Subsídios ao diálogo sobre saúde nos Terreiros de São Paulo

Celso R. Monteiro*

Em sua produção científica na USP, Reginaldo Prandi descreve “Os Candomblés de São Paulo” nos anos 90, o que gerou um livro importante na época. A tese possibilitou a criação do Diretório dos Terreiros no site daquela instituição de ensino por ela mantido até os dias atuais.

Em 2017 com a retomada do Projeto Xire, redesenhado para as articulações sobre saúde na visão de mundo das religiões afro-brasileiras, adotamos o diretório com os dados de 2015, como referencial teórico do projeto, para pensar o quanto aqueles dados dialogavam com a rede de estabelecimentos de saúde do município na época, considerando a diferença entre os territórios. Pretendia-se ampliar o debate sobre saúde nos Terreiros, na perspectiva da gestão participativa, visto que os dados do diretório, estão registrados a partir da auto declaração das lideranças. Observamos lacunas importantes quando a Secretaria Municipal da Saúde fez o georeferenciamento dos Terreiros cruzando tais informações com a rede de estabelecimentos de saúde. Era a primeira vez que um estudo como esse acontecia naquela casa. Tal investimento contou com as contribuições de Valdete Ferreira – Coordenadora da Área Técnica de Saúde da População Negra daquela Secretaria, que buscava responder as lideranças de religiões afro-brasileiras como a Estratégia Saúde da Família poderia contribuir com o reconhecimento dos Terreiros como núcleos de promoção da saúde, tal e qual está previsto na Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra.

Agora, com dados atualizados pelo mesmo Diretório, o geógrafo Hugo Nicolau – a quem eu agradeço publicamente – nos brinda com uma segunda versão do mapa dos Terreiros, a partir da mesma fonte, atualizada em Setembro de 2020.

Compreendemos tal como antes, que a cidade tem muitos Terreiros ausentes do mapeamento (muitos deles não querem ser catalogados por nenhuma instituição) e, o sistema de saúde ainda tem lacunas no que se refere à abrangência e articulação com tais comunidades. Essa nova versão do mapa indica-nos ainda que a quantidade e a localização dos Terreiros não representam presença de população negra na cidade. O uso de tais evidências requer, portanto, total atenção por parte de cada um de nós, pesquisadores e ativistas dedicados às relações étnico-raciais e a relação dessas com as políticas de enfrentamento do racismo, com vistas à condução de políticas municipais que alcancem essa população no futuro bem próximo. Temos, portanto, razão de sobra, para avançarmos conjuntamente, deixando a vaidade de lado e agradecer pelas contribuições possíveis, dando-lhes os devidos créditos.

*Professor Licenciado em Ciências Sociais; Consultor da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Contato: celsormont@gmail.com

Convite da Aliança

Querides Aliades,

O ano de 2020 tem sido desafiador. A COVID tirou o nosso sossego, mas, enfim o ano está acabando.

Para celebrar as nossas vitórias e entre elas, a nossa saúde e as coisas boas que fizemos nesse período, realizaremos a confraternização da Aliança, por via remota, afinal, ainda estamos em quarentena. Faça seu pratinho, seu chá, seu cafezinho, acenda o cachimbo e conecte-se com a gente na próxima quinta, dia 17 de Dezembro de 2020.

Todes são muito importantes para nós, por isso queremos muito esses abraços virtuais.

Para participar acesse o link: https://meet.google.com/ctf-sthk-qfe

Flip Couto

Diretoria Executiva

Sugestão de leitura

“E quem não tem internet? Reflexões sobre audiências de custódia e acesso à justiça durante a pandemia” na plataforma Covid Nas Prisões.

O artigo apresenta uma análise sobre os impactos da virtualização das audiências de custódia a partir do cruzamento das perspectivas e experiências das autoras.

Autoras: Miriam Duarte e Raissa Belintani e Viviane Balbuglio.

O site traz artigos de convidados e vídeos sobre temas relacionados ao avanço do covid-19 e a luta pelo desencarceramento.

Leia aqui

Lideranças negras: atenção!

São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro?

O Programa Prosseguir tem como finalidade evidenciar futuras lideranças negras que estão nas universidades públicas e privadas, por meio de estratégias de fortalecimento e permanência acadêmica até a conclusão exitosa da graduação, além de estabelecer diálogos e pontes com o mercado de trabalho.

São 60 bolsas de estudos para universitários negros nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro, no valor de R$600,00. Além da bolsa, o estudante participará de programa de fortalecimento de liderança e preparação para o mercado de trabalho, além de diálogos sobre equidade racial no trabalho e curso de inglês. As atividades da terceira edição do Programa Prosseguir ocorrerão entre os meses de fevereiro e dezembro de 2021.

O programa focaliza não só a transformação da vida dos participantes, como também sinaliza para a sociedade a importância de políticas públicas e institucionais de equidade racial e diversidade.

As inscrições estão abertas até 06/12/2020 e podem ser realizadas no site https://prosseguir3e.ceert.org.br/

Coalizão Negra por Direitos

#Repost @coalizaonegrapordireitos • • • • • •

Movimento Negro Unificado, Geledes, Criola, Conaq, Cedempa, Renafro, Uneafro Brasil, Marcha e Rede de Mulheres Negras de São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Pará e outras mais de 150 organizações que compõem a Coalizão Negra por Direitos, emitem Nota de sobre o Comitê Externo de Diversidade e Inclusão e as estratégias de defesa do Carrefour Brasil, frente ao assassinato brutal de Beto Freitas, em Porto Alegre. 👉🏿 Leia a nota na íntegra: https://bit.ly/3muOYBS

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