Resenha da Aliança

Outubro de 2021.

Nesse mês Outubro nos dedicamos mais uma vez às ações alusivas ao Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Isso porque, o impacto do racismo na saúde gerou estudos, pesquisas, dados, análises diversas e outros investimentos importantes nos últimos anos, mas persiste em nossas realidades.

A Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra implantada pelo Ministério da Saúde (estabelecida pela portaria do Ministério da Saúde n.º 992/2009 e o Estatuto da Igualdade Racial em seus artigos 7.º e 8.º da Lei 12288/2010), requer a atuação conjunta entre sociedade civil, gestores e profissionais de saúde, no cenário em que estamos.

É importante considerar que o racismo persiste e é um importante determinante social, que permeia as relações interpessoais, os processos, decisões e investimentos em saúde, capaz de interromper as possibilidades de avanço na produção e promoção de saúde, além da prevenção de agravos.

Na atual cena política, é fundamental que os diferentes atores possam mergulhar na conjuntura e ao analisá-la, refletir sobre os passos a serem dados na relação com o Estado genocida e suas políticas que beneficiam uns em detrimento de outros.

Nesse contexto, é importante mergulhar na conjuntura, refletindo sobre a atuação dos movimentos sociais no futuro que se aproxima e os desafios que estão postos para o ano que se anuncia fervoroso diante das eleições. É importante lembrar que a discussão sobre racismo e sua relação com a saúde da população negra, demandam tomada de decisão em primeira instância, para além da pandemia de COVID-19.

A experiência nos diz que a interface entre saúde e educação é sempre muito produtiva, o que nos remete à formação de cidadãos, produção do conhecimento, formulação e implementação de políticas públicas, subsidiadas pelo conjunto de ações afirmativas, que vão para além do ingresso de estudantes negros às universidades, o que a gente tem visto como um resultado importante da intensa luta contra o racismo.

Compreendemos que o processo transformador, capaz de alterar a realidade das pessoas acontece aqui, no território vivo do qual somos partes e isso inclui a nossa relação com a Escola, que para muitos de nós é “a nossa segunda casa”.

A política normatiza a utilização do quesito raça/cor na coleta e produção de informações epidemiológicas para a definição de prioridades e tomada de decisão, em consonância com a aplicação da Portaria 344 de 2017 do Ministério da Saúde que dispõe sobre a obrigatoriedade do preenchimento do quesito raça/cor nos formulários dos sistemas de saúde; além da ampliação e fortalecimento do controle social em resposta ao racismo, e o desenvolvimento de ações e formas de identificação, abordagem, combate e prevenção do racismo institucional no acesso aos equipamentos de saúde, no ambiente de trabalho, nos processos de formação e educação permanente dos profissionais; e a implementação de ações afirmativas para alcançar a equidade em saúde e promover a igualdade racial.

Nossa busca permanente, mobilizando a sociedade civil, articulando-a com o poder público, disponibilizando ferramentas que fortaleçam sua atuação, visa garantir a efetivação do direito humano à saúde, considerando a importância da promoção, prevenção, atenção, tratamento e recuperação de doenças e agravos transmissíveis e não-transmissíveis, incluindo aqueles de maior prevalência para saúde integral da população negra.

Mobilize-se!

Racismo é um entrave da política de saúde da população negra e também do processo de controle social, segundo a experiência da Aliança.

A Aliança realizará nesse mês de Novembro a Oficina sobre Teorias e Prática em saúde da população negra.

Para além da discussão política e os inúmeros argumentos que compõem essa discussão, a saúde da população negra requer a tomada de decisões importantes diante dos casos, quando eles acontecem, na realidade de cada um dos indivíduos.

Tais questões permeiam a relação entre usuários e os profissionais de saúde, de forma colaborativa, sempre atentos aos recursos disponíveis em toda RAS – Rede de Atenção à Saúde, considerando as inúmeras possibilidades presentes no território e na territorialidade de cada indivíduo, tal como nas inúmeras instituições que também compõem tal cena.

A atividade pretende mergulhar a fundo na realidade das unidades, seus territórios e vulnerabilidades, apostando metodologicamente na condução dos passos a serem dados na cena em que o caso acontece, com o envolvimento e atuação conjunta de todos os atores conforme suas competências.

A Oficina da Aliança sobre teorias e práticas em saúde da população negra – um estudo de caso, com a participação do Professor Celso Ricardo Monteiro, acontecerá dia 04 de Novembro de 2021, às 19h30, via Join Zoom Meeting.

Faça sua inscrição em observatoriopopnegra@gmail.com

Sobre o convidado: Cientista Social, Especialista em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Família, pela FMU|FIAM|FAAM; um dos organizadores do livro “Religiões Afro-Brasileiras, Políticas de Saúde e a Resposta à Epidemia de AIDS; consultor da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo na área de articulação com sociedade civil para IST/AIDS e Babalorixá da Sociedade Ketu Àse Igbin de Ouro.

Mobilização total em atenção à saúde da população negra.

Assista no Canal Profissional da Escola Municipal de Saúde, a live sobre A Enfermagem e o Compromisso Frente à Saúde da População Negra – YouTube  com Alva Helena de Almeida da ANEM e Estefânia Ventura, do CAPS II de Freguesia do Ó.

Assista e convide os outros!

A Aliança realizou mais uma reunião ampliada de Coordenação

Entre as atividades em alusão ao Dia Nacional de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, nesse 14 de Outubro aconteceu mais uma Reunião Ampliada para coordenação da Aliança.

Esse é um espaço importante, de diálogo entre a Diretoria Executiva, seu Conselho, Associados e demais atores dedicados à luta antirracista. É a oportunidade de avaliação dos processos, organização da comunidade, definição de passos e condução das ações, de forma colaborativa e solidária.

O encontro possibilitou o alinhamento rumo ao final do ano de 2021, discutindo a metodologia mais adequada para o desenvolvimento das ações, as perspectivas em meio a pandemia que ainda não acabou e apontando os desafios considerados importantes pela rede criada pela Aliança.

Fruto desse intenso debate, a Aliança realizará três encontros temáticos com sua rede ao longo do mês de novembro. Confira a agenda abaixo:

11 de novembro – Mobilização Popular e Controle Social

18 de novembro – Formação e Educação Permanente

25 de novembro – Coordenação e Organização Comunitária

Participe!

Em defesa da Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra.

O dia 27 de Outubro é o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. A data busca mobilizar os profissionais de saúde para demandas específicas da população negra, buscando promover a equidade em saúde.  

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra foi instituída pela Portaria nº 992, de 13 de maio de 2009.

A política reconhece o racismo, as desigualdades étnico-raciais e o racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde. Com isso, visa promover a equidade em saúde e estabelecer ações de cuidado, atenção, promoção à saúde e prevenção de doenças.

Confira a agenda da Aliança para o período Outubro/Novembro de 2021, participe, contribua e chame os demais!

📆07. 10 – XXIII Encontro da Rede Pró-Saúde da População Negra

📆 14.10 – Reunião Ampliada de Coordenação da Aliança

📆 21.10 – II Assembleia Geral Ordinária

📆 28.10 – XXIII Fórum de Saúde da População Negra do Município de SP

📆 04.11 – Oficina “Saúde da População Negra na prática – um estudo de caso”

A USP convida ao Outubro Negro

Do COLETIVO NEGRO CAROLINA MARIA DE JESUS 

O Outubro Negro é um ciclo de eventos organizado pelo Coletivo Negro Carolina Maria de Jesus e o Departamento Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da USP, com apoio de sua Comissão de Cultura e Extensão. Ocorre anualmente desde 2018 com o objetivo de discutir as condições de vida e saúde da população negra, bem como os efeitos do racismo e a luta antirracista no Brasil.

A edição de 2021 tem como foco os efeitos da pandemia da Covid-19 na população negra e como homenageada Laudelina de Campos Melo (1904-1991), defensora dos direitos das mulheres e fundadora da primeira associação de trabalhadores domésticos do Brasil. 

Serão realizadas mesas de debates e uma apresentação artística. Todas as atividades serão gratuitas e transmitidas pelo canal do Youtube da Faculdade de Saúde da USP, sem necessidade de inscrição prévia.

Dia 1 – 06/10 (quarta-feira).

19h às 21h – Vida e morte: indicadores e estratégias no contexto da pandemia

A mesa visa discutir os impactos da pandemia de Covid-19 na população negra, assim como as estratégias de enfrentamento e cuidado desenvolvidas neste contexto.

Dia 2 – 13/10 (quarta-feira).

19h às 21h – Preta(o), o que você comeu hoje? Reflexões sobre a (In)Segurança Alimentar.

Nesta roda preta, a proposta é entrevistar mulheres que estão na linha de frente do combate às adversidades da pandemia com foco na promoção da segurança alimentar para as populações mais vulneráveis.

Dia 3 – 20/10 (quarta-feira)

19h às 21h – “Os Invisíveis presentes: trabalhadoras(es) essenciais da linha de frente

A mesa tem o objetivo de refletir sobre os efeitos da pandemia em algumas das categorias de trabalhadores, em especial aquelas historicamente ocupadas por pessoas negras.

20h30 – Apresentação artística de encerramento.

Para mais informações: coletivonegrofsp@gmail.com 

Redes sociais: @coletivonegrofsp (Instragram) e Coletivo Negro FSP/USP (Facebook)

Lideranças da sociedade civil da Cidade Tiradentes se reuniram para pautarem estratégias de rearticulação do Fórum do Idoso no território.

No último dia 17 de setembro de 2021, aconteceu Reunião Presencial no Auditório do CEU ÁGUA AZUL em Tiradentes reunindo Lideranças, principalmente representantes do segmento idoso do território. Nesta primeira reunião presencial estiveram presentes representantes da Sociedade Civil que participam ativamente do Núcleo de Convivência do Idoso (NCI), majoritariamente, mulheres negras, além de significativa participação de idosos/as participantes de diferentes religiões, inicialmente o objetivo central foi aglutinar os debates das representações e, todos/as mostraram-se interessados/as em aproximarem-se das discussões que dialoguem com as bandeiras de luta na ampla defesa do diálogo coletivo cuja pauta central seja a imediata rearticulação do Fórum do Idoso no território. 

O encontro presencial ocorreu após realização de duas reuniões que ocorreram remotamente (Plataforma Virtual) nos meses de junho e agosto ao qual, no primeiro momento, foi possível obter um parâmetro das principais questões que envolvem direta e indiretamente os/as idosos/as que vivem no território, sobretudo, considerando o estado de calamidade pública frente ao contexto da pandemia mundial do coronavírus (Covid19).

Na oportunidade foi reafirmado a importância de espaços que possibilitem efetivamente a participação e controle social frente ao adensamento da questão social que tem aprofundado as desigualdades sociais. Apontando ainda a importância de fortalecer os coletivos/ grupos/ movimentos para que seja possível ocupar os espaços de decisões na perspectiva de ampliar as estratégias de luta.

O encontro ocorreu em diálogo com o Grande Conselho Municipal do Idoso que tem se colocado à disposição para fortalecer as ações a serem realizadas no território. Ficando em evidência a urgência da necessidade de rearticulação do Fórum do Idoso com ampla participação de representações do território a partir do entendimento que o mesmo já está desarticulado há pouco mais de dois anos.

Demos início a esse movimento e, desse modo, convidamos cada um/uma a juntar-se a nós e fortalecer essa pauta tão urgente e necessária no tempo presente.

Esse primeiro momento foi imbuído de boas energias e grande expectativa, finalizando com a arte, muita música e animação. Participem! 

Acompanhe as datas dos próximos encontros nas Redes Sociais de nossos parceiros e apoiadores. 

ATENÇÃO: É importante salientar que o encontro ocorreu na modalidade presencial respeitando e seguindo todas as orientações dos órgãos de Vigilância Sanitária e Legislação Vigente frente ao contexto da Pandemia do Covid19.

Confira abaixo alguns registros desse profícuo encontro.

A Aliança convida ao XXIII Fórum de Saúde da População Negra

A Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra é fruto importante da luta antirracista no Brasil, impetrada particularmente pela organização das mulheres negras que compõem diferentes movimentos sociais.

Ao passo que a participação popular é um direito constitucional, o controle social das políticas públicas de saúde é parte operante do sistema, dada necessidade de interação entre os diferentes sujeitos e instituições implicadas no processo.

A participação popular, no entanto, está marcada por barreiras, atos e condutas que emperram o avanço das políticas públicas direcionadas à população negra, de uma forma geral, baseando-se no conceito latente de universalidade das políticas, porque em tese somos todos iguais e não precisamos de ações direcionadas.

Para além do governo negacionista, esse desafio antigo colocado pelo racismo, tem resultado na não escuta das demandas das lideranças negras em diferentes instâncias, como é o caso dos conselhos de saúde, acentuando a não tomada de decisão no campo da gestão pública. Simultaneamente, a ausência de políticas e a falta de conhecimento sobre a necessária para promoção da equidade e as ações afirmativas, seguem de forma crescente, definindo quem acessa ou não o direito à saúde.

Como parte das ações alusivas ao Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, o XXIII Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo, mediado por Iyá Karem Olaosun, pretende mergulhar no debate sobre o racismo enquanto entrave da participação popular e as políticas públicas em atenção à saúde da população negra na cidade de São Paulo.

Dia 28 de Outubro, 19h30 no canal da Aliança no Youtube.

Você conhece a Portaria Nº 2.436, de 21 de Setembro de 2017?

Foto: Laura James em Pexels.com

A Portaria refere-se à POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA, ESTABELECENDO A REVISÃO DE DIRETRIZES PARA A ORGANIZAÇÃO DA ATENÇÃO BÁSICA, NO ÂMBITO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS).

Leia aqui.

Convocação

São Paulo, 05 agosto de 2021.

Ofício 011/2021

Ref.: Convocação da VIII Reunião da Diretoria Executiva

Ficam convocados/as todos/as os/as Diretores Executivos da Aliança Pró-Saúde da População Negra para IX Reunião da Diretoria Executiva desta Associação. A atividade acontecerá no dia 02 de setembro de 2021, às 19h30. 

São pautas da reunião:

1. Encaminhamentos e pendências da VIII Reunião Ordinária da Diretoria Executiva

2. Monitoramento e Avaliação da Agenda 2020/2023

3. Outros temas de interesse da Aliança

A IX Reunião da Diretoria Executiva ocorrerá através do aplicativo Google Meet ou outro similar que será amplamente divulgado e disponibilizado através de e-mail.

São Paulo, 05 de agosto.

Filipe Couto

COVID-19: confira aqui resultado de Pesquisa

Foto por CDC em Pexels.com

Compartilhamos os resultados da pesquisa sobre “Covid-19, Desigualdades e Gestão Pública”, publicada pela Enap, além do acesso ao banco de dados completo, que pode interessar aos que também estiverem pesquisando Covid & Desigualdades.

Links: bit.ly/ComorbidadesMateria

Pesquisa completa: bit.ly/ComorbidadesEstudo 

A pandemia da Covid-19 que afeta o Brasil desde 2020 mudou a geografia do País. Pesquisa inédita financiada pela Enap mostra que os municípios mais expostos aos riscos à doença são os que apresentam maiores desigualdades e vulnerabilidades sociais. O estudo revela que não é necessariamente a renda que torna os municípios mais suscetíveis à Covid, mas principalmente as disparidades socioeconômicas de cada cidade.

A apuração do TCU começou depois de a CPI da Covid receber parecer que analisou o uso de recursos extraordinários que deveriam ter sido destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para combater a pandemia. O relatório elaborado pela procuradora Élida Graziane Pinto, do Ministério Público de Contas de São Paulo, levantava a necessidade de se verificar se os recursos do SUS teriam ou não bancado despesas ordinárias dos militares das Forças Armadas. Confiram aqui.

Saúde nos Terreiros foi tema de live do Mandato Quilombo Periférico nesse final de agosto.

E em live do Mandato Quilombo Periférico, o Babá Egbé Felipe Brito, a Dra Kemi Salami, o Babalorixá Celso Monteiro Oxaguian dialogaram sobre “Saúde nos Terreiros.”

Assista em https://youtu.be/SFZM18hnK4w

“Senhor Ministro, respeite o Controle Social” diz o Presidente do Conselho Nacional de Saúde

O Presidente do Conselho Nacional de Saúde, Fernando Pigatto, denuncia proposta do novo ministro da saúde de promover com rede privada uma reforma no SUS.

“Não admitiremos. Qualquer debate sobre o SUS tem que passar pelo Controle Social, pelo sistema de conferências. Senhor Ministro, respeite o Controle Social! Respeite o SUS!”, enfatiza Pigatto, que também aponta a falta de ações efetivas do governo federal para enfrentar a pandemia e critica cortes no orçamento de 2021.

Assista aqui o vídeo.

Da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo

referência: ETSUS

A Escola Municipal de Saúde publicou o EMS em Pauta 2020!

Neste boletim a EMS apresenta seu desempenho e as ações empreendidas durante o ano de 2020. Esperamos estimular o acesso à informação e o conhecimento sobre a nossa área de atuação na saúde.

Para conferir a publicação completa, acesse o link:  https://bit.ly/3wOa4ke

Resenha da Aliança

E lá se foi o abril de 2021. No Brasil de Bolsonaro os fatos são surpreendentes: temos uma cena simplesmente contraditória que sofre alterações diárias, sempre desfavorecendo os mais pobres, sobretudo aqueles que não têm acesso ao básico para poderem viver com o mínimo de dignidade. Vejamos os exemplos: 

O racismo, considerado fenômeno sócio-histórico, tem consumido a todos nós, de forma avassaladora, em todos os campos e ciclos de vida. Essa é a população mais afetada pela pandemia, mas, os indivíduos declarados brancos são os que mais foram vacinados até dado momento, tal como no caso da aids, em que os homens brancos são os que mais têm HIV comparado com os demais e, as mulheres negras são as que mais vão à óbitos, segundo os dados oficiais do país, do Estado e do município de São Paulo. A população vivendo em situação de rua, com números visivelmente crescentes inclusive na periferia da cidade de São Paulo, não é diferente: são muitos os homens brancos vivendo nessas condições, no entanto, a quantidade mulheres e homens negros nas calçadas implorando por prato de comida e alguns “meréis” é estupidamente gritante.  

A implementação da Política de Saúde Integral da População Negra que já tinha lá os seus problemas, agora, ninguém sabe, ninguém viu; virou apenas manutenção de cargos na estrutura, sem nenhuma relação com as demais instituições e as organizações da sociedade civil. Quando antes questionamos as possibilidades de acesso à educação, agora, o Estado quer nos obrigar a estudar – enviando nossos filhos para o matadouro – em tempos de pandemia, quando a orientação mais citada em todos os campos do globo, é o isolamento social e as medidas de proteção a ele associadas. 

As Escolas são as mesmas: sem investimento nenhum em educação, segue com intensa dificuldade colocada pela  vida em comunidade, sem reformulação das ações, com os mesmos métodos, evasão crescente, desvalorização do professorado e, com o intenso impacto da pandemia não pode contar sequer, com a possibilidade de uso da tecnologia adequada para que docentes e discentes possam realizar a tão esperada troca de conhecimento pensada no processo de ensino e aprendizagem que compõe a produção científica que as pessoas dizem terem adotado, mas não levam para o campo das mudanças de práticas. Fala-se em ensino a distância como disciplina obrigatória e a salvadora da lavoura, mas as pessoas não têm acesso à equipamento, tampouco à internet, hoje considerada recurso vital. Essa narrativa tem sido uma constante, altamente replicada por “A” e por “B”, mas ninguém faz nada com isso; as pessoas não se dão nem ao luxo de auxiliar os seus idosos na busca pela vacina, mesmo quando elas possuem o equipamento e a informação necessária para tal.

Não bastassem todos os desafios colocados no funcionamento do Sistema Único de Saúde ao longo de seus pouco mais de trinta anos, a exemplo do subfinanciamento, a maior política de Estado que segue respirando à força na UTI, vai contar em 2021 com um ‘puxadinho’ no orçamento, porque, só agora em Abril, o quarto mês do ano, o Congresso Federal o orçamento anual, e ao fazer um acordo com o governo genocida, sobressaíram-se as emendas e demais vantagens que beneficiam uns em detrimento de outros, mais uma vez: não tem dinheiro pra vacina, por exemplo, e o problema não é dinheiro. Trocando em miúdos, o governo vai ter dinheiro para gastar a rodo, mas não para a compra dos insumos necessários para a resposta à pandemia e consequentemente, as políticas de Estado que deveriam ocorrer em resposta aos males que assolam essa s0ciedade, que foram escancarados com o advento da COVID-19, também continuarão do jeito que estão: velejando no país à deriva. 

A “obra” de Messias que conduz o atual Estado negacionista, organizada por suas instituições mais diversas, reúne a blindagem do ‘Presidente’ que flerta com o centrão, tem ideologia de base escravagista e vai negando não apenas direitos constitucionais importantes como os recursos necessários para a vida digna das pessoas – que eles querem que sobrevivam sem emprego com uma auxílio emergencial que terá que ser devolvido aos cofres, como se fosse um empréstimo bancário – mas, também as possibilidades de avanço apontados pela participação popular da gestão pública, algo que eles simplesmente odeiam. 

Que esse país  “não é para amadores” nós já sabemos, mas as constantes ameaças à paz e a democracia são violentas e constantes, basta ver que o fato de que o assassino de Floyd foi condenado, mas as pessoas insistem em dar audiência ao Big Brother Brasil. E a conferência do clima, vocês viram que teatro?

E nesse cenário horrendo, a lista de presidenciáveis aumenta todo dia um pouquinho, com a aparição dos representantes do grupo dominante, a manutenção de modelos e narrativas históricas, a intensa acusação de uns e de outros, a ausência de planos de ação construídos com a sociedade e a discussão sobre a moralidade dos “poderes” em segundo plano, enquanto a lista dos milionários da FORBES aumenta em plena pandemia, com brasileiros que ficaram ainda mais ricos enquanto os pobres vão ficando cada vez mais pobres, tal como naquela música de anos atrás… 

Esse “Estado” precisa de fato sair da situação de doente, deixar a lista de rejeitado pelos países que agora não querem nem deixar suas aeronaves pousarem aqui ou receber visitas brasileiras – por motivo nenhum – e avançar no que se refere à sua cura, o seu tratamento, pois, estamos todos adoecendo e morrendo a espera de um leito nas filas do hospital. 

Essa produção ideológica que a União representa bem, embora tenha sofrido uns arranhões, está de fato, mantendo o status quo e as relações de poder na sociedade, evidenciando que o escritório da burguesia vai muito bem, obrigado. Ele segue, com seus componentes e parceiros desfilando pelas praias, jantando com os amigos em Brasília, fazendo festinha na zona sul de São Paulo e enriquecendo, enquanto os velhos grilhões nos prendem aos trens e ônibus de quantidade diminuída em São Paulo, que levam ao trabalho os poucos que ainda conseguiram manter os seus empregos, para alimentar suas famílias com o suado arroz com feijão, sem poder ir ao funk, com nada de samba na laje, sem acesso aos poucos parques da cidade, shopping, etc.

E ainda assim, o silêncio dos bons é ensurdecedor, fato esse que é incompreensível diante dos fatos narrados aqui. Nessa sociedade atual, todo mundo prega o famoso “ninguém solta a mão de ninguém” no entanto, não dão um telefonema para saber do outro, não oportunizam a salvação das lavouras do outro, lamentam mas não se dão o luxo de dividir seus parcos recursos e, mais que isso, criticam abertamente toda e qualquer manifestação contrária ao processo vigente, como se fossem cidadãos de fato atuantes, implicados na mobilização da sociedade e a participação popular para o controle social das políticas existentes que são destinadas ao genocídio crescente.  É preciso mais, minha gente, muito mais!

Indicação de Leitura

A edição de Janeiro de 2021 da Revista RADIS dedicou-se ao tema “Resposta Afirmativa” apontando para a diversidade no campo das políticas públicas e o funcionamento do sistema de saúde no Brasil.

Leia aqui.

Resenha da Aliança – Abril de 2021

Resenha da Aliança – Abril de 2021

Neste dia 07 de Abril, data que se comemora o DIA MUNDIAL DA SAÚDE, a Aliança Pró-Saúde da População Negra apresentou seu vídeo “Vacina já para todes” com mensagens de seus/suas integrantes, com o intuito de mobilizar e articular a sociedade civil em defesa do Sistema Único de Saúde, a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em todo o país e a urgência de uma plano nacional de vacinação, considerando a necessidade de promoção da igualdade racial, com equidade nas ações em saúde.

No momento em que o país já ultrapassou o número de 330 mil mortes pelo coronavírus, a pandemia que escancarou as desigualdades raciais e sociais, levando-nos a um número maior de mortes na população negra do Brasil, é necessário que o Estado reaja, mudando os rumos de sua condução política-genocida.

As mensagens certeiras de Geralda Marfisa, Arlete Isidoro, Nalu Silva, Arnaldo Marcolino, Flip Couto, Iyá Karem D´Osún e com edição de Toni Baptiste e arte de Mahu Lima, a realização da Aliança Pró-Saúde da População Negra apontava a necessidade de atenção à saúde da população em uma perspectiva macro da promoção do direito à vacina contra a COVID-19.

É fundamental lembrar que a defesa da política de saúde da população negra tem relação direta com a defesa do SUS, a valorização dos profissionais de saúde, a importância do controle social e com isso, o pleno funcionamento do Estado brasileiro e suas instituições, pois, ao pensarmos saúde a partir desse lugar, estamos falando da garantia de direitos básicos e fundamentais, a exemplo do direito à educação, à alimentação digna, à agua potável, saneamento básico, emprego, considerando a diversidade étnico-racial entre outras características do povo brasileiro.

O vídeo, fundamental para dialogar sobre a importância da vacina vai mais além do que seu objetivo: traz diferentes atores implicados em uma única perspectiva: a garantia e o acesso à saúde pública, universal e de qualidade para todos. Essa é uma marca da Aliança, dada a necessidade de mobilização e articulação da comunidade negra, para controle social das políticas públicas, o que pode ser visto também na Plenária Municipal de Saúde e a 21ª. edição do Fórum de Saúde da População Negra realizados na mesma semana.

A atuação dessa rede tem ocorrido atualmente de forma remota e dessa forma, tem acolhido diferentes pessoas ao longo dos encontros de sua rede, ocasião em que tem buscado aprofundar determinadas discussões que compõe o amplo universo da saúde pública, que acontece quinzenalmente. Essa possibilidade de trabalho conjunto tem buscado tapar lacunas importantes como a ausência de informação sobre o tema em nossas comunidades.

As pessoas de uma forma geral têm privilegiado o debate sobre as necessidades da população no campo da saúde sempre associadas ao conjunto de direitos básicos e fundamentais negligenciados constantemente, em meio ao racismo e a discriminação racial impetrado pelo sistema. Isso é parte de um processo político como lembrou Arnaldo Marcolino durante o Fórum recentemente realizado, para quem a comunicação é uma estratégia central para o desenvolvimento das pessoas, o que justifica em si, a parceria entre a Aliança e o Sindicato dos Radialistas do Estado de São Paulo. No momento em que o Brasil ultrapassa seu próprio record de mortes por covid-19 e mantem-se como epicentro da pandemia, é fundamental que todos se levantem, se movimentem, se mobilizem, se articulem e se fortaleçam, dando uns as mãos para os outros, o que é por si só, um ato político.

Saúde da População Negra é tema de debate no Dia Mundial da Saúde

A Aliança participou da Plenária Municipal de Saúde. A cada dia da semana de 05 de Abril especialistas discutiram temas relacionados à área de saúde que impactam a vida da população, especialmente neste período em que o Brasil enfrenta o momento mais crítico da pandemia de coronavírus. A programação da Semana Mundial da Saúde foi organizada pelos movimentos sindicais e sociais que atuam em frentes em defesa da saúde.

Em 08 de abril, a plenária discutiu o tema saúde da população negra, sob condução da Aliança. A atividade contou com a presença de: Maiara Souza, Psicóloga e mestre em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP; Sheila Ventura, Assistente Social – Presidente da AProfe (Associação Pro Falcemicos); Geralda Marfisa, Formada em Gestão Pública, integrante do movimento negro dos APNs, Conselheira Gestora da Região Leste Cidade Tiradentes e da Diretoria da Aliança Pró-Saúde da População Negra e, a Iyálorixá Karem D´Osún, fundadora da Aliança Pró-Saúde da População Negra, com mediação de Flip Couto, Diretor Executivo da Aliança Pró Saúde População Negra e idealizador do Coletivo AMEM. Assista aqui:

03 anos de fundação da Aliança

Com mediação de Dr. Renato Azevedo, a Aliança Pró-Saúde da População Negra celebrou o aniversário de três anos de sua fundação neste mês de Abril. A Aliança Pró-Saúde da População Negra surgiu em 2018 reunindo lideranças de religiões afro-brasileiras, pesquisadores, estudantes, gestores e profissionais de saúde diante do impacto do racismo na saúde pública, em rede horizontal, reconhecendo a importância de diversos saberes em atenção à saúde, razão pela qual, foi preciso mobilização, articulação, comunicação, educação continuada e avaliação constante do processo desenvolvido pelas pessoas envolvidas.

Essa rede parte do princípio de que o monitoramento, avaliação e controle social das políticas públicas em atenção à saúde da população negra demandam plena participação popular, o Sistema Único de Saúde, tal como o preconizado pela Lei 81.42 de 1990, uma das leis que regulamentam o sistema. O processo organizado com envolvimento de diversos atores teve como objetivo central a mobilização pró-saúde da população negra como uma ação cotidiana, em defesa do SUS. Agora, ao comemorarem o 3º ano da fundação da Aliança em meio à pandemia de covid-19, diferentes autoridades dessa rede apresentam suas análises, perspectivas, lições aprendidas, reivindicações e memórias relacionadas aos passos dados até dado momento.

Do histórico da política de saúde da população negra segundo as memórias de Arnaldo Marcolino, às perspectivas de Dr. Fábio Rodrigues, o Babalorixá Walter de Xangô Aganjú, Angelita Garcia e Flip Couto, a atividade permitiu uma densa reflexão sobre o impacto do racismo na saúde da população negra brasileira, olhando para diferentes aspectos desse debate.

Indicação de leitura

De Raquel Torres, em Outra saúde – 12/04/21

Pela primeira vez, pessoas com menos de 40 anos de idade são a maioria absoluta nas UTIs para covid-19: no mês de março, elas representaram 52,2% das internações em unidades de terapia intensiva, segundo dados da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira). Até fevereiro, eram 44,5%. A proporção de pacientes que precisam de ventilação mecânica também nunca esteve tão alto: 58%. 

O maior número de jovens internados e o agravamento dos casos já tem sido percebido na ponta há muito tempo, mas ainda não dá para dizer o que gera essa mudança. Na Folha, Ederlon Rezende, coordenador da plataforma UTIs Brasileiras e ex-presidente da Amib, traz três hipóteses: uma possível maior agressividade das novas variantes; o avanço da imunização dos mais velhos, ajudando a conter os casos graves entre eles; e “a falta de cuidado de parcelas da população” que pode estar afetando mais os jovens. Acrescentamos que elas não são excludentes, e que a falta de cuidado não é necessariamente uma escolha, já que as condições de trabalho de muitos jovens acarretam um alto nível de exposição ao vírus.

Os dados do último boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz, publicado no sábado, mostram que o maior aumento de casos e óbitos pela doença entre janeiro e março deste ano se deu na faixa etária de 30 a 39 anos, em que o crescimento foi de impressionantes 1.218%. Para comparação, o aumento em todas as idades foi de 701% – o que também é colossal.

Ontem foram registradas 1.824 novas mortes no país, encerrando a pior semana da pandemia, com 21.172 vidas perdidas. A média móvel ficou em 3.109 óbitos diários. Já é a quarta vez que esse número passa de três mil, e todas aconteceram este mês. O total de mortes passa de 350 mil. Leia mais em: https://outraspalavras.net/outrasaude/ de 12/abril/2021.