Em rede!

A Aliança Pró-Saúde da População Negra iniciou o ano de 2021 realizando nesse 28 de janeiro, o I Encontro de sua Rede. Uma rede pró-saúde da população negra em resposta ao impacto do racismo na saúde de nosso povo. A atividade coordenada por Flip Couto reuniu as principais lideranças dessa rede, por meio de reunião remota, diante da necessidade de isolamento social e as medidas de contenção da COVID-19, ainda presente entre nós.  

O encontro foi iniciado com o depoimento da Sra. Geralda Marfisa, Diretora Financeira da Aliança, falando sobre a luta por direitos das pessoas idosas pelo direito ao transporte na cidade de São Paulo, o que inclui o ato realizado recentemente em frente à Prefeitura de São Paulo pela manutenção do direito à gratuidade no transporte público.

Lucas Eduardo, do Coletivo Megê, contribuiu com a discussão demonstrando o interesse de mobilizar jovens para fortalecer o movimento. Angelita Garcia contribuiu propondo para que jovens apoiem na divulgação com imagens e textos elucidativos para ampliar a circulação de materiais legítimos em especial aos idosos da família, nas redes, no whats App.

Um outro ponto importante, foi apresentado por Flip Couto, Diretor Executivo da Aliança, que convidou aos presentes a falarem sobre o plano de imunização contra a Covid-19. Segundo Iyá Cristina, da RENAFRO, o que mais está prendendo a atenção das pessoas é a ida das mulheres na fila da vacina e a necessidade de combater a resistência da vacinação, sobretudo na juventude.

Os profissionais de saúde, compreende a campanha da vacinação como lenta e que nem todos os profissionais conseguiram a vacina. A população tem um receio que foi “politicamente implantado” (sic) e o governo federal defende um posicionamento negacionista pelo fato de ter tido gastos com produção de cloroquina. É preciso que todes os trabalhadores da rede hospitalar sejam vacinados, e o fato de pessoas pretas estarem mais expostas, como por exemplo no trabalho de limpeza.  É importante refletir sobre a questão da classe média que coloca tudo que é vacina como algo ruim, fortalecendo o movimento negacionista e o fato de que é importante usar o termo “trabalhadores da saúde” para incluir todes que atuam nas instituições de saúde, não apenas médicos e enfermeiros. Ester Horta, membro do Conselho Fiscal da Aliança, trouxe uma pesquisa recentemente divulgada, Faculdade de Saúde Pública da USP e a Conectas Direitos Humanos que revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República”. Ester acrescentou ainda que tais ações foram e são apoiadas pelo mercado, pelo sistema capitalista.

Dona Arlete Isidoro, da OGBAN, compartilhou sobre a experiência do grupo que ela está participando de um curso de conselheiros de saúde, no qual propôs uma discussão sobre o impacto do racismo na saúde e solicitou apoio da Aliança na construção do texto.

O advogado Renato Azevedo, de Santos, informou que o movimento da baixada está levantando uma discussão sobre a saúde integral da população negra e o enfrentamento do racismo no atendimento nos serviços públicos. Relata, como esse processo foi judicializado em Santos e propôs compartilhar esse processo que faz uma linha histórica de atendimento à saúde da população negra.

Para os membros da Aliança é preciso transformar as demandas trazidas a essa rede em um posicionamento político concreto como a execução pontual, que seja estratégica, com notas de repúdio, por exemplo.

A rede também propôs uma reflexão sobre o dia da Visibilidade Trans, que é celebrado no dia 29 de janeiro, pontuando que, não apenas nesta data, mas durante todo o ano, é preciso que também a Aliança seja um espaço de acolhimento dessas experiências. Neste sentido Ester Horta convidou a todas as pessoas cisgêneras a se incomodar com as violências que pessoas trans sofrem diariamente e também convidou a todes a acompanhar o dossiê da ANTRA (Associação Nacional de Pessoas Trans e Transexuais) que será lançado no dia 29/01, além da programação da FONATRANS – Fórum Nacional das Travestis e Transexuais Negras e Negros como o III Festival Traviarcado, cuja abertura ocorreu inclusive na noite de 28 de Janeiro.

O próximo encontro da rede será realizado dia 11 de fevereiro. Venha participar você também!

Convocação

São Paulo, 01 de fevereiro de 2021.

Ofício 004/2021

Ref.: Convocação da V Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para a IV Reunião da Diretoria Executiva desta Associação.

A atividade acontecerá no dia 18 de fevereiro de 2020, às 19h30.

A V Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 31 de janeiro de 2021.

Flip Couto – Diretor Executivo

Conheça a FONATRANS

Neste 29 de Janeiro, Dia da Visibilidade Trans e Travesti, data que marca a ida de mulheres travestis e pessoas trans no Congresso Nacional em 2004, a fim de reivindicar direitos, marca-se a importância de conhecermos a trajetória contada pelas pessoas que construíram e constroem essa luta, composta em sua maioria por travestis e pessoas trans negras. Neste sentido perguntamos: Você conhece o FONATRANS?

O Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros – FONATRANS, segundo informações de seu portal, constitui-se num espaço nacional de inclusão e aglutinação à militância destes dois segmentos. O FONATRANS tem por finalidade básica desenvolver e apoiar projetos que visem:

Promover e Cobrar do Estado Brasileiro solução dos problemas fundamentais e lutar por conquistas para o bem comum de pessoas travestis e transexuais negras e negros, bem como atuar de forma veemente no enfrentamento ao racismo, transfobia e a intolerância religiosa e promover os direitos humanos bem como respeito a todas as diferenças, partindo do princípio que todos os direitos são direitos humanos.

A presidenta da FONATRANS é a Jovanna Cardoso (Jovanna Baby) mulher negra e travesti que liderou os primeiros movimentos transexuais no Brasil, fundadora da primeira entidade trans brasileira e latino-americana, a ASTRA. Hoje, além de representar o FONATRANS, Jovanna é Coordenadora Municipal de Direitos Humanos em Picos, no Piauí, e reconhecida pela criação do movimento de transexuais no Brasil. e representa o Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros.

Em entrevista à Ponte Jornalismo Jovanna afirma que:

“O Fonatrans nasce da necessidade de ter uma discussão específica sobre negritude e transexualidade. Nós, travestis dos anos 90, e ainda hoje, sofremos muito mais por ser travesti e preta do que qualquer outra coisa”. Ela aponta na entrevista que  apesar de corpos trans negros serem os mais violentados e assassinados, são esses mesmos corpos que ajudaram a fundar o movimento trans e que compõem suas fileiras institucionais e políticas, visto o número de parlamentares trans negras eleitas para as câmaras municipais do Brasil.

“Não temos mais como desassociar(…) A maioria eram homens e mulheres pretas, isso [aconteceu] muito antes de existirem paradas LGBT Brasil afora” se referindo a primeira caminhada do grupo trans no Rio de Janeiro nos anos 90. Na chamada do 2° Festival Traviarcado, de 2020 “O Fonatrans acredita que não existe revolução LGBTI sem que travestis e transexuais negras e negros ocupem espaços como protagonistas e tenham suas pautas políticas respeitadas dentro dos movimentos sociais”. Festival aliás que se encontra na 3ª edição e teve sua abertura em evento online no último dia 28.

Para saber mais acesse o no portal da Como Nasceu o Movimento de Travestis no Brasil

http://www.fonatrans.com/p/historico-do-movimento-de-travestis-no.html

Acompanhe as Redes da FONATRANS

 Que possamos trazer essas reflexões em todos os temas que atravessarão este ano, em todas as pautas, em especial às pautas da saúde da população negra. Que quebremos as barreiras que este CIStema e que o “Vidas Negras Importam”, de fato abarque todas as vidas negras, que abarque as vidas trans negras.

Fontes: