Resenha da Coordenação

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Estamos com saudades, mas atuando!

Em tempos de covid-19, a Aliança Pró-Saúde da População Negra tem se organizado com seus membros em casa, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde para contenção da pandemia. Colocamo-nos contra a postura de Jair Bolsonaro e apoiamos a proposta de isolamento social, com a total clareza de que nem todo mundo pode isolar-se, sobretudo na periferia das grandes cidades, como São Paulo, onde historicamente reside a maior parte da população negra, com as piores condições de vida, como todos sabemos.

Nossa atuação tem sido on-line, mobilizando as pessoas para o trabalho conjunto em atenção à saúde da população negra no cenário em que estamos. E agregado a isso, nossas redes sociais (Facebook, instagram, mas também o blog, e-mail list e o grupo de Whats App) tem buscado socializar informações certeiras, com destaque para os organismos oficiais e a atuação dos movimentos sociais nos vários pontos do Brasil. Assim, avançamos em plena mobilização.

Essa rede tem contado com importantes atores políticos, responsáveis pela condução de suas ações, orientado-se  pela Coordenação Executiva e desta forma estamos empenhados na atuação diária contra o racismo e seu impacto na saúde, discutindo a condução e sustentabilidade da Aliança; a necessidade de mobilização popular e ampliação do debate sobre saúde da população negra no país e a importância da comunicação para enfrentamento continuo ao racismo. Nesse ponto, compreendemos que cada vez mais é preciso discutir as estratégias de comunicação disponíveis, porque “temos que ter uma comunicação para além da quantidade de posts e likes; devemos comunicar as pessoas, de forma que elas compreendam e façam transformações em suas vidas. Trata-se enfim, do uso adequado das ferramentas disponíveis para apoiar as pessoas no cotidiano de suas vidas”.

Mas claro, é preciso que outros sujeitos apoiem veementemente iniciativas como essas, que moram na alma dos diversos movimentos negros, pois, precisamos atuar contra a densa quantidade de fake news, por exemplo, fazendo chegar até as pessoas o máximo de informação compreensível e articulada, para que elas possam administrar seu cotidiano contando com a legitimidade que o processo necessita.

Vale lembrar que nesse momento, em meio a inúmeros outros desafios, há uma crise política em meio á pandemia de coronavírus que só cresce e as medidas anunciadas até aqui, certamente serão objeto de muita discussão no governo federal, agora com um novo Ministro da Saúde. Esse é o Ministério que vem negligenciando a Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra, por ele mesmo implantada em 2009, sem impacto nenhum na realidade das pessoas.

O número de óbitos por coronavírus no município de São Paulo só tem aumentado, muito embora o governo tenha resolvido em Abril, prorrogar o prazo da quarentena. Os dados do município de São Paulo, são assustadores, vejam aqui  e nos fazem pensar que regiões como a da Brasilândia estão sempre em grande desvantagem social quando comparada às demais. Nesse momento, é onde se concentram a maior parte de óbitos, segundo informa a Secretaria.

Em Abril, Juca Guimarães publicou o artigo “Brasil pode ter aumento de 88% de novos casos de Covid-19 em cinco dias, diz Observatório” no site “Alma Preta”, com contribuições da Aliança, que pode ser acessado aqui.  Diante desse cenário, em que tudo indica o capitalismo e a escravização de pessoas se mantém, entendemos que precisamos cada vez mais ampliar o nosso diálogo e a parceria com os veículos de comunicação direcionados à comunidade negra, dada a ausência da discussão sobre saúde da população negra na imprensa. E para isso, é preciso que Estados e municípios divulguem tais dados, usando o quesito raça-cor, o que não tem acontecido. Essa é uma informação que deve apoiar o processo de tomada de decisão no sistema de saúde, enviando esforços para onde mais eles são necessários, considerando a diversidade de sujeitos.

Soma-se a isso, o fato de que as epidemias de sífilis, de hepatite e HIV continuam aqui entre nós, com as pessoas seguindo suas vidas, inicialmente longe do ambiente escolar, tendo que estudar a distância sem tem ter computador, com pouquíssimos ou nenhum recurso acessível para tal, além do não acesso à água potável, álcool gel, alimentação adequada e os demais recursos que compõem as necessidades básicas de todo cidadão e preconizados pelo amplo conjunto de direitos humanos.

Há também uma questão importante, que necessita da nossa atenção: a quantidade de profissionais de saúde expostos à infecção por covid, indo á óbito diariamente nesse país. Vejam, são muitas as variáveis que caminham de mãos dadas, diante da falência do Estado e a forma como a gestão pública atua sem apresentar nenhuma resposta eficaz á essas anomalias sociais ao longo dos anos e que o covid então, escancara como no caso da já conhecida ausência de leitos nos hospitais públicos.

E as notícias na capa dos jornais internacionais são nada animadoras, pois, falam de um país que definitivamente precisa avançar. Esse avanço não é necessariamente o que a gestão federal sonha para cada um de nós, mas, a certeza de que é preciso atuar contra as desigualdades indicadas ao longo da história, o que significa fazer de fato uma gestão que beneficie a todos e todas. E isso se faz com informação capaz de orientar os processos decisórios inclusive no que tange o controle social das políticas públicas.

Há notícias melhores, claro. A movimentação de Paraisópolis, a atuação da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde no país, subsidiando as pessoas para a prevenção de doenças, as inúmeras “lives” que surgiram nos últimos dias, a exemplo das conduzidas pela CUFA, o número de pessoas consideradas curadas no país, tal como as inúmeras campanhas dedicadas ao cuidado com o outro, arrecadando cestas básicas, álcool em gel e demais recursos, soam positivamente em nossos ouvidos, que só tem lidado com a perspectiva dos números, sem nenhuma ação concreta, no momento em que o isolamento social é ignorado por boa parte da população e o número de casos no Brasil supera os da China.

Diante disso, compreendemos que é fundamental comunicar o outro, alimentando-o de informação precisa e real, para que então, as pessoas e instituições reajam aos problemas cravados na alma da sociedade, como no caso do racismo estrutural, que corta nossa carne todos os dias e requer uma atuação política eficaz, potencializando o controle social, fomentando o debate honesto sobre a condução das instituições, divulgando as boas práticas para que sejam multiplicadas, enviando recursos para responder aos problemas colocados em cada um dos territórios e avaliando o processo que diz respeito direto a cada um, cada uma de nós. E tudo isso, é para além do coronavírus.

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