutindo um tema importante muito caro para todos nós: a mobilização popular, articulação, monitoramento e controle social da política de saúde da população negra. Para além dos laços, vínculos e afetos, o encontro dessa rede tem se tornado um importante espaço de articulação entre os movimentos negros dedicados a questões diversas e para além da saúde pública. Esse encontro destinava-se ao debate sobre a relação com os Conselhos e conselheiros de saúde – de diferentes movimentos sociais que negam a importância do tema -, ampliando o debate entre as lideranças, que apontaram questões anteriores, como no caso da necessária participação e o envolvimento das pessoas no processo político, que determina quem tem direito de viver e usufruir de recursos, bens e serviços na sociedade racista, que cada vez mais aposta no genocídio como centro de sua atuação. Geralda Marfisa, lembrou, por exemplo, que a ida à conferência municipal de saúde, agora virtual, tem desafios importantes que são anteriores ao evento: os territórios têm gestores da política de saúde da população negra, mas as lideranças não conhecem esses interlocutores que dizem estar fazendo um bom trabalho, mas aparentemente desarticulados da sociedade civil, a maior interessada no tema.

Os desafios na condução da política de saúde da população negra incluem a forma como acontece esse diálogo que deve primar pela parceria entre as partes: gestores, profissionais de saúde e usuários do sistema, mas essa não é a realidade de toda cidade. A atuação conjunta entre as lideranças comunitárias e em plena articulação com o poder público demanda a discussão sobre a possibilidade de ações concretas e conjuntas nas diferentes regiões de saúde – escritórios do governo local – visto que tais atores possuem responsabilidades múltiplas e diversas, mas complementares.

“Eu nunca vi um agente de saúde” relatou Anderson, de Porto Alegre, diante da relação com o serviço de saúde, sempre muito complicada naquela região, o que difere de Mãe Silvia, para quem “Araraquara tem política de saúde da população negra, com o acompanhamento da sociedade civil”, o que inclui, como no caso dela, os Terreiros da cidade” A mobilização da sociedade civil em tempos de COVID priorizou a importância das redes virtuais, mas precisa ser potencializada, de forma que a informação de fato chegue até as pessoas que mais precisam dela.

É com essa perspectiva que a Aliança avança, desenhando parcerias estratégicas em atenção à saúde da população negra, o que significa em primeira instância fazer as pontes necessárias para que os movimentos sociais se fortaleçam e construa coletivamente os caminhos necessários para a implementação da política em âmbito local, conforme a necessidade das pessoas.

O Encontro da Rede Pró-Saúde da População Negra, celebrou a parceria estabelecida com o Vidas Negras com Deficiência Importam, com quem trocará conteúdos, possibilidades de formação conjunta, articulações no âmbito da atenção às necessidades das pessoas atendidas por ambas as organizações e alimentação das redes sociais dessas duas frentes que agora se somam.

O próximo encontro acontecerá dia 11 de Março, para debater as “Ferramentas e estratégias para promoção da equidade em saúde” e novamente, a sociedade civil terá nesse espaço a possibilidade da troca e do aprendizado coletivo, para o enfrentamento do racismo e seu impacto na saúde da população negra. O encontro acontece logo depois do Fórum em que a Aliança discutirá com Mônica Calazans, as questões relacionadas ao COVID-19, a vacina e como o racismo opera nesse processo em que é preciso equidade, universalidade e integralidade. E assim vamos tecendo nossa rede!

Respostas à pandemia em volta do mundo e na cidade de São Paulo

Foto por cottonbro em Pexels.com

A Secretaria Municipal de Relações Internacionais da cidade de São Paulo produz uma série de materiais com as recomendações e medidas adotadas para o enfrentamento da Covid-19 no Brasil e no mundo, com o objetivo de informar a população e contribuir com a formulação de iniciativas para a contenção da pandemia da Covid-19 nas cidades.

Com atualizações semanais, as publicações são feitas em português e inglês e a versão mais recente foi publicada nesta segunda (15 de Fevereiro). É possível consultar os materiais por meio link, que reúne todas as edições já publicadas:https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/relacoes_internacionais/noticias/index.php?p=300094

O material pode ser compartilhado em aplicativos de mensagens como o Whatsapp e o Telegram.

Equidade em saúde diante da COVID-19 será tema de debate na 20a. edição do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo.

A chegada avassaladora do novo coronavírus gerou uma movimentação mundial importante, que deixou suas marcas em diferentes instâncias da vida. Se antes, o capitalismo estava no centro do debate, a mortalidade e o racismo sistêmico levaram a comunidade negra para o centro do debate em saúde e a necessária busca por promoção da equidade. Questiona-se assim, a existência da Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra nos Estados e Municípios.

Algumas pessoas já tiveram acesso à vacina em todo o país, gerando fotos importantes do atual momento político, enquanto a vacinação já foi interrompida em determinados lugares. A população negra e particularmente os quilombolas também compõem esse cenário, em que é preciso equidade nas ações de saúde, mas que a gente não tem visto, muito embora a pandemia tenha afetado esses grupos de forma diferenciada quando comparada à população não negra.

Para dialogar sobre esse tema, Mônica Calazans, a 1ª pessoa a ser imunizada no país, o Radialista Arnaldo Marcolino, membro da Aliança e Geralda Marfisa, que compõe o Conselho Gestor da Saúde em Cidade Tiradentes, sentarão em volta do Baobá com Flip Couto na XX edição do Fórum de Saúde da População Negra, que acontecerá no próximo dia 03 de março (quarta-feira), as 11h da manhã.

O Fórum será transmitido ao vivo, via canal da Aliança no YouTube. Acesse, inscreva-se, participe e convide os demais para assistirem em: bit.ly/3kplkxB

Convite

A Aliança Pró-Saúde da População Negra realiza o 3o. encontro de sua rede, nesse 2021, visando a ampliação do debate, a mobilização popular e controle social da política de saúde da população negra.

São todes bem vindes!

Dia: 25/02/2021, 19h30 – via remota
Mais informações: observatoriopopnegra@gmail.com

Veja isso!

Foto por cottonbro em Pexels.com

Conass e Organização Pan-Americana de Saúde lançam hoje a Coleção Covid-19, uma coletânea de artigos preparados por integrantes de diversas áreas do conhecimento para discutir as lições, perspectivas e efeitos da pandemia para o SUS e para o País.

Dividida em seis volumes, a obra aborda desde as respostas à pandemia, os desacertos e as implicações jurídicas até o impacto social provocado pela doença, que enfrenta agora um recrudescimento no País. Para fazer essa ampla reflexão, foram convidados mais de 190 autores. Na lista, encontram-se ex-ministros da Saúde, parlamentares, juízes, professores, jornalistas, representantes de órgãos de controle e integrantes de instituições internacionais. Os textos produzidos pelos colaboradores da Coleção Covid-19 foram respeitados na íntegra. “As análises representam um valioso instrumento para analisar a pandemia sob seus mais variados aspectos e certamente vão auxiliar a gestão estadual do SUS na tomada de decisão”, afirmou o presidente do Conass, Carlos Lula. Confira em: http://www.conass.org.br/conass-e-opas-lancam-colecao-sobre-covid-19/#.YBVcjKT_qgQ.whatsapp

Convocação

São Paulo, 01 de fevereiro de 2021.

Ofício 004/2021

Ref.: Convocação da V Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para a IV Reunião da Diretoria Executiva desta Associação.

A atividade acontecerá no dia 18 de fevereiro de 2020, às 19h30.

A V Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 31 de janeiro de 2021.

Flip Couto – Diretor Executivo

Resenha

          Ao iniciar o ano de 2021, os membros da Aliança Pró-Saúde da População Negra saúdam com alegria a chegada de tão esperada vacina contra a COVID-19!

          Também nos alegra o muito, o fato de que ela nasceu aqui, no quintal de nossa casa, muitas vezes desprezados, sucateados e ignorados pelas instituições, que agora vão querer fazer a mais bela foto. O Brasil é o país em que apesar da pandemia de covid-19, os testes para a detecção do novo coronavírus ficam depositados no aeroporto de Congonhas em São Paulo, até que sejam invalidados e o Presidente acuse então, os estados e municípios pelo não uso do recurso, que reúne uma bagatela de milhões de reais. E São Paulo é mesmo uma caixinha de surpresa: reuni ampla diversidade política, com contribuições significativas para o avanço da ciência e a tecnologia, concentra a maior parte o orçamento do SUS no país, tal como a maior quantidade de problemas quando analisamos os dados epidemiológicos em qualquer situação, tal como os dados socioeconômicos.

           Com a chegada da vacina, temos questões importantes nos aguardando: esse é o país da cloroquina, em que a “autoridade máxima” compreende a complexidade dos fatos como apenas “uma gripezinha”. E isso inclui, claro, a ausência da população negra e quilombola nos planos de imunização recentemente apresentados pelo país, muito embora, os dados e as inúmeras narrativas tenham ao longo de todo ano de 2020, apontado essa população como a que mais tem sofrido o impacto da pandemia. Eis aí, uma brilhante mostra de como o racismo opera nas instituições brasileiras.

          Como vimos ao longo das festas de final de ano, ter vacina não significa ter seringa, tampouco um plano de fato, para fazer com que tudo aconteça da melhor forma possível. No país da imunização considerada referência no mundo, vimos também a corrida do setor privado rumo à compra do insumo que ainda não estava disponível – e continua assim – no sistema de saúde. Essa seria uma distribuição importante da vacina no país, mas claro, para quem, mais uma vez tem dinheiro e acesso a bens, recursos e serviços, tal como na boa e velha lição básica sobre racismo.

          Todo esse cenário, que inicialmente anuncia o cenário político de 2022, associa-se ao ataque recente ao Capitólio, a crescente defesa das narrativas à cerca das eleições que levaram Biden à Presidência da República americana recentemente e, o comportamento das instituições diante da resposta às questões sociais os dados de morte em decorrência da pandemia, com auxilio emergencial que não corresponde às necessidades das pessoas, respeitando as suas singularidades e a avaliação de políticas outras, que conforme os movimentos sociais vem historicamente denunciando, não alcançam a população, dada a fragilidade, inoperância e incompetência da máquina que segue enfim, comportando-se como o escritório da burguesia.

          É nesse contexto em que assistimos determinadas estratégias derrubarem conquistas nacionais importantes e jogar ao ralo determinadas políticas, diretrizes, recursos (como no caso do dinheiro dedicado à Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra) e demais aportes. O sumiço da Política Nacional de Saúde da População Negra, apesar dos dados relacionados ao novo coronavírus e o avanço das desigualdades no Brasil, alterando a posição do país no ranking da fome anos depois demonstram bem a ideia de que “O Brasil está quebrado e eu não sei o que fazer”, no entanto, desafia-nos a pensar os caminhos a serem percorridos para que, aos moldes africanos a gente possa fazer defesa do povo, ao invés dos nossos interesses próprios e individuais. É aqui que mora a soberania nacional e com certeza temos muito a aprender sobre isso com o povo haitiano.

          E além de tudo isso, temos uma Câmara dos Vereadores e uma gestão pública paulistanas nos próximos quatro anos, que com as eleições recentes – que para o povo negro representa inicialmente mais do mesmo – vai seguir com a mesma estrutura, com a mesma lógica, com o mesmo modelo, com o mesmo formato, porque em primeira instância a sociedade não conseguiu redefinir o jogo – limitando-se à eleição sem um projeto coletivo, de futuro e de tomada do poder – e na sequência, as cartas marcadas representam bem as históricas regras do jogo que “a gente achou” que estava ganho com a eleição e posse de indivíduos específicos nas Câmaras de Vereadores – porque apostamos na política de anjos e heróis ao invés de projetos estruturados, construídos a várias mãos, de baixo pra cima – tal como foi a corrida para as Assembleias Legislativas dos Estados, dois anos atrás.

          Essa avaliação inicial da cena que se apresenta nesse Janeiro de 2021 – a isso a acrescenta-se não derrubada de Bolsonaro e tropa, tal como não adiantou o Fora Temer, provoca-nos à ação imediata, com estratégias delineadas conjuntamente a partir de uma outra lógica, com um outro modelo “do fazer” que de fato seja transformador. Claro que tudo isso, é parte do Estado moderno e resultado dos anos de manutenção do status-quo. No entanto, é preciso envolvimento responsável, com trabalho de base, atuação direta junto aos outros espaços de controle social e, é exatamente isso o que a Aliança deseja para o nosso ano novo: uma militância coerente, que se estabeleça em outro patamar, sem vícios, para além do dinheiro, sem neuras e com um outro modelo, capaz de levar para “o fronte” todos os outros, ao invés de manter a lógica do mais do mesmo. Um feliz ano novo para todes nós!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

Convite do Harambee

Gostaríamos de informar que o Harambee, Grupo de Estudos Saúde da População Negra da UFRGS e o Projeto Equidade Étnico-Racial no SUS da Escola de Enfermagem da UFRGS estão ofertando os seguintes cursos:
CURSO GESTÃO PARTICIPATIVA: O CONTROLE SOCIAL DE OLHO NA EQUIDADE.O curso Gestão Participativa: o controle social de olho na equidade tem o objetivo de fortalecer a gestão participativa e o controle social na perspectiva da governança no SUS e no âmbito da implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), através da capacitação dos/as usuários/as
Público-alvo: Lideranças Comunitárias, Movimentos Sociais, Trabalhadoras/es da Área da Saúde e Usuários/as do SUS em geral
Carga horária: 16 horas.

CURSO PROMOTORAS/ES EM SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA JOVEM IO curso Curso Promotoras/es em Saúde da População Negra Jovem I tem o objetivo de promover o debate e a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), por meio de ações em torno da Saúde da população negra, com foco na juventude negra no Município de Porto Alegre – RS, mediante formação de jovens como agentes multiplicadores/as na luta por direito a saúde e contra o racismo institucional, sendo estes protagonistas na construção de cuidado em saúde da juventude negra.
Público prioritário: O curso está aberto para toda a comunidade, mas com prioridade a Juventude negra.
Carga horária: 46 horas.

CURSO PROMOTORAS/ES EM SAÚDE DA POPULAÇÃO NEGRA JOVEM IIO curso Curso Promotoras/es em Saúde da População Negra Jovem II tem o objetivo de promover o debate e a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN), por meio de ações em torno da Saúde da população negra, com foco na juventude negra no Município de Porto Alegre – RS, mediante formação de jovens como agentes multiplicadores/as na luta por direito a saúde e contra o racismo institucional, sendo estes protagonistas na construção de cuidado em saúde da juventude negra.
Público prioritário: O curso está aberto para toda a comunidade, mas com prioridade a Juventude negra.
Carga horária: 46 horas.

Os cursos são gratuitos, autogeridos por meio da Plataforma Moodle Colaborador da UFRGS, dividido em módulos com as seguintes atividades de ensino e aprendizagem: leituras individuais dirigidas, vídeos e podcasts explicativos referentes aos assuntos abordados nos módulos e exercícios avaliativos individuais.
Os cursos têm financiamento do Ministério da Saúde e contam com certificados emitidos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
As inscrições são realizadas pelo site: https://www.ufrgs.br/harambee/cursos/
Solicitamos ampla divulgação em suas redes para alcançarmos um grande número de beneficiados!

Atenciosamente,

Grupo Harambee

Resenha da Aliança

*Da Coordenação

Enfim, vai começar a corrida rumo ao segundo turno das disputadas eleições municipais em São Paulo. Esse é um momento importante pra organização da sociedade, que demanda pela participação de cada munícipe, mas, mais que isso, implica na mobilização de todos e todas nós, diante da necessidade de políticas públicas capazes de nos alcançar, sobretudo no que se refere às vulnerabilidades das pessoas e instituições.

No contexto em que estamos, este momento requer ainda mais atenção por parte de cada um de nós que tem no bolsonarismo o seu desafio concreto, representado por ausência e negação de direitos sociais importantes, conquistados a duras penas ao longo dos anos. Nesse estado de negação do direito, vemos uma perfeita soma entre o avanço da extrema direita, a transformação da esquerda em outra coisa – que ninguém sabe ao certo o que é – e a leitura de um mundo cada vez mais plástico, mais “líquido”. Aqui mora o enfraquecimento de nossas forças, sobretudo políticas, mas também o conjunto das possibilidades de renascer, recomeçar, refazer o caminho, tal como aprendemos com as tradições de matriz africanas.

Se entre os vereadores e vereadoras pudemos disfrutar da possibilidade de escolher o melhor nome, o mesmo não ocorreu com a oferta de candidaturas negras para o cargo máximo do executivo municipal, e isso requer de nós, não apenas uma ampla reflexão, mas também a total atenção ao conjunto de políticas que serão implantadas nessa megalópole, que dita tendências, nos próximos quatro anos. O enfrentamento do racismo não aprece na agenda de um dos candidatos que vão ao segundo turno, porque ali, naquele universo a pobreza deve ser enfrentada como eixo central da vulnerabilidade social, como há anos “o grupo” a que ele pertence vem indicando. Não bastasse fechar as portas da Secretaria de Políticas para Igualdade Racial e enfiar goela abaixo de todos nós, um plano, que se quer resolutivo para enfrentar o racismo sem dinheiro e sem alteração da estrutura, o nobre candidato aponta para uma São Paulo “para todos” sem indicar uma única política marcada pela desigualdade racial, apesar do amplo discurso da atual Secretaria de Direitos Humanos, responsável hoje pela equipe que tem como função a implantação de políticas para população negra, sem nenhuma articulação com o povo do morro, sem visitar ou frequentar as rodas em que se dão as discussões lideradas pelos movimentos sociais em toda cidade.

No caso do segundo candidato, ao considerar a necessidade de políticas para a diversidade – população negra é mais que isso e restaurar uma Secretaria de Governo sem dinheiro e sem poder não basta – vale dizer, a necessidade de transversalidade da agenda em toda máquina, é mais que um simples desejo, também ausente em seu plano de governo. Não se trata de COVID apenas, mas no caso da saúde da população negra ausente em todos os contextos, a eleição de 2020 tende a ser um fracasso, novamente por conta da ideia de um SUS para todos, “desde que você se adeque”.

Lamentavelmente a eleição, seja lá qual for o resultado que tiver, vai demandar de nós, uma ampla atuação, novamente, para a mobilização da sociedade civil e amplo o controle social das políticas públicas, de uma forma geral, porque a reinvenção do Telecentro não dá conta de nossas necessidades. Lutemos!

*Contatos: observatoriopopnegra@gmail.com

As sementes de Carolina Maria: a potência negra que emerge na Faculdade de Saúde Pública da USP.

*Caio Pereira dos Santos

*Amanda Aparecida Silva

*Tânia Aparecida de Araújo

Recentemente, o periódico “The Lancet” publicou um texto no formato de correspondência no qual WANDSCHNEIDER et al. (2020) questionam o papel das faculdades de Saúde Pública como denunciadoras do racismo estrutural e ativistas no combate às desigualdades em saúde, que ao mesmo tempo não reconhecem e analisam sua própria estrutura, revertendo-se em ações e políticas internas racistas. As autoras lembram que essas escolas são compostas predominantemente de pessoas brancas e de classe média que reforçam sistemas de hierarquia e privilégios, considerando-os resistentes às mudanças e por essas razões, condizentes à microagressões e marginalização de negres da comunidade acadêmica. Esse é um quadro reconhecido pelo Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus, localizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo, que nasceu em um espaço que no decorrer de 100 anos nunca havia questionado sua estrutura historicamente racista, de reprodução de privilégios e isento de discussão ampla sobre as desigualdades em saúde decorrentes da raça, como tem ocorrido paulatinamente desde então.

O coletivo nasce em 27 de outubro de 2017 nessa faculdade, em meio a uma atividade com estudantes negres de graduação e pós-graduação sobre suas vivências na FSP que culminou em um sarau que homenageava Carolina Maria de Jesus durante as comemorações ao Dia Mundial da Alimentação. O contexto disparador dessa manifestação, que se caracterizou como comemorativa, mas também de debate, foi a aprovação tardia das cotas raciais na USP.

Desde então, temos proposto atividades para que a presença negra seja sentida de diversas maneiras em meio ao espaço branco e, em parceria com a Prof. Dra. Érica Peçanha, criamos o Outubro Negro no ano de 2018. Neste texto celebramos esse ciclo de eventos que se integrou ao calendário anual da instituição.  O Outubro Negro tem o objetivo de discutir as condições de vida e saúde da população negra, bem como os efeitos do racismo e a luta antirracista no Brasil. Sendo protagonizado por docentes, pesquisadores, artistas e ativistas negres, o evento constitui-se por uma série de oficinas e mesas redondas que visam atender a demanda da comunidade da FSP, especialmente estudantes, por um maior contato com a produção intelectual negra e suas contribuições para o campo científico, político e cultural. 

Em nossa primeira edição (2018) homenageamos Carolina Maria de Jesus (1), escritora que dá vida e nome ao nosso coletivo, em um intenso mês de atividades no qual discutimos desde a atuação de pesquisadores da área da saúde que se debruçam sobre a temática racial, à discussão de ciência e inovação tecnológica afrodiaspóricas. Da discussão sobre a relação entre o ativismo e a militância negra em relação ao racismo estrutural e institucional, estendendo-se até mesmo às discussões sobre os efeitos psicossociais do racismo e às tradições alimentares afro-brasileiras.

Em nossa segunda edição (2019) homenageamos Virgínia Bicudo (2), importante psicanalista brasileira e visitadora sanitária formada pela FSP nos anos 1920. Ela foi a primeira mulher negra a assumir uma cadeira como docente na instituição, mas também vítima do embranquecimento racial. Com maior apoio em sua realização, nossa segunda edição promoveu discussões mais diversas, que se estendiam desde a relação entre a violência do Estado, a militarização da polícia e o genocídio da população negra, à saúde mental e sua relação com o racismo, até à promoção de oficinas de poesias e a homenagem à Profa. Dra. Maria Inês da Silva Barbosa, pesquisadora pioneira nos estudos sobre a saúde da população negra na FSP nos anos 1990.

Nosso coletivo nasceu para que coletivamente pudéssemos questionar práticas, acolher estudantes, compartilhar conhecimentos produzidos por nós e para nós, mas também dialogar com outros e outras… ou como costumamos falar: OCUPAR e AQUILOMBAR! Logo, neste ano de 2020, com um contexto tão complexo e difícil, refletimos sobre formas de ocupar lacunas em um ano saturado de lives e transmissões online, em que a temática racial ocupa lugar de protagonismo e repercute mundialmente devido aos episódios de violência policial nos Estados Unidos, às consequentes respostas do movimento Black Lives Matter ao redor do mundo e aos episódios negligenciados de violência policial com pessoas negras em nosso país.

Neste sentido, pensamos nossa posição como pessoas negras, brasileiras, e com o constante enfoque das discussões em nossas dores, a fetichização midiática que acontece com o sofrimento de corpos negros em nosso país, e a ausência da discussão de aspectos positivos, ou seja, das potencialidades e da abundância de conquistas que também permeiam nossas vivências enquanto pessoas negras. E, considerando que esse evento é feito para todos nós, negros e negras, gostaríamos que esse nosso encontro proporcionasse, para além do momento de  partilha, um espaço de fortalecimento e celebração de nossas potências.

Desta forma, inspirades pelo conceito de AMEFRICANIDADE, cunhado pela intelectual brasileira Lélia Gonzaléz, resolvemos direcionar a edição de 2020 do Outubro Negro em nossa vitalidade, em nossa arte, em nossas contribuições para o campo sociopolítico e para a intelectualidade brasileira, enfim a nossa potência! Ora, amefricanidade diz respeito à formação histórico-cultural das Américas e as contribuições africanas e indígenas que são sistematicamente apagadas pelo colonialismo e pelo imperialismo (GONZÁLEZ, 1988).

A temática homenageou Lélia González (3), uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), intelectual orgânica brasileira, pensadora essencial para a construção de um Feminismo Negro e primorosa interprete do Brasil e do caráter amefricano de nossa identidade. Composto por apresentações artísticas ao início e ao final do mês, mesas de debate e entrevistas, que chamamos de ‘Rodas Pretas’, privilegiamos a participação de mulheres ligadas a diferentes áreas de saber e atuação que dialogam com o pensamento e o legado de Lélia Gonzalez, abordando desde discussões sobre a produção e circulação das ideias, conhecimentos e literaturas negras, até a conversa sobre bem-viver, autocuidado e nossas potências enquanto povo negro. Também celebramos trajetórias inspiradoras no Brasil e, claro, a importância e centralidade de Lélia Gonzaléz para nós todes.

Três anos de Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus, três anos de se fazer ponte e também casa, de luta e resistência, de aprendizados, mas acima de tudo, três anos de muita POTÊNCIA!

Notas de Fim

1 – Tendo como sua primeira e principal obra “Quarto de despejo: diário de uma favelada” (1960), mas tendo publicado diversas outras obras ainda em vida, como “Casa de alvenaria: diário de uma ex-favelada” (1961), “Pedaços da fome” (1963) e “Provérbios” (1965), além de outras obras póstumas.

2 – Sua dissertação de mestrado “Estudos sobre atitudes raciais de pretos e mulatos em São Paulo” (1945)foi pioneira ao debater a existência do racismo mesmo com a diminuição de diferenças sociais. Sua dissertação foi publicada em livro (2010) pela editora Sociologia e Política.

3 – Lélia foi autora dos livros “Lugar de Negro” (1982) e “Festas populares no Brasil” (1987) ainda em vida. Seu livro póstumo “Primavera para as Rosas negras” (2018), organizado pela União dos Coletivos Pan-Africanistas de São Paulo, trata-se de uma compilação de artigos, textos e depoimentos de González.

Referência Bibliográfica

GONZALEZ, L. A categoria político-cultural de amefricanidade. Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92, n. 93, p. 69-82, 1988.

WANDSCHNEIDER, L. et al. Fighting racism in schools of public health. The Lancet [online], v. 396, n. 10260, 2020. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s0140-6736(20)32157-7.

*Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus.

A pandemia de coronavírus ainda não acabou!

AVALIAÇÃO DAS RESPOSTAS DOS MUNICÍPIOS MAIS AFETADOS PELA COVID-19 A POLÍTICAS PÚBLICAS: SAÚDE, SEGURANÇA ALIMENTAR E VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

Leia o texto na íntegra: https://bit.ly/3f9jeQ9

Convocação

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Ofício 002/2020

Ref.: Convocação da II Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para a II Reunião da Diretoria Executiva desta Associação.

A atividade acontecerá no dia 26 de novembro de 2020, às 19h30.

São pautas da reunião:

  1. Leitura e Aprovação da Ata da II Reunião Ordinária da Diretoria Executiva
  2. Devolutivas
  3. Avaliação do Encontro da Rede – leitura coletiva do Texto Norteador; Próximos Encontros da Rede.
  4. Live dia 10 de dezembro – Dia Dos Direitos Humanos: “A perspectiva da Aliança para 2021”.
  5. Indicação dos nomes para composição do Conselho Político.
  6. Indicação de Associados beneméritos e honorários.
  7. Definição de Prioridades do Planejamento Estratégico 2020/2023.
  8. Elaboração dos documentos a serem apresentados à Assembleia Geral Extraordinária.
  9. Definição de dinâmica do Departamento Financeiro e Conselho Fiscal.

A III Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 12 de novembro de 2020.

Filipe Couto

Diretor Executivo

Novembro: resenha da Aliança.

Nesse final de outubro Flip Couto, Ana Luísa e Geralda Marfisa foram “entronados” para as funções da Diretoria Executiva da Aliança, com a benção de Oxum, tal como os membros do Conselho Fiscal. Para cumprirem com a missão dada por esse coletivo, a Diretoria Executiva definiu uma agenda de trabalho para o bimestre novembro – dezembro, como parte do seu planejamento para 2020/2023.

Para chegar a essa fase das articulações, a Aliança conduziu o Ciclo de Oficinas Temáticas Pré-planejamento ao longo do segundo semestre, discutindo as necessidades de nosso povo e a nossa capacidade de mobilização e atuação política. Ao longo desse período, a Aliança se estruturou, agora olhando para objetivos macros e atuação micro territorial, para identificar, articular e potencializar as boas iniciativas que existem na resposta ao racismo e seu impacto na saúde. entendemos que só um jeito de fazer isso: com os pés no chão de terra, amassando barro, tal como proposto pela filosofia dos Terreiros.

Esse é o momento de definição de prioridades, mas temos a clareza de que uma das estratégias fundamentais a serem mantidas em nossa atuação é o fortalecimento e ampliação dessa rede, que se constituiu desde 2018, a partir do Projeto Xirê, direcionado ao povo de santo e suas tecnologias para prevenção às IST/AIDS. Queremos cada vez mais dialogar com a base, constantemente, com ações concretas, para além do discurso. Parte do nosso esforço será então, para trazer as pessoas para o centro do debate, com um calendário que deve primar pela condução de uma agenda de trabalho contra o racismo e em defesa do SUS. Além do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, hoje realizado por via remota, por meio do canal que criamos no YouTube, entre os meses de novembro e dezembro, iremos conversar bastante, quinzenalmente, na reunião da rede, para entre outras coisas fortalecer os laços e os vínculos estabelecidos entre nós e assim, são todes super bem vindes a mais essa etapa da vida!

Queremos contar com a contribuição de todes vocês, sem exceção. Venha tecer essa rede conosco e compor essa mobilização diária em atenção à saúde da população negra.

O que nós cidadãos paulistanos podemos dizer sobre a atual gestão da Prefeitura do Município de São Paulo?

Alva Helena de Almeida*

Consta na sua biografia que o Gestor conduziu a Cidade em meio à pandemia, “com firmeza, serenidade, e confiança, imprimindo a marca da humildade”. A atenção às áreas sociais está no centro do seu trabalho (saúde, educação e habitação). Aprendeu a amar a democracia, colocando em primeiro lugar “os que mais necessitam da proteção do poder público”, com vocação para cuidar das pessoas e melhorar as condições de vida de milhões de cidadãos. 

Eu confesso que fico muito surpresa com essas declarações, que no meu ponto de vista são totalmente às avessas às suas atitudes e decisões como gestor municipal. Podemos começar pela Pandemia: avalio que a sua condução foi ridícula, totalmente ofuscada pela autoridade do Governador, permanecia calado, assim como os seus Secretários.

Demoraram bastante para tomar algumas decisões com relação ao isolamento social e o fizeram lentamente, aumentando o risco de contaminação das pessoas que tinham que se deslocar pela Cidade. Vale lembrar também que não foram poucos os confrontos entre a decisão da gestão de reduzir e manter reduzida a frota de ônibus, enquanto os usuários diziam que os coletivos estavam lotados, inviabilizando as medidas de proteção frente à Pandemia.

Não ouviram o clamor dos movimentos e das periferias, pedindo pela instalação de um hospital de campanha em Itaquera/Guaianazes e na recuperação do Hospital Sorocabano. As iniciativas da sociedade civil de Paraisópolis e Heliópolis comprovam o quanto a gestão foi morosa nas decisões onde “as pessoas mais necessitam do poder público”. Em nenhum momento ouvimos falar sobre a utilização de leitos privados, pelo SUS. A testagem da população e as medidas de vigilância dos contaminantes foram irrelevantes. Esse contexto impacta diretamente na vida da população negra que é a maioria nos bairros periféricos, nas ocupações, nos territórios com pouca ou nenhuma infraestrutura urbana, onde a maioria não pode permanecer em isolamento, nem “trabalhando de casa”, e nem todos foram beneficiados pelo auxílio emergencial. Esses territórios “negros” são os mesmos que foram os mais atingidos pela pandemia e onde ocorreram o maior número de óbitos. As decisões com relação aos moradores de ruas, praticamente inexistiram, soubemos pela mídia sobre a disponibilização de 100 (cem) leitos para idosos em situação de rua, em hotéis paulistanos!!!

A questão da oferta de água para esses grupos e para os moradores da periferia, que sofrem com a indisponibilidade de água também foi irrelevante. Agora diante da possibilidade de retorno às aulas, percebemos uma movimentação da gestão para a testagem dos alunos e professores, apesar que as condições precaríssimas de infraestrutura e manutenção das Escolas, permanecem inalteradas. Sabemos que as professoras, as agentes da educação nas salas de aula NUNCA foram solicitadas a opinar sobre NADA nessas decisões. Pouco soubemos sobre a ajuda que o Município tenha feito para socorrer comerciantes, micro empresários, isenção de impostos etc. Ao mesmo tempo, a Guarda Civil Metropolitana, investida de polícia, permanece humilhando a população sem teto e os ambulantes.

Essa gestão tomou atitudes bastante autoritárias com relação aos profissionais da Vigilância Sanitária, remanejando-os sem nenhum diálogo, em meio à pandemia. Também podemos relembrar as atitudes desrespeitosas com os profissionais e servidores do Hospital do Campo Limpo, sob gestão da Organização Social Albert Einstein, que de um dia para o outro foram surpreendidos pela retirada de materiais e equipamentos em meio aos atendimentos à população. Devemos relembrar toda a mobilização e repressão aos servidores públicos municipais contra a privatização do Instituto de Previdência do município e das lutas travadas contra as mudanças ocorridas na previdência municipal. Podemos lembrar sobre as decisões de privatizar os parques municipais, o Anhembi, o Pacaembu, os CEUS, a Ceagesp, sem discussão com os interessados. Ele diz que ainda que viabilizou o maior número de moradias populares do que todas as outras gestões, SERÁ?

O número de pessoas, inclusive famílias com crianças ocupando espaços públicos, praças, viadutos, marquises, nunca foi tão grande!! Por fim, podemos falar sobre as ações de zeladoria da Cidade, outro aspecto também muito desfavorável para o Gestor de plantão: é surpreendente o mal trato da cidade, das praças, dos monumentos. Por tudo isso acima exposto, tenho absoluta certeza de que esse gestor não serve para o mandato tampão que assumiu e muuuito menos para continuar por mais quatros anos. São Paulo merece alguém que de fato “cuide das pessoas” e das políticas que precisam ser implementadas para melhorar as condições de vida e trabalho da população paulistana em geral e da população negra em particular. Ele definitivamente não serve para esse lugar, não tem perfil para quem diz que ama a democracia, muito menos compromisso com os que mais “precisam dos serviços públicos” e da efetiva força do Estado.

*Enfermeira aposentada, cidadã paulistana.

Anemia Falciforme é tema de debate na mobilização em atenção à saúde da população negra

Sheila Ventura da APROFE participou de debate sobre saúde da população negra durante as atividades da Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra nesse mês de outubro. O evento foi pensado com o objetivo de trazer maior visibilidade ao acometimento da doença Anemia Falciforme através do papel do profissional bibliotecário no apoio a pesquisa junto a profissionais, pesquisadores e estudantes da área da saúde, e a difusão da informação em saúde à toda sociedade, bem como evidenciar o papel da APROFE para as pessoas com anemia falciforme.

Assista em

A Saúde e a Cultura na Cidade Tiradentes: a Aliança convida ao XIX Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo.

A Cidade Tiradentes é um distrito do município de São Paulo, localizado na região leste da cidade, com uma população de mais de 210 mil habitantes. É um dos distritos que apresenta 56% de sua população negra – pretos e pardos.

Quais são os sujeitos que promovem as mudanças estruturais para a população negra neste distrito? Você conhece os aparelhos de saúde seus profissionais, os trabalhadores da cultura da Cidade Tiradentes e Zona Leste? Que histórias trazem a população negra desse distrito?

Para esse diálogo, convidamos Catarina Jesus (Agente Comunitária e Conselheira Gestora de Saúde), Edenilza Martins (Conselheira e Profissional da Saúde) e Anderson Balbino (Diretor da Escola de Samba Estrela Cadente) para nos contarem suas trajetórias e as vitórias e principais desafios que veem em seu território. Para assistir ao Fórum, que será transmitido online.

Inscreva-se no canal da Aliança no Youtube e ative o sininho para acompanhar as nossas atividades.

Prêmio e honra!

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) outorgou à discente egressa da Fiocruz Bahia, Jaqueline Goes, o Prêmio CAPES de Tese 2020, da área de MEDICINA II, pelo Programa de Pós-Graduação em Patologia (PGPAT), curso da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Ampla Associação com Fiocruz Bahia.

Jaqueline Goes tem graduação em Biomedicina, pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, e obteve o mestrado em Biotecnologia em Saúde e Medicina Investigativa (PgBSMI), pela Fiocruz Bahia.

A tese intitulada “Vigilância genômica em tempo real de arbovírus emergentes e re-emergentes” foi defendida em 2019, sob orientação do pesquisador da Fiocruz, Luiz Alcântara Jr..  O trabalho é resultado da participação de Jaqueline no projeto Zika in Brazil Real Time Analysis (Zibra).

Os resultados obtidos no estudo foram divulgados em cinco publicações relevantes, sendo duas destas na Nature e Science. A tese de Jaqueline já havia sido agraciada, em 2019, com o Prêmio Gonçalo Moniz de Pós-Graduação, na categoria Egresso – Doutorado (1º lugar), e no XIII Encontro de Pós-Graduação das Áreas de Medicina I, II e III da CAPES, com o Prêmio de Melhor Trabalho de Tese.

Parabéns, Dra Jaqueline!!

Saiba mais https://bit.ly/3jqS0FQ

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