Mobilização pró-saúde da população negra: um ato constante!

Liderada por Flip Couto, dia 25 de Fevereiro a Aliança realizou mais um encontro de sua rede, discutindo um tema importante muito caro para todos nós: a mobilização popular, articulação, monitoramento e controle social da política de saúde da população negra. Para além dos laços, vínculos e afetos, o encontro dessa rede tem se tornado um importante espaço de articulação entre os movimentos negros dedicados a questões diversas e para além da saúde pública. Esse encontro destinava-se ao debate sobre a relação com os Conselhos e conselheiros de saúde – de diferentes movimentos sociais que negam a importância do tema -, ampliando o debate entre as lideranças, que apontaram questões anteriores, como no caso da necessária participação e o envolvimento das pessoas no processo político, que determina quem tem direito de viver e usufruir de recursos, bens e serviços na sociedade racista, que cada vez mais aposta no genocídio como centro de sua atuação. Geralda Marfisa, lembrou, por exemplo, que a ida à conferência municipal de saúde, agora virtual, tem desafios importantes que são anteriores ao evento: os territórios têm gestores da política de saúde da população negra, mas as lideranças não conhecem esses interlocutores que dizem estar fazendo um bom trabalho, mas aparentemente desarticulados da sociedade civil, a maior interessada no tema.

Os desafios na condução da política de saúde da população negra incluem a forma como acontece esse diálogo que deve primar pela parceria entre as partes: gestores, profissionais de saúde e usuários do sistema, mas essa não é a realidade de toda cidade. A atuação conjunta entre as lideranças comunitárias e em plena articulação com o poder público demanda a discussão sobre a possibilidade de ações concretas e conjuntas nas diferentes regiões de saúde – escritórios do governo local – visto que tais atores possuem responsabilidades múltiplas e diversas, mas complementares.

“Eu nunca vi um agente de saúde” relatou Anderson, de Porto Alegre, diante da relação com o serviço de saúde, sempre muito complicada naquela região, o que difere de Mãe Silvia, para quem “Araraquara tem política de saúde da população negra, com o acompanhamento da sociedade civil”, o que inclui, como no caso dela, os Terreiros da cidade” A mobilização da sociedade civil em tempos de COVID priorizou a importância das redes virtuais, mas precisa ser potencializada, de forma que a informação de fato chegue até as pessoas que mais precisam dela.

É com essa perspectiva que a Aliança avança, desenhando parcerias estratégicas em atenção à saúde da população negra, o que significa em primeira instância fazer as pontes necessárias para que os movimentos sociais se fortaleçam e construa coletivamente os caminhos necessários para a implementação da política em âmbito local, conforme a necessidade das pessoas.

O Encontro da Rede Pró-Saúde da População Negra, celebrou a parceria estabelecida com o Vidas Negras com Deficiência Importam, com quem trocará conteúdos, possibilidades de formação conjunta, articulações no âmbito da atenção às necessidades das pessoas atendidas por ambas as organizações e alimentação das redes sociais dessas duas frentes que agora se somam.

O próximo encontro acontecerá dia 11 de Março, para debater as “Ferramentas e estratégias para promoção da equidade em saúde” e novamente, a sociedade civil terá nesse espaço a possibilidade da troca e do aprendizado coletivo, para o enfrentamento do racismo e seu impacto na saúde da população negra. O encontro acontece logo depois do Fórum em que a Aliança discutirá com Mônica Calazans, as questões relacionadas ao COVID-19, a vacina e como o racismo opera nesse processo em que é preciso equidade, universalidade e integralidade. E assim vamos tecendo nossa rede!

Equidade em saúde diante da COVID-19 será tema de debate na 20a. edição do Fórum de Saúde da População Negra do Município de São Paulo.

A chegada avassaladora do novo coronavírus gerou uma movimentação mundial importante, que deixou suas marcas em diferentes instâncias da vida. Se antes, o capitalismo estava no centro do debate, a mortalidade e o racismo sistêmico levaram a comunidade negra para o centro do debate em saúde e a necessária busca por promoção da equidade. Questiona-se assim, a existência da Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra nos Estados e Municípios.

Algumas pessoas já tiveram acesso à vacina em todo o país, gerando fotos importantes do atual momento político, enquanto a vacinação já foi interrompida em determinados lugares. A população negra e particularmente os quilombolas também compõem esse cenário, em que é preciso equidade nas ações de saúde, mas que a gente não tem visto, muito embora a pandemia tenha afetado esses grupos de forma diferenciada quando comparada à população não negra.

Para dialogar sobre esse tema, Mônica Calazans, a 1ª pessoa a ser imunizada no país, o Radialista Arnaldo Marcolino, membro da Aliança e Geralda Marfisa, que compõe o Conselho Gestor da Saúde em Cidade Tiradentes, sentarão em volta do Baobá com Flip Couto na XX edição do Fórum de Saúde da População Negra, que acontecerá no próximo dia 03 de março (quarta-feira), as 11h da manhã.

O Fórum será transmitido ao vivo, via canal da Aliança no YouTube. Acesse, inscreva-se, participe e convide os demais para assistirem em: bit.ly/3kplkxB

Respostas à pandemia em volta do mundo e na cidade de São Paulo

Foto por cottonbro em Pexels.com

A Secretaria Municipal de Relações Internacionais da cidade de São Paulo produz uma série de materiais com as recomendações e medidas adotadas para o enfrentamento da Covid-19 no Brasil e no mundo, com o objetivo de informar a população e contribuir com a formulação de iniciativas para a contenção da pandemia da Covid-19 nas cidades.

Com atualizações semanais, as publicações são feitas em português e inglês e a versão mais recente foi publicada nesta segunda (15 de Fevereiro). É possível consultar os materiais por meio link, que reúne todas as edições já publicadas:https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/relacoes_internacionais/noticias/index.php?p=300094

O material pode ser compartilhado em aplicativos de mensagens como o Whatsapp e o Telegram.

Recomendação de leitura.

O loop das desigualdades: A pandemia da covid-19 e seu impacto na vida das mulheres negras.

“O sistema de opressão (raça-gênero-classe) aprisiona e empurra as mulheres negras para esse loop histórico de desvantagens e violências, que se agudiza em contextos de pandemia e outras crises globais. Vale lembrar a epidemia mais recente, do vírus Zika, e suas consequências para as mulheres negras jovens do Norte e Nordeste do país. São mulheres que vivem com acesso irregular a serviços de saneamento básico, sofrem barreiras no acesso a serviços de saúde reprodutiva e são elas, em grande parte, as responsáveis pelo domicílio”.

Emanuele Goes, em: https://popnegraesaude.info/2021/02/25/o-loop-das-desigualdades-a-pandemia-da-covid-19-e-seu-impacto-na-vida-das-mulheres-negras/

O papel da imprensa e a contribuição das religiões oriundas da velha África.

“A destruição das religiões de matriz afrodescendente é um projeto do capitalismo, pois essas religiões representam um papel importante na cura de qualquer doença de pessoas  negras. Sem essas religiões, a medicina ocidental prevalece. Por ora, podemos notar vários exemplos, muitos países africanos e o Haiti recorrem às religiões e às plantas medicinais como fontes de tratamento do covid-19, constata-se que o cenário nesses países são bem diferentes comparando com outros países que recorrem à metodologia eurocêntrica. A OMS colocou o Haïti como país de referência no tratamento ao covid-19, isso não foi noticiado em jornal internacional de grande circulação. Tu sabes porquê ?? O método que o Haïti está usando não é um método que traz lucro para as sociedades capitalistas”.

Confira a contribuição do Babalorixá e antropólogo Rodney Willian, de Oxóssi, ao Jornal Folha de São Paulo .

Parceria

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O artigo “A saúde da mulher negra em foco: análise da produção científica na BDTD”, apresentado no XX Encontro Nacional de Pesquisa Em Ciência Da Informação (ENANCIB/2019)” celebra a parceria entre a Aliança e o GTRERAD, pode ser acessado em https://conferencias.ufsc.br/index.php/enancib/2019/paper/viewFile/1340/608

Para saber um pouco mais do GTRERAD – Grupo de Trabalho Relações Étnico-raciais e Decolonialidades da FEBAB (FEBAB é a Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientistas de Informação e Instituições), poderemos acessar: @gtrerad.febab, no Instagram, https://twitter.com/RFebab, no Twiter e, https://www.acoesfebab.com/etnico no site da FEBAB

Denuncie!

A Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania de São Paulo está com um canal interativo para receber denúncias por discriminação: HIV/AIDS, Racial, LGBTfobia, Tráfico de Pessoas e Intolerância Religiosa.

A pessoa pode escolher a melhor forma para fazer a denúncia, podendo se manifestar pela Ouvidoria, por e-mail ou eletronicamente clicando na aba “Denúncia Online”.