O racismo estrutural e o levante de coletivos contrários ao seu permanecer.

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Bruno Norberto*

No dia 9 de junho de 2019 ocorreu na APEOSP o Painel da Aliança Pró-Saúde da População Negra com o tema “Racismo Estrutural e a organização da sociedade”. O Racismo não é somente um sistema de crenças a partir de uma suposta supremacia branca, mas uma articulação que vai desde a base das relações sociais até as grandes estruturas de poder. Segundo Levi Strauss e Silvio de Almeida, o racismo está na essência da sociedade, permeando cada uma das relações.

Dada à magnitude dessa estrutura de poder, fez-se necessário o estabelecimento de uma resposta contrária, a qual vem ocorrendo há décadas. Vemos esse contra-ataque desde a primeira das resistências, que foi a física nos navios, perpassando pela formação de quilombos, movimentos abolicionistas, resistências durante a Ditadura Militar, a criação de coletivos e etc. Apesar de toda a luta, ação dos coletivos ou de indivíduos, e do crescente número de denúncias é notável o avanço a passos largos dessa estrutura perversa que tem sido bem-sucedida e promissora. Estrutura que tem minado diversas iniciativas importantes como a Secretaria de Políticas para Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, ou a Secretaria Municipal de Políticas para Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo. Qual a causa desse contraste?

Foi levantada essa questão pelo caro Cientista Social Celso Ricardo Monteiro, o qual apontou que deve-se conhecer como se estrutura o racismo na sociedade, em quais bases ele se apoia, por quais caminhos ele atinge os indivíduos, como adentra as instituições e age por meio delas. A partir disso, estabelecer políticas públicas bem desenhadas, estáveis e aplicáveis contra essa estrutura de poder, dado que ela não age mais em sua forma original (antes com base no genótipo, agora, fenotípica-étnico-espacial).

A partir desse diagnóstico, a APSPN propõe-se a mapear as iniciativas antirracistas em todas as suas atuações a fim de estabelecer redes de apoio mútuo.

O painel foi muito construtivo dada a forma como o tema foi abordado, utilizando de referências de diversas épocas e campos científicos para discutir um assunto que necessita de tal abrangência de modo a evitar simplismos e sensos comuns. Além disso, as contribuições por meio de falas e observações dos participantes ajudaram a tornar mais palpável a visão e parte da vivência dos indivíduos inseridos nos diversos campos da luta contra o racismo estrutural. Saí do painel num misto de sentimentos entre os quais posso destacar uma intensa curiosidade, ânimo, de certo modo receio, mas também esperança em relação à iniciativa de mapeamento e posterior colaboração entre os coletivos. Sigamos avante!

*Bruno Norberto é membro da Aliança Pró-Saúde da População Negra e aluno de medicina.

 

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