Governo retira do ar estudo sobre saúde da população negra que aponta desigualdade racial

Publicado originalmente por Nataly Simões, no site Alma Preta, em

Servidores do Ministério da Saúde afirmam que a retirada do conteúdo faz parte de um discurso “de que não há diferenças entre as populações negra e branca”; a área afetada é a mesma que recentemente foi alvo de mudanças no cálculo dos casos e mortes por Covid-19

O governo federal retirou de uma página no site oficial do Ministério da Saúde um estudo que ouviu mais de 52 mil brasileiros sobre a saúde da população negra no Brasil. O levantamento trazia indicadores que comprovam cientificamente a desigualdade social entre negros e brancos.

O estudo apontava que as pessoas negras tinham menos acesso ao consumo de frutas e hortaliças que as pessoas brancas (29,5 vs 39,1%), que os negros tinham maior tendência ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas (19,2 vs 16,6%) e avaliavam de maneira mais negativa o sistema de saúde do que os brancos (5,2% vs 4,0%). Por outro lado, a pesquisa também indicava que a população negra apresentava frequências maiores do que a população branca na prática de atividade física (15,3% vs 13,3%) e conduzia com menor frequência veículos após o consumo de bebida alcoólica (4,7% vs 6,3%).

O estudo chamado “Vigitel Brasil 2018 População Negra: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico” foi desenvolvido em 2018 e estava no ar desde julho do ano passado na página da Secretaria de Vigilância em Saúde. A área é a mesma que sofreu uma intervenção da gestão Bolsonaro na semana passada para a alteração do cálculo dos casos e mortes por Covid-19 no país. Em maio, os dados dos infectados e mortos pelo novo coronavírus com recorte de cor/raça também deixaram de ser publicados após indicarem que a doença era mais letal entre a população negra.

De acordo com servidores do Ministério da Saúde ouvidos pela coluna de Rubens Valente no Uol, sob a condição de não terem seus nomes publicados, a retirada do estudo sobre a população negra da página na internet faz parte de uma estratégia do governo Bolsonaro de implementar um discurso “de que não há diferenças entre as populações negra e branca” e “de que não existem mais políticas identitárias”.

Procurado pela coluna do Uol, o Ministério da Saúde encaminhou um link que leva ao estudo sobre a população negra em uma biblioteca virtual, mas não à página da Secretaria de Vigilância em Saúde, onde o levantamento foi originalmente colocado. Questionado sobre o por que de o estudo continuar fora da página, o Ministério não se posicionou.

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