Onisegun

Onísègùn é uma iniciativa das religiões afro-brasileiras em resposta às denúncias relacionadas ao não uso de medicamento nos Terreiros, diante de determinadas paotologias, como a diabetes, para a qual é o fundamental o uso de insulina. Isso porque “O Terreiro diz sim para Medicação”.

Foto: Roger Cipó – Egbe Ire O.

Religiões Afro-Brasileiras e Saúde da População Negra: Subsídios para o processo de educação permanente em saúde no âmbito da humanização.

Em 2017, nos dizia o Babalorixá Celso R. Monteiro de Oxaguian que:

“Trabalhar com a perspectiva de que meu corpo é meu templo, possibilita que a discussão sobre saúde sexual e reprodutiva seja vista a partir do direito à saúde plena e conseqüentemente, poder decidir de forma autônoma e tranqüila se quero ter filho(s), como, com quem e em qual momento isso será possível. É ainda neste terreno fértil que possivelmente se dará o diálogo, sobre o que é meu objeto de desejo frente o desejo do outro. Sem desconsiderar que o imaginário popular traz uma idéia padrão de corpo de negros e corpo de brancos, que nos convida a refletir sobre a posição social destes corpos que foi determinada a partir de valores que nem sempre são os nossos, no que inclui-se a ideologia racista e o pré-conceito racial. Afinal, a mulher negra, tida como alta reprodutora era antes de qualquer coisa, aquela que haveria de satisfazer o outro, independente do como estas relações humanas e sociais estavam colocadas entre ela e o senhor, que por sua vez era quem detinha ou quem detém o poder. Ao homem negro, o poder e o dever de proliferar, pois “quanto mais pretinhos, mais objetos de comércio e poder”.

Leia aqui o texto completo publicado pela Revista Digital “Tempo e Presença” organizada por KOINONIA, em Junho de 2017.

Onìsègùn – O Terreiro diz sim para a medicação!

“As questões colocadas a partir da doença, por inúmeras vezes relacionam-se ao contexto a que a pessoa pertence ou transita, razão pela qual a territorialidade dos afroreligiosos é observada como pressuposto do diálogo entre saúde, doença, vida e morte. O processo saúde-doença conceitualmente discutido pelo sistema de saúde envolve práticas, comportamentos e vulnerabilidades que devem ser consideradas nas análises relacionadas ao adoecimento, tratamento e cura do indivíduo, que segundo o Terreiro deve estar “em dia” com suas obrigações ritualísticas, sendo elas, a marca mais importante do desenvolvimento individual e coletivo. Na gestão do Terreiro há cerimônias e oferendas para os diferentes momentos da vida, com diferentes ritualísticas que variam de tradição para tradição, de família a família, no que se destaca o conjunto de ritos de passagem – leia-se diferentes fases da vida – sempre alimentadas pelas especificidades de cada indivíduo, mas que demanda espírito coletivo e o ambiente saudável”.

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